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Aprofundamento da
crise da dívida nos EUA e a recondução de Bernanke
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“Salvar a
dívida” resgatando os credores – somando mais dívida do setor privado aos
balanços do setor público – acaba com a economia, não a salva. A política em
questão não faz senão postergar a crise, incrementando o volume de uma dívida
destinada a ver-se mais e mais desvalorizada
MICHAEL HUDSON*
Se a economia se
deteriora e a crise segue seu curso em forma de L, segundo preveem muitos
economistas, que preço político pagarão o presidente Obama e os democratas por
terem devolvido as chaves das finanças aos republicanos designados por Bush que
primeiro as atiraram pela janela? Nomear de novo Ben Bernanke como presidente do
Federal Reserve [banco central] pode terminar arruinando por anos não só a
economia, mas o próprio Partido Democrata. Dando-se conta disso, os republicanos
fizeram piruetas populistas opondo-se a esta nomeação nas sessões de confirmação
do Senado que aconteceram em 27 de janeiro, no dia seguinte ao discurso de Obama
sobre a situação da União.
As sessões do Senado se concentraram no papel
do Fed como desregulador e lobista maior de Wall Street. A despeito de que sua
Carta de fundação começa assinalando a tarefa de promover o pleno emprego e
estabilizar os preços, a prática do Fed tem sido em todos os pontos hostil ao
mundo do trabalho. Alan Greenspan, como é muito bem sabido, chegou a jactar-se
de ter causado a passividade dos sindicatos na hora de promover greves por
melhores salários – ou por melhores condições de trabalho – por medo de serem
despedidos e ficarem impossibilitados de pagarem suas hipotecas e seus cartões
de crédito. “Sem salário e sem teto”, ou uma degradação da qualificação no
crédito pessoal – com o consequente aumento dos juros - se converteram em uma
fórmula de gestão das relações trabalhistas.
No tocante ao papel, expressamente prescrito,
de promover a estabilidade dos preços, o que fez a bolha gerada pelo crédito
fácil do Fed foi converter a inflação de preços dos ativos em via de acesso à
riqueza, não ao investimento em capital tangível. Isso trouxe boas doses
de alegria e entusiasmo aos departamentos de marketing, posto que os
comerciantes, os consumidores, os tubarões à caça de empresas para comprar, os
estados e os governos municipais foram se endividando mais e mais, afim de
melhorar suas posições servindo-se de dívidas alavancadas. Porém, a economia
descuidou por completo de sua base industrial, e o emprego vem do setor
industrial. A consigna que o mestre-bolhista maior do Fed, Allan Greenspan,
passou a seu sucessor Bem Bernanke, foi nada mais nada menos que: “Inflação
de preços dos ativos, bom; salários e inflação dos preços das mercadorias, mau”.
Aqui está o problema com essa política. A
subida dos preços da habitação aumentou o custo de vida e dos negócios,
alargando o fosso entre o excesso do preço de mercado e os necessários custos
sociais. Noutros tempos, o governo teria recolhido a receita crescente do
imobiliário criada pelo aumento da prosperidade e pelo investimento público em
transportes e outras infra-estruturas que tornaram determinados locais mais
valiosos. Mas ultimamente os impostos diminuíram. Os terrenos continuam a custar
tanto como sempre, porque o seu preço é estabelecido pelo mercado. O terreno em
si não tem custo de produção. O valor da localização é criado pela sociedade, e
deveria ser a base natural de tributação porque um imposto sobre o terreno não
aumenta o preço do imobiliário; pelo contrário, fá-lo baixar deixando menos
renda “livre” para ser paga aos bancos.
O problema é que a parte de que o cobrador de
impostos renuncia está agora disponível para ser paga aos bancos como juros. E
os potenciais compradores concorrem uns contra os outros até que o vencedor é
aquele que for o primeiro a pagar aos bancos a renda da localização do terreno,
sob a forma de juros.
Este desvio de impostos – em benefício dos
banqueiros, e não dos proprietários das casas – fez com que a esperança de Obama
em duplicar as exportações americanas durante os próximos cinco anos soe falso.
É este o resultado de “criar riqueza” sob a forma de uma bolha do mercado
imobiliário, alavancado pela dívida e pela bolha do mercado de ações. O trabalho
deve pagar mais pelos financiamentos de habitação e ensino, para não mencionar
os pagamentos aos oligopólios dos seguros de saúde e os impostos sobre vendas e
rendimentos mais elevados, aliviados dos ombros do capital financeiro e
imobiliário.
Uma vez que os republicanos tiveram certeza
do curso majoritário da votação, correram a dar sonoras mordidas populistas,
mirando de esguelha as eleições de metade dos mandatos no próximo novembro.
Jeff Sessions, do Alabama, e Sam Brownback,
do Kansas, votaram contra a confirmação de Bernanke. Jim de Mint, da Carolina do
Sul, advertiu que voltar a nomeá-lo “poderia ser o pior erro que cometemos em
muito tempo”. E avisou: “Confirmar Bernanke é uma continuação das políticas que
levaram ao desmonte de nossa economia”.
Entre os democratas que aspiram à reeleição,
Barbara Boxer, da Califórnia, assinalou que, ao alimentar a inflação de preços
dos ativos, a política pró-bolha do Fed (quer dizer, sua política pró-dívida)
afundou a economia e aumentou o desemprego. Supõe-se que o Fed tem de proteger
os consumidores, mas Bernanke é um expresso opositor da instituição de uma
Agência de Consumo de Produtos Financeiros, defendendo que o desregulador Fed
deveria ser a única instância reguladora das finanças.
Obama sustenta Bernanke, e seu discurso sobre
a situação da União evitou cuidadosamente mencionar a Agência de Produtos de
Consumo Financeiro, a qual outrora havia atribuído o papel central em seu
programa de reforma financeira. Os lobistas de Wall Street lhe deram a volta. E
sua lógica se resume no mesmo mantra que o senador e porta-voz do setor de
seguros por Connecticut, Cris Dodd, repetiu nas sessões de confirmação: Bernanke
“salvou a economia”.
Como pode dizer-se que o Fed fez tal coisa,
se o volume da dívida segue crescendo exponencialmente, além de toda a
capacidade de pagamento? “Salvar a dívida” resgatando os credores – somando mais
dívida do setor privado aos balanços do setor público – acaba com a economia,
não a salva. A política em questão não faz senão postergar a crise,
incrementando o volume de uma dívida destinada a ver-se mais e mais
desvalorizada, o que será mais traumático no inelutável processo de
desvalorização de parte do Deve, e levará a anular o correspondente volume de
poupança na parte do Haver (pois o que de um lado são poupanças, do outro são
dívidas).
O que está realmente em questão é a filosofia
econômica que Bernanke aplicará nos próximos quatro anos. Desgraçadamente, os
adversários da confirmação de Bernanke não atinaram por estabelecer as questões
pertinentes sobre sua linha política e sobre a teoria econômica que norteia seu
enfoque básico dos problemas. O que devia ter sido questionado não era sua
atitude desreguladora ante a economia da bolha e a explosão da fraude aos
consumidores, nem sequer o exame dos erros. O senador republicano Jim Bunning
dava sorrisos maliciosos e fazia cara de contristado, enquanto Bernanke estava
com o queixo na mão, como se dissesse: “Vou ter paciência e deixar você
declamar”. Os demais senadores beiraram a apologia.
Uma descrição comum (e em todos os aspectos
errada) de Bernanke, citada ad nauseam para promover sua confirmação ao
cargo, é que ele é um expert nas causas da Grande Depressão. Se vai se gerar um
novo crash, será desde logo útil estudar o último. Porém, os historiadores que
têm comparado os escritos de Bernanke com a história real, têm visto que é
precisamente sua incompreensão da Depressão o que o levou a repeti-la.
Como apologista do gotejamento [a teoria de
que os benefícios aos financistas “gotejam” para toda a sociedade. N.T.] das
altas finanças, o professor Bernanke tem tirado conclusões sistematicamente
erradas sobre as causas da Grande Depressão. O preconceito ideológico que nubla
sua visão é, nem é preciso dizer, o que levou-o ao cargo, pois, como têm
destacado numerosos observadores, uma condição necessária para ser nomeado
presidente do Fed é não entender como funciona realmente o sistema financeiro.
Em vez de reconhecer que a dívida crescente, os baixos salários e a injeção a
jato de riqueza no vértice da pirâmide econômica eram as causas primárias da
Depressão, o professor Bernanke atribui simplesmente o grosso dos problemas a
uma falta de liquidez causadora da queda dos preços.
Como escreveu recentemente meu colega
australiano Steve Keen em seu DebtWatch Nº 4, os argumentos contra Bernanke
deveriam centrar-se em seu enfoque neoclássico, que esquece o fato de que
dinheiro é dívida. Ele vê o problema financeiro como sendo o nível demasiado
baixo dos preços dos ativos para sustentar a garantia dos empréstimos bancários.
Para Bernanke, “riqueza” é sinônimo do que os bancos emprestarão nas condições
de crédito existentes.
Em 1933, o economista Irving Fisher escreveu
um artigo que se converteu em um clássico - “The Debt-Deflation Theory of the
Great Depression” (A teoria da deflação por dívidas da Grande Depressão) - em
que desdizia o credo neoclássico que o havia levado a perder sua fortuna na
queda da Bolsa de Valores de 1929. Explicava nesse artigo como a incapacidade
para pagar as dívidas trazia forçosamente quebras, com a consequente evaporação
do crédito bancário e da capacidade de gasto, o encolhimento dos mercados e o
desaparecimento dos incentivos para investir e contratar trabalhadores.
Bernanke rechaça esta ideia, ou ao menos a
caricatura que dela faz em seu Essays on Great Depression (Princeton, 2000,
p.24), citada pelo professor Keen:
”A ideia de Fisher foi, todavia, menos
influente nos círculos acadêmicos, devido ao contra-argumento de que a deflação
por dívidas não representa senão uma redistribuição de um grupo (devedores) a
outro (credores). Com a falta de diferenças implausivelmente grandes nas
propensões marginais ao gasto entre grupos, se objetou, a pura redistribuição
não deveria ter efeitos macroeconômicos significativos”.
Tudo o que um endividamento excessivo faz é
transferir o poder de compra dos devedores para os credores. Bernanke faz
lembrar Thomas Robert Malthus, que em seus “Princípios de Economia Política”
sustentava que os latifundiários (a classe social a que pertencia) contribuíam
necessariamente para manter o equilíbrio econômico, com argumentos parecidos aos
dos atuais teóricos do gotejamento do excedente de riqueza, dos ricos aos
pobres.
Que seria do emprego inglês, dizia Malthus,
sem os latifundiários que gastaram suas rendas em cocheiros, finas telas,
mordomos e criados? Graças ao gasto da renda dos latifundiários (protegidos
pelas tarifas agrícolas inglesas, as leis dos cereais, até 1846),
podiam trabalhar bem os fabricantes de selas de montar e outros fornecedores.
Idêntica lógica aplicam os financistas de Wall Street ao dinheiro que ganham com
empréstimos que permitem fazer ricos aos proprietários de casas e aos
poupadores, graças aos lucros que emanam da inflação dos preços de seus ativos.
A realidade é que os financistas ricos de
Wall Street que ganham remunerações e bônus multimilionários gastam seu dinheiro
em troféus, objetos de arte, apartamentos de luxo ou mansões em bairros
residenciais fechados, iates, carteiras de grife, alta costura e festas de
aniversários com cantores pop que estão na moda. (“Vejo os iates dos corretores
da bolsa de valores, mas onde estão os de seus clientes?”) Não é a classe que
gasta que reflete o perfil produtivo da economia “real”.
Mr. Bernanke não vê aqui qualquer problema, a
não ser que os ricos gastem uma parte menor dos seus ganhos em bens de consumo e
nos produtos do trabalho do que a média dos assalariados. Mas, naturalmente,
essa propensão ao consumo é precisamente o ponto que John Maynard Keynes frisou
em sua Teoria Geral (1936). Quanto mais rica é a pessoa, menor é a proporção do
seu rendimento que é destinada ao consumo (e, mais ainda, hoje).
Essa decrescente propensão ao consumo é o que
inquietava Keynes frente ao futuro. Afigurava-se que, a medida que as economias
poupem uma parte cada vez maior de seus crescentes ingressos, menor seria a
proporção gasta em bens e serviços. De modo que a produção e o emprego não
seriam capazes de manter-se passo a passo, a menos que o governo interviesse
para romper esse hiato.
O gasto em consumo está, com efeito, caindo,
mas não porque as economias estão experimentando uma taxa de poupança líquida
mais elevada. A taxa de poupança dos EUA caiu quase a zero, porque, enquanto a
poupança bruta segue sendo alta (cerca de uns 18%), a maior parte é emprestada
para se transformar em dívida de outras pessoas. O resultado é, então, empate
para o conjunto da economia (18% de poupança menos 18% de dívidas é igual à
poupança líquida zero).
O problema é que os trabalhadores e os
consumidores foram se endividando mais e mais, e poupando cada vez menos.
Estamos, pois, no extremo oposto ao prognosticado por Keynes. Só os 10% mais
ricos da população poupam cada vez mais, geralmente na forma de empréstimos aos
90% de baixo. Poupar menos, não obstante, está de mãos dadas com consumir menos,
por causa da receita que o setor financeiro drena, como serviço da dívida, do
fluxo circular da economia “real” (assalariados que gastam as suas receitas para
comprar os bens que produzem). O setor financeiro envolve-se ao redor da
economia de produção e consumo. Assim, a incapacidade de consumir é parte do
problema da dívida. A base da política monetária hoje em todo o mundo deveria
consistir em salvar as economias de um estrangulamento que emana do crescimento
exponencial dos gastos da dívida.
A apologia bernankesca do capital financeiro:
as economias parecem necessitar mais dívida, não menos
ANTÍDOTO
Bernanke acha que a “queda na demanda
agregada” constituiu o fator dominante na Grande Depressão (pág. IX, na citação
de Steve Keen). Isso é verdade em qualquer queda da atividade econômica. Em sua
interpretação, contudo, a dívida parece não ter nada a ver com a queda do gasto
nos produtos do trabalho. Adotando uma perspectiva de banqueiro, opina que o
problema mais grave é a demanda de ações e bens imobiliários. Bernanke
promete não voltar a deixar cair a demanda dos ativos (e, portanto, os preços
dos ativos). Seu antídoto passa por inundar com crédito a economia, como vem
fazendo, imitando a política de bolha de Allan Greenspan.
Os 10% mais ricos da população o que fazem,
com efeito, é poupar o grosso do seu dinheiro. Emprestam suas poupanças – e
criam novo crédito – aos 90% restantes, ou jogam com derivativos financeiros em
outras atividades de soma zero em que seus lucros (se os têm) acham sua
contrapartida nas perdas de algum outro. O sistema se mantém em funcionamento,
não graças ao gasto público, ao estilo Keynesiano, mas através da criação de
novo crédito. Isso sustenta o consumo, com efeito, o empenho para adquirir bens
imobiiários, ações ou bônus permite que os emprestadores puxem a alta dos
preços, o que possibilita aos proprietários conseguir posteriores empréstimos
respaldados em ativos mais e mais sobrevalorizados. A economia se expande... até
que os ingressos correntes não bastam para cobrir os gastos que emanam das
dívidas.
Isso traz consigo o estouro da bolha
econômica. A inflação de preços dos ativos provoca a derrubada dos preços e a
quebra técnica (quando o ativo possível chega a valer menos que a dívida
contraída para comprá-lo) no setor imobiliário, assim como em boa parte da
dívida financeira alavancada. É neste sentido que Bernanke considera que a
Depressão teve como causa os preços mais baixos. Quando os preços dos imóveis ou
de outros colaterais [NOTA: bem que pode ser usado como garantia] caem, já não
podem seguir sendo usados para obter empréstimos a fim de manter em movimento o
fluxo circular do empréstimo e devolução da dívida.
O fluxo financeiro circular é bastante
diferente do fluxo circular estudado por Keynes (e pela Ley de Say) - a
circulação em que os trabalhadores e seus empregadores gastavam,
respectivamente, salários e benefícios em bens de consumo e bens de capital. O
fluxo financeiro circular se dá entre os bancos e seus clientes. E esse fluxo
circular vai inchando a medida que desvia mais e mais gastos do fluxo circular
da economia “real”, entre ingressos e gastos. O capital financeiro se expande em
relação ao capital industrial.
Preços mais elevados na economia “real” podem
ajudar a manter o fluxo circular financeiro, proporcionando aos devedores mais
ingressos correntes para pagar suas hipotecas, seus empréstimos estudantis e
outras dívidas. Preso a isso, Bernanke interpreta a desvalorização do dólar
praticada por Franklin D. Roosevelt como uma medida tendente a reinflacionar os
preços.
Em nossos dias, porém, o dólar em baixa faria
mais caras as importações (incluídas as matérias-primas, não menos que os bens
de consumo). Isso significaria o estrangulamento do orçamento de muitas
famílias, dada a crescente dependência das importações de uma economia
norte-americana pós-industrializada e financeirizada. Assim, pois, a
política favorecida por Bernanke passa por conseguir que os bancos voltem a
emprestar, não para que o governo gaste mais em despesas deficitárias na
infra-estrutura, serviços sociais ou outros projetos de pleno emprego. O gasto
público aprovado por Bernanke é o do resgate dos bancos, companhias de seguros,
empacotadoras de hipotecas e outras instituições de Wall Street, a fim de que
possam sustentar os preços dos ativos e, por essa via, salvar os balanços
financeiros da economia, e não o nível de emprego e de vida.
Assim, na perspectiva de Bernanke, a dívida
não é o problema; é a solução. É isso o que faz tão perigosa sua confirmação no
cargo.
* É ex-economista de Wall Street
especializado em balanço de pagamentos e bens imobiliários no Chase Manhattan
Bank (agora JPMorgan Chase & Co.), Artur Anderson e, depois, no Hudson Institute.
Em 1990 colaborou no estabelecimento do primeiro fundo soberano de dívida do
mundo para Scudder Stevens & Clark. Hudson foi assessor econômico chefe de
Dennis Kucinich na campanha primária presidencial democrata e assessorou os
governos dos EUA, Canadá, México e Letônia, assim como o Instituto das Nações
Unidas para Formação e Pesquisa. Destacado professor e pesquisador na
Universidade de Missouri, na cidade de Kansas, é autor de numerosos livros,
entre eles “Super Imperialism: The Economic Strategy of American Empire”.
Continua na próxima edição.
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