O canto das sereias fracassadas 1: as “multinacionais” brasileiras

 

 

Os que pregam a entrada em massa, sem controle e sem regulação, de “investimentos diretos estrangeiros” (IDE) no Brasil - ou seja, a desnacionalização da economia brasileira, com a compra de empresas pelo capital externo – para, supostamente, resolver os nossos problemas, dar empregos, fazer o país crescer, etc., etc., são os mesmos defensores de que o país deve criar “multinacionais”, “internacionalizar suas empresas”, em poucas palavras, despejar “investimentos diretos” em outros países, à custa, inclusive, de sacrificar financiamentos de investimentos para empresas nacionais voltadas à produção e mercado internos

 

 

CARLOS LOPES

 

 

Não sabemos se é verdade que o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff tentaram que a Cosan, ao invés de prestar-se a ser engolida pela Shell, fizesse um acordo com a Petrobrás - ou com a BR Distribuidora. Mas, se verdade foi, eles estavam inteiramente certos.

 

Também não sabemos se é verdade - e por isso não publicamos como notícia - que na renegociação do acordo de Itaipu com o Paraguai, diante da resistência de alguns auxiliares que teimavam em não entender o que estava em jogo, o presidente Lula teria dito:

 

Não adianta vocês fazerem essas continhas, esses numerosinhos. O Brasil tem uma responsabilidade muito grande com os vizinhos. Vocês querem que o Brasil repita com os países pobres o mesmo imperialismo dos Estados Unidos com toda a América do Sul. Não me venha com esse papo”.

 

Não sabemos se é verdade, mas, se foi, o presidente Lula nunca esteve mais certo - há presidentes que por muito menos até hoje são lembrados como grandes estadistas.

 

A questão das (muito) mal chamadas “multinacionais brasileiras” - ou o seu canhestro eufemismo, a “internacionalização de empresas brasileiras” - está na mesma órbita.

 

Em suma, os que pregam a entrada em massa, sem controle e sem regulação, de “investimentos diretos estrangeiros” (IDE) no Brasil - ou seja, a desnacionalização da economia brasileira, com a compra de empresas pelo capital externo – para, supostamente, resolver os nossos problemas, dar empregos, fazer o país crescer, etc., etc., são os mesmos defensores de que o país deve criar “multinacionais”, “internacionalizar suas empresas”, em poucas palavras, despejar “investimentos diretos” em outros países, à custa, inclusive, de sacrificar financiamentos de investimentos para empresas nacionais voltadas à produção e mercado internos.

 

A ideia é associada ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, mas, para que sejamos inteiramente justos, bem antes ela foi propalada por autores e publicações mais vulgares, isto é, neoliberais (ver, p. ex., a coletânea “Internacionalização de empresas brasileiras”, Rio, 1996, FDC, Qualitymark; outro exemplo é um penoso texto na revista do BNDES, publicado em 2005, dois anos antes que Coutinho assumisse a presidência do banco, “O BNDES e o Apoio à Internacionalização das Empresas Brasileiras”, Revista do BNDES, vol. 12, nº 24, págs. 43/76).

 

Também é justo registrar que em 1997 o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso publicou um interessante texto do sr. Luciano Coutinho (“A especialização regressiva: um balanço do desempenho industrial pós-estabilização”, em Velloso, “Brasil: desafios de um país em transformação”, Rio, José Olympio, coletânea do Fórum Nacional Plano Real e Visão de Futuro Nacional, 19-22/05/1997).

 

Nesse texto, Coutinho enfatiza dois pontos importantes relacionados ao tema:

 

1) A expectativa acenada pela dupla Franco/FH de que o aumento do domínio das multinacionais sobre nossa economia levaria a um auge exportador, com recuperação e aumento do saldo comercial, era ilusória porque, ainda que elas exportem mais (o que, como veremos na continuação deste artigo, é mais do que discutível), suas exportações são dependentes das importações de bens intermediários. Portanto, o aumento do predomínio das multinacionais tem como efeito a elevação das importações – que, também veremos, é maior do que a elevação das exportações.

 

Mais importante ainda para a questão que estamos abordando, frisava Coutinho que:

 

2) A desarticulação das cadeias produtivas da indústria nacional, devido à devastação promovida pelo governo Fernando Henrique (câmbio artificialmente elevado, juros altos, derrubada da proteção à produção, escassez de crédito público, e, de resto, ausência de qualquer política industrial nacional), tinha levado a que as empresas nacionais se tornassem dependentes de divisas, isto é, do dólar, porque houve uma substituição de insumos nacionais por insumos importados. Elas passaram a importar insumos que antes compravam no mercado interno, situação que, segundo estudos mais recentes, ainda não foi essencialmente alterada (cf. Mariano Laplane e Fernando Sarti, “Prometeu Acorrentado: o Brasil na indústria mundial no início do século XXI”, Política Econômica em Foco, nº 7 – nov. 2005/abr. 2006).

 

Estamos de acordo com o sr. Coutinho nesses dois pontos, até porque não há como negá-los. No entanto, é impossível sair dessa situação por um atalho que somente pode conduzir ao fracasso.

 

“PLAYERS”?

 

Não se trata, bem entendido, que as empresas brasileiras não possam atuar no exterior em proveito do país e, inclusive, dos países onde têm filiais. O exemplo da Petrobrás é por demais ilustrativo. Mas a Petrobrás se pauta pelos interesses do Brasil – e se houver qualquer dúvida de quais são esses, o governo brasileiro estará apto a resolver o dilema. Não é isso o que pregam os “multinacionalistas”. Pelo contrário.

 

Resumindo o problema (e a solucionática dos adeptos da tese): como a desnacionalização, provocada pela entrada em massa de IDE no país, causa (e em não muito tempo) um estrangulamento nas contas externas - pelo aumento das remessas de lucros para fora do país e pelo aumento inevitável das importações - a solução é fazer com que empresas brasileiras instalem filiais em outros países para que, de lá, remetam lucros para cá, e importem insumos do Brasil (provavelmente, supomos, os mesmos insumos que aqui as matrizes importam de outros países).

 

Se ao leitor isso lhe parece um quiproquó, um vaudeville, tem toda razão. Só não é tão divertido.

 

Mas, na cabeça dos “multinacionalistas brasileiros”, assim estaria resolvido o estrangulamento das contas externas: as filiais de multinacionais americanas, europeias ou japonesas no Brasil poderiam continuar remetendo lucros para os seus países e importando de suas matrizes, porque isso seria compensado pelos lucros que as filiais de empresas brasileiras remeteriam do exterior, assim como por suas importações de produtos supostamente brasileiros. E todos seriam felizes espoliando-se mutuamente, sem traumas. Resta saber quem seria o andar de baixo dessa cadeia alimentar.

 

Porém, até esses apóstolos do “espoliai-vos uns aos outros” sabem que a realidade não é assim: as multinacionais são resultado, em seus países, de fusões entre monopólios bancários e monopólios industriais. Ou seja, elas são monopólios financeiros, saindo pelo mundo já com a sua fonte de financiamento. Sua hegemonia monopolista é uma função de seu poder financeiro (e não de seus supostos - ou, ainda que reais - avanços tecnológicos). Mas isso não é verdade para as empresas brasileiras, exatamente porque não são empresas de países imperialistas, onde a fusão dos grandes bancos com as grandes indústrias se realizou há mais de 100 anos.

 

No entanto, lá fora, as empresas brasileiras vão enfrentar, exatamente, as multinacionais dos EUA, Europa e Japão - as mesmas que, aliás, estão aqui dentro, quebrando as empresas brasileiras. Então, como fazer para que esse projeto de Frankenstein seja viável?

 

Ora essa, simples: fazendo com que o Estado, isto é, o BNDES, banque a transformação dessas empresas brasileiras em “multinacionais”, já que elas não bancam a si mesmas, muito menos o fazem os bancos privados brasileiros, que, perto daqueles dos EUA, Europa e Japão, são alguns tamboretes.

 

Naturalmente, o BNDES pode financiar as empresas brasileiras para enfrentar o bloqueio das multinacionais aqui dentro. Aliás, foi para isso que o banco foi criado. Mas esses apóstolos querem resolver o problema desviando uma ponderável parte do investimento interno - do qual o BNDES é praticamente a única fonte - para fora. Teríamos, então, em sua insopitável linguagem, “players globais” que enviariam lucros, aumentariam as exportações e resolveriam o problema das contas externas.

 

Já sabemos o que aconteceu com as experiências pioneiras desses aprendizes de feiticeiro:

 

* a Ambev se tornou Inbev, uma empresa belga - se alguém disser que não, sugerimos uma vista d’olhos na página 216 do relatório da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), “World Investment Report 2009”, tabela A.I.3, “Cross-border M&A deals worth over $3 billion completed in 2008”).

 

* a Oi se tornou uma empresa falida, totalmente dependente do BNDES (cf. Virgílio Freire, “A inacreditável dívida da Oi com o BNDES”, 23/11/2009).

 

Sabemos também qual o resultado dessa política no BNDES:

 

a) concentração da maior parte do valor dos financiamentos em pouquíssimas empresas, engendrando monopólios internos às custas do dinheiro e do patrimônio da população;

 

b) subtração de uma parte da riqueza nacional, que poderia estar servindo para acelerar o crescimento, por uma aventura que não tem retorno igual (longe disso) a essa subtração, de resto quase tão estéril quanto àquela de financiar as próprias multinacionais.

 

NÚMEROS

 

Mas, voltemos ao argumento do presidente Lula sobre o acordo de Itaipu, generalizando-o: para que um país precisa de multinacionais, se não é para espoliar o país dos outros?

 

Não se trata de um juízo moral, mas de um fato econômico. Por definição, dá-se o nome de multinacionais ou transnacionais aos monopólios de países imperialistas que instalam filiais ou subsidiárias em outras nações para explorar seus recursos – mercado interno, matérias-primas, mão de obra, e até facilidades creditícias públicas, se as houver - e drená-los para o país onde têm a sua matriz. Ou seja, necessariamente o estabelecimento de uma filial de multinacional implica em drenagem de recursos nacionais do país onde está a filial para o país onde está a sua matriz. Desde que o termo surgiu, ele tem este sentido - e nenhum asneirol neoliberal conseguiu mudá-lo.

 

Os pregadores das “multinacionais brasileiras” acham que devemos tê-las, e que o Estado, através do BNDES, deve sustentá-las, certamente porque acham muito difícil, aliás, acham impossível, enfrentar as multinacionais externas aqui dentro. Assim, o melhor é aceitar a espoliação delas e espoliar os outros lá fora.

 

Nem é bom perguntar quem são esses outros. Não podem ser aqueles que as multinacionais americanas, europeias ou japonesas já dominam. Não podem ser aqueles que estão em processo de libertação desses monopólios, pois os paraguaios, bolivianos, cubanos, venezuelanos ou equatorianos não vão achar vantagem na troca de uma dominação econômica externa por outra. Será que os levitas das “multinacionais brasileiras” pretendem espoliar os americanos, alemães e japoneses dentro do país deles, enquanto as multinacionais americanas, alemãs e japonesas nos espoliam dentro do nosso próprio país?

 

Como o leitor pode ver, nada disso é muito sério - ainda que possa causar grandes prejuízos ao país, tanto em desvio de recursos quanto politicamente, se a negação da realidade, que sempre cobra um altíssimo preço por seus serviços, predominasse. O grave caso da Odebrecht no Equador, com esse grupo bancado pelo BNDES, seria uma traquinada, perto do que poderia acontecer.

 

Para que houvesse um mínimo de seriedade, era necessário que os “multinacionalistas” provassem que é mais fácil abrir espaço lá fora, entre as multinacionais americanas, europeias e japonesas, do que enfrentá-las aqui dentro.
Como eles não se preocuparam com isso, nós tentaremos fazê-lo. Todos os dados são da UNCTAD - dados oficiais fornecidos pelo governo de cada país-membro da ONU. Como a UNCTAD ainda não publicou seu relatório deste ano, os números são do relatório de 2009, referentes, basicamente, ao ano anterior. Mas o quadro geral, com ou sem crise, não é essencialmente diferente na atualidade. Advertimos apenas para a possível – e até provável – imprecisão causada pelo fato de que nem todo “investimento direto” que tem origem em um país é propriedade de nacionais desse país.

 

I) O país com maior “estoque de investimentos diretos” de suas multinacionais em outros países é, certamente, os EUA: US$ 3 trilhões, 162 bilhões e 21 milhões - o equivalente a 22,2% do seu PIB (isto é, da soma de valores das mercadorias e serviços produzidos internamente nos EUA, em 2008). Também pode-se dizer que quase 20% do “estoque de investimento direto estrangeiro” do mundo (US$ 16,2 trilhões) é norte-americano ou teve origem nos EUA. Da mesma forma, ele é equivalente a 19,5 vezes o “estoque de investimentos diretos” do Brasil em outros países (US$ 162 bilhões e 218 milhões).

 

II) O segundo país em capital empresarial no exterior é a Inglaterra, ou, melhor, “Reino Unido”, origem de 9,3% do IDE mundial - US$ 1 trilhão, 510 bilhões e 593 milhões (equivalente a 56,7% do seu PIB). Ou 9,3 vezes o “estoque de investimentos diretos” do Brasil em outros países.

 

III) O terceiro lugar é da Alemanha - US$ 1 trilhão, 450 bilhões e 910 milhões (39,8% do PIB). Ou 8,9 vezes o estoque do Brasil no exterior.

 

IV) Em quarto, vinha a França - US$ 1 trilhão, 396 bilhões e 997 milhões (48,9% do PIB). Ou 8,6 vezes os investimentos em outros países, com origem no Brasil.

 

A comparação entre o estoque de IDE originário do Brasil e aquele que vem desses outros países, mostra uma diferença entre países imperialistas em relação a um que não o é. O elevado estoque de “investimentos diretos” no exterior, vale dizer, a existência de multinacionais, é uma característica distintiva de um país imperialista.

 

Apenas acrescentaremos que:

 

V) No quinto lugar estava a Holanda: US$ 843 bilhões e 737 milhões (talvez o leitor se espante ao saber que isso equivale a 96,9% do PIB holandês; no entanto, há coisa mais impressionante logo a seguir).

 

VI) A Suíça, sexto lugar, tinha um estoque de US$ 724 bilhões e 687 milhões de “investimentos diretos” fora do país, o que equivale a 147,5% do seu PIB. Portanto, leitor, já sabemos como aquela casta calvinista, que oprime a Suíça, sustenta o seu suposto paraíso econômico-social: às nossas custas. E nem falamos do capital puramente especulativo.

 

VII) Não alongaremos mais a lista. Bastará citar o Japão, em sétimo lugar, com US$ 680 bilhões e 331 milhões (apenas 13,9% do seu PIB). Somente outros três países têm um estoque importante de “investimentos diretos” no exterior: a Espanha - US$ 601,849 bilhões (37,5% do PIB); a Bélgica - US$ 588,269 bilhões (116,7% do PIB); e a Itália - US$ 517,051 bilhões (22,5% do PIB).

 

Esses 10 países são a origem de 75,6% do estoque de “investimentos dire-tos estrangeiros” do mundo, se somados aos que têm origem em Hong Kong (como o próprio governo chinês, a UNCTAD não considera Hong Kong como parte da economia da China, pois o emaranhado de capital inglês, ame-ricano, japonês, ale-mão, e sabe-se lá mais de onde, torna impossível identificar como chinesa a mon-tanha de US$ 776 bilhões de “inves-timentos diretos” em outros países que sai do rochedo que um dia os ingleses ocu-param, depois da Primeira Guerra do Ópio...).

 

Todos os dados podem ser conferidos em UNCTAD, “World Investment Report 2009”, págs. 251-254.

 

BRICs

 

Em 2008, o “estoque de investimentos diretos” em outros países com origem no Brasil era 1% do estoque mundial de IDE, US$ 162 bilhões e 218 milhões - mas isso equivalia a 10,3% do PIB brasileiro. E com muita ajuda do BNDES.

 

No entanto, o estoque de “investimentos diretos estrangeiros” dentro do Brasil era de US$ 287 bilhões e 697 milhões (18,3% do PIB - e 1,8% do IDE mundial), isto é, US$ 125,5 bilhões a mais do que aquilo que supostamente tínhamos em outros países.

 

E a diferença a favor do investimento estrangeiro no país somente não era maior porque, devido à crise, que nos EUA começou logo em fevereiro/março de 2008, com a quebra do Bear Stearns, houve um desinvestimento de mais de US$ 20 bilhões, o que fez o estoque de IDE no Brasil passar de US$ 309 bilhões e 668 milhões em 2007 (23,2% do PIB) para os US$ 287,697 bilhões de 2008.

 

Apesar dessa redução, em 2008, enquanto as remessas para dentro do nosso país somaram US$ 42,961 bilhões, as remessas para fora do país foram US$ 100,213 bilhões – mais do que o dobro, resultando numa saída líquida de US$ 57,252 bilhões.

 

Apenas de passagem, notemos que o fato da diferença entre remessas para fora e para dentro não acompanhar proporcionalmente a diferença entre o estoque de IDE dentro do país e o estoque de "investimento direto brasileiro" em outros países não é uma fortuita coincidência aritmética. Pelo contrário: é um indicador de que o investimento direto estrangeiro consegue arrancar mais recursos do país do que o "investimento direto brasileiro" consegue fazê-lo de outros países. O que é uma expressão de que a nossa dinâmica não é a mesma dos países imperialistas - e não pode sê-la.

 

Entretanto, o estoque de US$ 162 bilhões e 218 milhões no exterior constitui uma situação até excessiva para um país como o nosso. Reparemos que esse estoque triplicou entre 2003 e 2008. Ao contrário dos países imperialistas, o conjunto desse estoque não se soma ao estoque de investimentos que existe dentro do país, sendo, outra vez, uma subtração do estoque interno - pois, feitas as contas, não somente nada acrescenta à riqueza nacional, como são recursos tirados daqui, drenagem para fora, sem retorno comparável, de capital brasileiro (no caso, recursos do Estado e da população, já que, em boa parte, é o BNDES que sustenta esses "investimentos diretos" no exterior). São, inclusive, drenagem de empregos.

 

Evidentemente, não estamos nos referindo à totalidade desse estoque. Já mencionamos que empresas públicas, como a Petrobrás, podem ter - têm e terão - um papel positivo para nós e para os povos diante dos quais, como disse o presidente Lula, nós temos responsabilidade.

 

Porém, em que acrescenta ao país sustentar os negócios e aventuras no exterior da Odebrecht, Gerdau, ou, pior ainda, do sr. Eike Fuhrken Batista? Tanto quanto sustentar as filiais de multinacionais aqui dentro.

 

Não por acaso, entre os BRICs, a China, em 2008, tinha US$ 147 bilhões e 949 milhões (ou 3,4% do PIB chinês), em investimentos diretos no exterior. A Índia, menos ainda: US$ 65 bilhões e 765 milhões (5% do PIB indiano). Somente a Rússia superava o Brasil, devido a seu estoque de investimentos em nações que antes compunham a URSS: US$ 202 bilhões e 837 milhões (12% do PIB).

 

Existe, realmente, uma diferença entre enfrentar as multinacionais americanas, europeias e japonesas dentro ou fora do Brasil, além do fato de que aqui existe o Estado brasileiro, portanto as condições políticas são imensamente melhores para as empresas brasileiras. A diferença é que, dentro do Brasil, o estoque de investimento nacional equivale a 81,3% do PIB, enquanto o estoque estrangeiro equivale a 18,3% do PIB. Enquanto isso, no exterior, 10 países têm “investimentos diretos” em outros países equivalentes a 8 vezes o nosso PIB - e o estoque de um só deles equivale a duas vezes o PIB brasileiro.

 

Certamente, dirão os “multinacionalistas”, é absurda essa comparação, pois não pretendemos que o Brasil concorra em “investimentos diretos” com os EUA, a Inglaterra, a Alemanha, nem sequer com a Espanha. Mas, se a função das “multinacionais brasileiras” é ficar comendo na beirada do prato, preparem-se para que sejam empurradas fora dele – ou deglutidas por quem se alimenta no meio do prato. E que esse destino seja às custas do dinheiro delas, e não às custas do dinheiro nosso.


 

 

 

 

 

 

 

 

 


Primeira Página

 

Página 2

O canto das sereias fracassadas 1: as “multinacionais” brasileiras (CARLOS LOPES)

Página 3

STJ: Arruda instalou “grupo criminoso” no governo do DF

Papéis que registram compras de panetones são falsos, diz PF

MP pede autorização para intervenção federal no DF

Paulo Octávio inventou reunião com presidente

Demóstenes: vice-governador tem que ser expulso já

Envolvimento de Paulo Octávio é citado em vários vídeos

Lula anuncia o lançamento do PAC-2 para 26 de março

Dilma: “segmento executor do Estado tem que ser reforçado”

É mais fácil um boi voar do que Serra se identificar com o povo nordestino, diz Ciro

 Expediente

Página 4

TST proíbe teles de terceirizar instalação e reparo de telefone

Produtores criticam BNDES por turbinar o monopólio da Friboi

Só tropas da ONU devem ficar no Haiti quando acabar emergência, diz Amorim

Reichstul se acerta com Odebrecht para salvar Brenco

Ibope admite: Dilma subiu 8 pontos e Serra caiu mais dois

Cartas

Página 5

Homenagem da Vila a Noel salva carnaval empobrecido

Dilma samba com o gari Gilson Lopes durante o desfile carioca

Em Salvador, Ivete dá conselho a Serra: “Seus olhinhos estão cansados. Toma um energético, meu filho”

O Carnaval e seu impacto (Vale a pena ler de novo)

Página 6

Mossad frauda passaportes para torturar e assassinar em Dubai

Terroristas de Israel cometem assassinatos em série na região do Oriente Médio

Invasores matam 15 civis no Afeganistão

Resistência de guerrilheiros paralisa avanço das tropas invasoras ao sul

África do Sul: Zuma anuncia projeto para distribuir terra

Defensor de americanos no Haiti está foragido de El Salvador por lenocínio

Kadafi defende que EUA saia do Iraque e Afeganistão

Página 7

Para Hillary, Irã só foi democrático sob a ditadura imposta pelos EUA

O único hospital público de Miami pode fechar por falta de recursos

Morre aos 94 anos o herói soviético que cravou a bandeira vermelha no Reichstag

Promotoria da Colômbia revela que ‘paras’ confessaram 30 mil execuções

Argentina anuncia medidas de contenção da exploração do petróleo das Malvinas

PIB da Itália caiu 4,9% e o da França 2,2% em 2009

Economia do Japão ficou 5% menor no ano passado

Página 8

Aprofundamento da crise da dívida nos EUA e a recondução de Bernanke (2) 

Leia

Congresso dá apoio a Lula para prosseguir as obras da Petrobrás
Teles recuam e dizem que plano para ativar a Telebrás ‘é bacana’
Americanos dizem que iam vender as crianças haitianas  a famílias piedosas
Pesquisa “Sensus” dá empate técnico entre Dilma e Serra
Plano propõe reativar Telebrás para superar crise da banda larga
Acordo com ONU veta interferência dos EUA na segurança do Haiti

Máfia de Arruda não tem isenção para julgar o seu chefe, conclui TJ

EUA invadem o Haiti e dificultam chegada a ajuda humanitária

Brasil lidera ação de solidariedade ao povo haitiano

Máfia do panetone protela julgamento com assalto à CPI
Papai Noel do STJ suspende ações contra Daniel Dantas

Serra pediu à Globo para aliviar Arruda

Discurso de Obama no Nobel da Paz fala 42 vezes em guerra

Governador ladrão lança a cavalaria contra estudantes

Sedex com dinheiro para Arruda veio de fornecedor de Serra
Quem tem Yeda, não pode falar do Arruda, diz o Dem a tucanos

Arruda esclarece: a propina era para comprar panetone 

Invasão do Brasil pelo dólar virtual passa de 17 bilhões em outubro

Antilulismo de Serra leva sua candidatura a cair mais 8 pontos

Tucanos passaram a amigos fiscalização da obra do rodoanel

Desabamento do rodoanel é a cara do governo Serra

Atribuir apagão a “fator climático” é lero de tucano
EUA deflagra guerra cambial e Fazenda hesita em ir à luta
Investimento frio da Telefónica no Brasil agita a Bolsa de NY

Aécio põe namorada a nocaute com murro no meio da festa VIP

Democratas vetam a entrada de Serra em seu programa na TV

SPC apura sumiço de meio bilhão do fundo de pensão da Sabesp
Parasitismo de teles pôs na ordem do dia a volta da Telebrás
Telefónica ganha de Serra isenção fiscal para fraudar usuário
“PMDB pode assumir de público que tem a vice”, afirma Berzoini
Oposição sem voto quer mudar quorum para lei do pré-sal

Usuário perde as estribeiras com a ferrovia privatizada no Rio de Janeiro

Yes, we créu!

Golpista relaxa toque de recolher mas lota prisões em Honduras

Congresso pede o fim do estado de sítio em Honduras
ONU e OEA apoiam Lula: Zelaya deve voltar de imediato para a presidência

Zelaya volta e instala QG da legalidade na Embaixada do Brasil

Ipea acha cedo para considerar que a economia já se recuperou

Juro e BNDES mantêm o crescimento do PIB negativo no semestre

Telefónica deixa SP sem comunicação no meio do temporal

Lula convoca Brasil a deixar maus tempos da lei 9478 para trás

Mídia golpista tira a máscara e advoga o pré-sal para as múltis
Projeto para o pré-sal abre perspectiva para o retorno da lei 2004
Anatel libera Speedy sem que Telefónica conserte os defeitos
Trapaça para isentar teles de pagar multa abre crise na Anatel
Conselho remete as ações contra Sarney para o arquivo morto
Teles, Anatel e STJ se acertam para assaltar usuário com tarifa de DDD em ligação local
Anatel protela decisão sobre superintendente que as teles guiavam

Conselheiro denuncia lobby na Anatel para aliviar multa de teles

Sarney diz à oposição que está pronto para a paz ou para a guerra
Nova base dos EUA na Colômbia tem raio de ação para alcançar a metade do continente
Mídia inventa risco para facilitar múltis mamarem o pré-sal
Operários jogam pela janela privatizador de siderúrgica na China
Justiça bloqueia 27 fazendas de réu que Gilmar mandou soltar

Gato comeu 2 bi que AES e Duke estavam obrigadas a investir em energia até 2008

Montadora pré-falida arma com Yeda para tomar 1 bi do BNDES
Sarney anula os 663 atos secretos e exige devolução do que foi pago indevidamente
“Privatização que deu certo” cria milhões de usuários desplugados

Tropelias do BC e BNDES arruinaram PIB de 2009

OEA dá 72 horas a golpistas para que devolvam o poder a Zelaya

Dilma ultrapassa Serra no Nordeste, informam as pesquisas do Dem

BNDES desvia grana do crescimento para monopólios na UTI

Mídia golpista degola seus cupinchas para atear fogo no Senado

320 parlamentares lançam a Frente em Defesa da Petrobrás

“O pré-sal é nosso!”, entidades convocam ato dia 19 na Paulista

Sem priorizar mercado interno e as empresas nacionais não há meio de esconjurar a crise

Múltis intensificam lobby para assumir controle do pré-sal 

BC pôs Brasil na rota do tsunami elevando o juro relativo para atrair capital externo

GM já era

CPI da Petrobrás deve deixar tucanos fora da presidência e relatoria

Tucanos prosseguem com CPI sabotagem do governo FH contra Petrobrás, diz Aepet

O que o Brasil quer é saber como tucanos afundaram a maior plataforma do mundo

Múltis adquirem 30 calabares no Senado para zoar Petrobrás

União jogaria dinheiro fora se deixasse múlti faturar com o pré-sal

Para Gilmar Mendes, STF tem que se lixar para a voz do povo
Múltis querem mamar petróleo que Petrobrás descobriu no “pré-sal”

“Para quem no começo falava menas laranja é chique demais”

Bank of America e Citibank estão de pires na mão

PF indicia Dantas em cinco artigos do Código Penal

‘V. Exa. não está falando com os seus capangas do Mato Grosso’

Lula reduz o superávit primário e libera mais R$ 38 bi para investir

“País deve se basear na força do mercado interno”, afirma Lula

Empresas nacionais repelem portaria que estimula importação de máquinas usadas

BC usa “previsões” para frear queda da taxa básica de juros

Revolta contra os cupins financeiros conflagra Londres

Centrais querem mais emprego e menos juro para impedir tsunami de invadir nossa praia

Remessas ao exterior mantêm a escalada e vão a US$ 2,6 bilhões

Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Múltis drenam do país US$ 3,266 bilhões só em dez dias de março

Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Aumento do IDE agrava sangria de recursos do Brasil para fora

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

Procurador avalia que há provas para Daniel Dantas pegar um ano a mais que Al Capone

“Gasto público que precisa ser cortado é o juro”, diz Ipea

Meirelles quer que Brasil traia o compromisso com G-20 sobre redução do juro

China põe R$ 1 trilhão na infra-estrutura para crescer 9% em 2009

EUA responde à crise votando em massa na mudança

Fusão de Unibanco com Itaú torna mais anti-social sistema financeiro privado

Banqueiros põem o compulsório no bolso e dão uma banana ao crédito

Greve da Polícia Civil cresce e responde a Serra nas ruas de SP

Eleições em S. Paulo opõem integridade de Marta à dissimulação indecorosa de Kassab

Governador trai promessa e dá ordem para PM atacar policiais

Marta sobe porque é Lula. Kassab cai porque é oposição

Retratação de Gabeira reafirma preconceito contra “suburbanos”

Inauguração da P-51 é resposta do Brasil à crise

Eleições dão vitória aos aliados de Lula em todas as regiões

Lula pede a S. Paulo que vote em Marta: “temos as mesmas idéias e projetos”

Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

Economia na mão de especuladores levou EUA à crise, diz Lula

Para Serra, Kassab é leal. Alckmin, não

Lula mobiliza PF para fechar nossa fronteira a terroristas da Bolívia

Kassab usa Ama para passar verba pública aos grupos privados

Com inflação em queda, BC eleva juro para afundar o Brasil em 2009

Comando do Exército desmente Jobim: “a maleta da Abin não serve para escutas”

Maleta não faz grampo, apenas a varredura, diz técnico da Abin

Quadrilha pró-Dantas acusa Abin de gravar seu truta no Supremo

Trabalhadores se unem e dão apoio unânime à Marta

China desbanca EUA da liderança olímpica

Tucanos vão ao STF para derrubar o piso salarial de professor

Magistrados armam barraco no Supremo

Lula convoca UNE a deflagrar campanha do ‘Pré-sal é Nosso!’

Kassab responsabiliza Alckmin por atrofia do Metrô-SP e vice-versa

BC faz do Brasil último peru com farofa em mesa de especulador, diz Delfim Netto

Alckmin tira o corpo fora e põe na conta de Serra o desastre da Linha 4 do Metrô

BC manipula previsão de crescimento para forçá-lo a despencar