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O Carnaval e
seu impacto
(Vale a pena ler de novo)
NEI LOPES*
Sinceramente, o que eu curto mesmo no carnaval,
de montão, é o impacto que ele causa na economia. Vejam se eu não tenho razão!
O carnaval – e quem diz é o superintendente do
SEBRAE, Dr. Sérgio Malta – movimenta mais de 1 bilhão e meio de reais, gera 100
mil postos de trabalho e traz pra cidade, naquela do entra e sai, uns 670 mil
turistas. E, durante quase todo o ano, a festa gera 60 mil empregos permanentes
e beneficia o comércio, a indústria e o turismo, desde o setor editorial e
gráfico até o da música, chegando inclusive ao fabrico de instrumentos musicais.
É demais, não é?
Agora, vêm esses caras dizerem que antigamente é
que era legal; que tinha ranchos, sociedades, blocos de sujo, frevos; que tinha
carnaval na Rio Branco e em todas as outras avenidas; que em todo bairro o povão
se divertia de graça em volta dos coretos; que, desses coretos, os mais bonitos
e bem concebidos eram premiados; que os bondes eram verdadeiros salões
ambulantes de folia, cortando a cidade; que as marchinhas eram às vezes
belíssimas, e em geral muito espirituosas; que os sambas eram ao mesmo tempo
melodiosos e animados; que os sambas-enredo das escolas eram quase sempre obras-
primas; que, nessas escolas, cada mestre-sala e cada passista tinha um estilo
próprio de dançar; que, nas ruas e nos salões, havia uma variedade enorme de
fantasias, desde as industrializadas até as improvisadas, de última hora; que
tinha máscaras de diabinho, morcego, vovô e clóvis de tudo quanto era jeito; que
as pessoas atiravam confetes e serpentinas umas nas outras, carinhosamente; que
lança-perfume era para espargir nas moças, sinalizando a paquera.
Bah! Saudosismo bobo! O importante é o impacto
que o carnaval causa na economia da cidade! Não é mesmo?
* Texto
publicado originalmente em janeiro de 2008. |