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Stephanes e Lobão anunciam
uma estatal para fertilizantes
O ministro da
Agricultura disse que é preciso “sair do monopólio” do setor
Os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e
Edison Lobão (Minas e Energia) afirmaram na terça-feira (23) que o governo
estuda a criação de uma estatal de fertilizantes, com atribuições de regular
o setor, pesquisar e produzir esses insumos. Segundo Stephanes, até final de
março um anteprojeto será apresentado ao presidente Lula. “A razão disso
tudo é sairmos de um cartel, de um monopólio”, disse o ministro da
Agricultura.
“Seria uma empresa para atuar tanto nas
matérias-primas, como no produto final”, sublinhou Lobão.
Stephanes informou que o objetivo da criação da
estatal é acabar com a dependência externa, que deixa o país vulnerável, e
reduzir os custos do produtor e que essa redução seja repassada ao
consumidor. Stephanes frisou que dos custos totais de produção agrícola, os
fertilizantes representam de 10% a 30%, de acordo com a localidade e também
o transporte. Ele avaliou que entre seis e dez anos, de acordo com o
mineral, o país se tornará autossuficiente.
O Brasil é um dos maiores importadores mundiais
de potássio, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, mesmo
possuindo reservas substanciais desse mineral.
Até o governo Collor, não havia problemas de
regulação no setor, que tinha a Petrobrás como carro-chefe, mas que incluía
também o setor privado. Em agosto de 1992, com a privatização da Fosfértil,
foi desencadeado o desmonte do setor, com a alienação ainda da Goiasfértil,
Ultrafértil, Nitrofértil, entre outras. O resultado foi que hoje o setor é
controlado por multinacionais – Bunge, Monsanto, Mosaic e Yara –, elevando o
preço dos produtos agrícolas. |