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O canto das
sereias fracassadas 3: o IDE e a hipervalorização do real
Continuação da edição anterior
A entrada em
massa de IDE e o importacionismo também em massa são irmãos siameses. Como
grandes companhias importadoras, as filiais de multinacionais estão interessadas
em manter o dólar baixo - isto é, o real hipervalorizado - para baratear suas
importações, pois, apesar de exportarem, sua atividade está voltada
principalmente para o mercado interno, com a estratégia de importar ao máximo da
matriz
CARLOS LOPES
Antes de prosseguir,
ajustemos contas em três questões. A primeira é um erro nosso - mas a favor dos
“multinacionalistas” & cia., portanto, nada que altere a argumentação (muito
menos os dados), exceto a nosso favor. As outras são duas ilusões econômicas,
sempre mais perniciosas – porque fazem muito mais gente sofrer - do que as
ilusões psicopatológicas.
No fim da primeira parte deste artigo
publicada no HP de 19/02/2010, escrevemos que “existe, realmente, uma
diferença entre enfrentar as multinacionais americanas, europeias e japonesas
dentro ou fora do Brasil, além do fato de que aqui existe o Estado brasileiro,
portanto as condições políticas são imensamente melhores para as empresas
brasileiras. A diferença é que, dentro do Brasil, o estoque de investimento
nacional equivale a 81,3% do PIB, enquanto o estoque estrangeiro equivale a
18,3% do PIB. Enquanto isso, no exterior, 10 países têm ‘investimentos
diretos’ em outros países equivalentes a 8 vezes o nosso PIB - e o estoque de um
só deles equivale a duas vezes o PIB brasileiro”.
O valor do estoque de “investimento direto
estrangeiro” (IDE), pelos dados oficiais, realmente equivale ao valor de 18,3%
do PIB brasileiro de 2008. No entanto, isso não quer dizer que o valor do
estoque de investimento nacional seja equivalente ao valor de apenas 81,3% do
PIB. Evidentemente, ele é muito maior do que isso, pois reúne todo o
investimento e reinvestimento nacional (menos desinvestimento) desde que o país
foi descoberto - ou, pelo menos, desde que o Brasil proclamou sua independência
política. Ao acompanharmos a comparação que a UNCTAD faz entre valor do estoque
de IDE e valor do PIB, acabamos por chancelar - e expor - a debilidade dessa
forma de mostrar a magnitude relativa dos valores econômicos: trata-se de uma
comparação entre coisas distintas. O PIB se refere à produção, ao valor
dos serviços e mercadorias produzidas dentro do país durante um ano; já o
“estoque de investimento” refere-se ao patrimônio - ao valor da
propriedade do capital, historicamente acumulado, das empresas. Portanto, seu
valor total é muito maior do que o valor do PIB. De onde se pode concluir que,
apesar de toda a desnacionalização, estamos no nosso país - uma conclusão
demasiado pedestre, mas não faz mal lembrar disso de vez em quando...
FUNDAMENTO
Passemos agora às ilusões, na forma como elas
são expressas pelos apóstolos da multinacionalização da economia brasileira.
1)
O IDE é fundamental para o nosso desenvolvimento. A
China está conseguindo 8 ou 10% de crescimento anual graças ao IDE. Por que não
podemos conseguir o mesmo?
Se o IDE fosse tão fundamental para o nosso
desenvolvimento, as multinacionais não viveriam se abastecendo de dinheiro no
BNDES - ou seja, mesmo quando estão supostamente investindo, o fazem com
recursos nossos, nacionais e públicos, e não com recursos delas.
A China não está conseguindo 10% de
crescimento devido ao IDE. O estoque total de IDE dentro da China, em
2008, é, segundo a UNCTAD, US$ 378 bilhões – o que equivale a 8,7% do PIB
chinês.
Quanto à entrada anual de IDE, ela tem se
mantido em bem menos de 10% do investimento total (Formação Bruta de Capital
Fixo - FBCF) da economia chinesa. Mais precisamente: 8,3% (2003); 7,7% (2004);
outra vez 7,7% (2005); 6,4% (2006); 6% (2007); e, outra vez, 6% da FBCF em 2008
(cf. UNCTAD, “Inward FDI flows as a percentage of Gross
Fixed Capital Formation, by host region and economy, 1970 – 2008”).
Mas voltemos à “fundamentalidade” do IDE.
Além da falsificação da realidade, um dos modos mais banais de fugir a uma
questão é torná-la uma generalidade vazia. Evidentemente, estamos discutindo
aqui a invasão de IDE desde 1995 no Brasil - e não qualquer “investimento direto
estrangeiro” realizado em qualquer país ou em qualquer época, ou sob qualquer
política. Ao arremessar o problema para a generalidade, pode-se fazer qualquer
coisa com ele, até mesmo transformar Lenin e os bolcheviques em fervorosos
crentes do IDE, por terem estabelecido uma política para o investimento
estrangeiro na URSS durante a Nova Política Econômica (NEP).
Trata-se aqui de situações e de países
concretos. A questão é a política para o IDE em cada caso e em cada situação.
Por exemplo: o maior estoque de “investimento
direto estrangeiro” do mundo está dentro dos EUA (US$ 2,3 trilhões em
2008). Perto dele, os US$ 378 bilhões de estoque dentro da China são um mero
troco. No entanto, não há perigo de que a economia norte-americana seja
desnacionalizada por causa disso, ou de que o capital nacional seja esmagado
pelas multinacionais de outros países. E não apenas porque a propriedade em mãos
norte-americanas é colossalmente superior, mas porque, da mesma forma que outros
países (a própria China, por exemplo), os EUA não permitem que o “investimento
direto estrangeiro” compre ou faça qualquer coisa que lhe dê na telha. O governo
e Congresso norte-americanos determinam o que estrangeiros podem ou não comprar
- como aprenderam os japoneses e os sauditas.
Esse investimento “direto” estrangeiro de US$
2,3 trilhões nos EUA serve perfeitamente à casta econômica dominante naquele
país. De certa forma, é uma “americanização” dos recursos de outros países e não
uma desnacionalização da economia dos EUA - apesar de que esse estoque equivale
a 16% do PIB norte-americano (v. base de dados e relatório da UNCTAD, “World
Investment Report 2009”).
A diferença entre o IDE nos EUA e o IDE no
Brasil é, fundamentalmente, àquela, já referida, entre um país imperialista e um
país que não é imperialista. A dinâmica não é a mesma. Aliás, é oposta.
Mas é forçoso reconhecer que os EUA estão
certos em não deixar o IDE à solta dentro do país, estabelecendo os limites em
que ele pode estar presente - ou seja, os EUA dirigem o IDE, não são dirigidos
por ele.
A mesma coisa faz a China: a produção das
multinacionais nesse país não está dirigida para o mercado interno, mas para a
exportação, a lei chinesa não permite que capitais externos entrem e saiam
quando bem quiserem - e não se reconhecem as patentes das multinacionais (v. “O
crescimento econômico e a competitividade chinesa”, de M.B. Nonnenberg, P.M.
Levy, F. Negri e K.P. Costa, IPEA, ab./2008, pág. 20).
A figura da “clonagem” foi usada por Márcio
Pochman para descrever parte desse processo: não são as fábricas das
multinacionais que abastecem o mercado chinês, mas “clones” chineses dessas
fábricas, além das indústrias chinesas que nada têm de clones. Em suma, os
chineses tratam o mercado interno, como diz a nossa Constituição, como
“patrimônio nacional” (art. 219) - e de uma forma mais rígida do que jamais
pensaram os constituintes de 1988.
Nessas condições, o IDE pode ter papel
positivo para a economia de um país, porque está submetido aos interesses desse
país. O que determina esse papel positivo não é o IDE, mas a política que se tem
para ele, considerando que “o fator determinante da capacidade de
investimentos dos países é a dinâmica interna da economia. Na média, 90% da
Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o total dos investimentos públicos e
privados dos países, é realizada com recursos próprios” (Antonio Corrêa
de Lacerda, “O papel do investimento estrangeiro para os países”, nov./2006).
NADA
Já que citamos o professor A. C. Lacerda,
vejamos uma ilusão combatida por ele, que, como se dizia antigamente, é de cabo
de esquadra:
2) A hipervalorização do real seria um
estímulo ao investimento, pois baratearia a importação de máquinas e
equipamentos, tendo como consequência a “modernização” das empresas e o aumento
da produtividade, logo, da competitividade dos produtos brasileiros.
Se fosse verdade, significaria não apenas a
destruição completa do setor interno de máquinas e equipamentos, mas a
renúncia eterna a produzir bens de capital, tornando-nos, para todo o
sempre, dependentes dos países centrais. Porém, o mais importante é que tudo
isso é falso:
“O câmbio valorizado diminui a
competitividade dos produtos fabricados localmente relativamente aos
concorrentes internacionais, seja no mercado internacional ou doméstico.
Portanto, (....) inviabiliza a agregação local de
valor e é um incentivo às importações de produtos prontos”.
Logo, importaríamos máquinas para nada
produzir, pois a produção interna não poderia enfrentar os produtos prontos, que
também seriam importados, até porque “.... esse verdadeiro ‘subsídio’ às
importações não se restringe aos bens de capital e matérias primas, mas é
estendido a toda a gama de produtos, inclusive de bens intermediários e consumo,
desincentivando a produção no Brasil e, consequentemente, prejudicando a geração
de empregos e salários, a cadeia local de fornecedores e prestadores de
serviços, além da receita tributária” (Antonio Corrêa de Lacerda, “Câmbio,
competitividade e IOF”, out./2009).
HIPERVALORIZAÇÃO
Detenhamo-nos, devido ao seu peso, na questão
do câmbio.
A cotação média do dólar caiu de R$ 3,07 em
2003 para R$ 1,83 em 2008. Depois de aumentar para R$ 2,31 no primeiro trimestre
de 2009, devido principalmente à troca de ativos, com preços ameaçados de
soçobrar, por dinheiro, o dólar caiu outra vez - para R$ 1,74 no quarto
trimestre.
Evidentemente, quanto mais baixa é a cotação
do dólar, mais alta a do real, portanto, mais baratas ficam as mercadorias
importadas - e mais caras, em relação a estas, ficam as mercadorias produzidas
internamente.
Apesar da guerra cambial dos EUA contra os
outros países, com sua super-emissão de dólares, ter-se tornado um pesadelo em
todo o mundo a partir do último trimestre de 2008, o que piorou a situação em
nosso país foi o fato do Banco Central (BC) estar hipervalorizando o real desde
2004. Eis uma descrição do câmbio no período imediatamente anterior à
quebra do Lehman Brothers, portanto, antes do início da guerra cambial pelos
EUA:
“... entre julho de 2007 e julho de 2008 a
apreciação da moeda brasileira [em relação ao dólar] foi de 17%, frente
aos 9,6% da nova lira turca, 8,6% do peso mexicano, 8,3% do rublo russo, 6% do
ringgit malaio, 3,4% do peso chileno, 2,5% do peso argentino e 1,4% da rúpia
Indonésia. Já o bath tailândes, o won coreano e a rúpia indiana sofreram
depreciação no período (de, respectivamente, 11,5%, 9,9% e 5,3%). Na comparação
com o euro, a apreciação foi de 5,2%, o que constitui uma adicional indicação de
que a valorização da moeda brasileira não foi mero reflexo da depreciação da
moeda-chave no mercado internacional, como alguns analistas têm argumentado”
(Daniela Prates e Maryse Farhi, “A crise financeira internacional, o grau de
investimento e a taxa de câmbio do real”, IE/Unicamp, jun./2009).
Como notam as autoras, “um regime cambial
de flutuação pura, além de não levar ao ajustamento automático dos balanços de
pagamentos, acentua a inter-relação entre taxa de juros e taxa de câmbio e a
influência das decisões de portfólio dos investidores globais [isto é, a
influência da especulação, sobretudo externa] sobre esses preços-chave”
(Prates e Farhi, pág. 23).
No entanto, o que existe no Brasil é o
chamado regime cambial de “flutuação suja” (do inglês “dirty float”), em
que o BC intervém, comprando e/ou vendendo dólares. A flutuação “pura” seria
aquela manipulada exclusivamente pelos especuladores privados, isto é, pelos
grandes bancos privados - mas, no Brasil, o Banco Central é (ou voltou a ser,
desde 2005) o maior cliente do “mercado de câmbio”.
Isso coloca na berlinda o seguinte fato: não
foi somente através da alta taxa de juros que o BC artificialmente
hipervalorizou o real, ao atrair, para dentro do país, bilhões de dólares
sequiosos de ganhar mais e mais com esses juros. Também o fez através de
gigantescas compras de dólares.
Para a maioria das pessoas, pareceria que as
compras do BC no mercado de câmbio, ao aumentar o lado da procura, tinham o
objetivo, e tiveram como efeito, impedir uma maior sobrevalorização do real,
“enxugando” dólares, fazendo a oferta subir de preço - portanto, segurando, ao
menos em parte, a desvalorização da moeda norte-americana.
Pois não foram quaisquer compras - o BC
comprou US$ 21,5 bilhões em 2005; US$ 34,3 bilhões em 2006; e US$ 78,6 bilhões
em 2007. Ao que se somaram as compras do Tesouro (US$ 9,3 bilhões em 2005; US$
12,3 bilhões em 2006; e US$ 14 bilhões em 2007). Em três anos, as “intervenções”
do BC e do Tesouro compraram US$ 170 bilhões (cf. no trabalho de Prates e Farhi,
página 7, tabela 1, itens “a.2”, “b.2”, “c.1” e “d.1”).
Apesar disso, o real sofreu uma
sobrevalorização inédita, a maior do mundo, maior até do que a da desmoralizada
“nova lira” que os fernandos-henriques da Turquia impingiram ao povo daquele
país. Como isso é possível, com compras de 170 bilhões de dólares?
Infelizmente, o mercado de câmbio não é uma
quitanda localizada numa vila remota, onde não existem supermercados nem
fornecedores de fora, em que as virtudes da lei da oferta e da procura
determinam o preço da melancia.
No “mercado de câmbio”, é preciso antes de
tudo pertencer à patota. O próprio BC não atua diretamente, mas através de “dealers”,
isto é, intermediários que atuam em seu nome - e que são 11 bancos estrangeiros,
4 bancos privados brasileiros e um único estatal (o Banco do Brasil). Ou seja,
esses bancos sabem qual a política de compras do BC.
Mas o problema principal é a própria política
de compras de dólares do BC. O efeito das compras depende da maneira como se
compra. A rigor, essas compras que o BC fez ao “atuar no final do dia,
absorvendo as ‘sobras’ de dólares aos preços vigentes no mercado interbancário”
(trab. cit., pág. 14 - grifo nosso), não tiveram e não podiam ter qualquer
efeito sobre a hipervalorização do real, até porque Meirelles e cia.
consideravam-na “fundamental para a eficácia da política de metas de inflação”.
Essencialmente, essas compras, apresentadas
como a constituição de um “colchão de liquidez” para “reduzir a
volatilidade cambial”, respaldavam a ação dos especuladores sobre o real, ao
adquirir suas “sobras” (e que sobras!), depois de realizadas as transações do
dia, e ao preço que eles determinavam. Em resumo, o BC estava trocando reais
valorizados por dólares desvalorizados, nas condições que os bancos
estabeleciam.
DIFICULDADES
Certamente, essa política cambial desastrosa
teve um efeito explosivo sobre as importações e sobre as contas externas. Mas a
que conclusões se pode chegar a partir disso?
1) Nas condições atuais, no Brasil, a entrada
em massa de IDE e o importacionismo também em massa são irmãos siameses. Como
grandes companhias importadoras, as filiais de multinacionais estão interessadas
em manter o dólar baixo - isto é, o real hipervalorizado - para baratear suas
importações, pois, apesar de exportarem, sua atividade está voltada
principalmente para o mercado interno, com a estratégia de importar ao máximo da
matriz. Não por acaso, tanto a entrada de bilhões de dólares em IDE, quanto as
importações de toda espécie de mercadoria, quanto a hipervalorização do real,
foram a política de Fernando Henrique - até o seu estouro, em 1999.
2) O Banco Central tem atuado para beneficiar
- além dos bancos e outros especuladores - as multinacionais, ao baratear as
importações com a deliberada sobrevalorização da moeda. A esse respeito, sem que
haja risco algum de surto inflacionário, a chamada “política de metas de
inflação” implica - e tem sido o pretexto - não somente em manter juros altos
para que a produção interna e o consumo permaneçam baixos, como em manter
artificialmente baratas as importações. O que significa fazer do mercado
interno, em boa parte, uma reserva para os importados das (e pelas)
multinacionais, bloqueando a indústria nacional e travando a elevação do
investimento.
3) Se, devido à política do presidente
Lula, conseguimos superávits comerciais crescentes de 2003 a 2007 e um
crescimento muito promissor no segundo mandato, o resultado inevitável da
entrada em massa de IDE, juros altos e sobrevalorização do real são as atuais
dificuldades nas contas externas. Por um lado, a entrada sem controle de IDE e o
consequente aumento do seu estoque dentro do país fazem com que as remessas para
o exterior adquiram características quase de avalanche. Por outro, essa entrada
de IDE e o subsídio cambial do BC catapultam as importações. As entradas de IDE
passaram de US$ 2,1 bilhões em 1994 para US$ 32,7 bilhões em 2000 e US$ 45
bilhões em 2008; as remessas para o exterior, de US$ 14,7 bilhões em 1994, foram
para US$ 25 bilhões em 2000 e US$ 57,2 bilhões em 2008; as importações foram de
US$ 33 bilhões em 1994 para US$ 55,8 bilhões em 2000 e US$ 173,1 bilhões em 2008
(ver tabela).

4) A hipervalorização do real também
beneficia a alguns monopólios internos que se tornaram dependentes de
importações, mais ou menos como certos indivíduos se tornam dependentes de
algumas substâncias estranhas. Mas esses últimos não têm o BC para baratear o
preço da droga. No entanto, os monopólios internos se beneficiam de uma política
feita para as multinacionais, e não para eles.
5) Mas, como têm – ou obtêm no BNDES - reais
hipervalorizados, esses monopólios internos também são beneficiados na aquisição
de ativos em dólar - ou seja, na aquisição de empresas no exterior. Turbinado
pelo BNDES, o “investimento direto” no exterior passou de US$ 69,2 bilhões em
2004 para US$ 162,2 bilhões em 2008. O salto foi dado em 2006, quando o BC
acirrou a hipervalorização do real.
6) Portanto, a ideia das “multinacionais
brasileiras”, do ponto de vista prático, está se sustentando na hipervalorização
da moeda, que torna os ativos no exterior mais baratos para quem tem reais e os
converte em dólar. Em prejuízo de todo o conjunto da indústria nacional, a
hipervalorização está subsidiando a compra de empresas em outros países por um
reduzidíssimo grupo de monopólios, que sacam a maior parte dos reais fornecidos
pelo BNDES.
Prosseguiremos, depois, com o exame de alguns aspectos particulares
do quadro que descrevemos nas três partes deste artigo. Por enquanto, leitor,
entregamos a você estas mal traçadas - para a sua crítica, sugestões, e, se
possível, concordância. |