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Editorial
Como se o
crescimento zero da economia em 2009 não fosse o bastante, certos
gênios, desses que iluminam a Terra com a sua sapiência de 100 em 100
anos, decidiram juntar em um decreto que não tem qualquer efeito
prático, salvo o de ficar registrado como uma espécie de declaração de
intenções do governo, alguns temas no mínimo polêmicos como casamento
gay, aborto sem restrições e anulação da lei de anistia.
Quem não
os conhece pode pensar que a intenção era socorrer a mídia golpista,
neste início de ano eleitoral de 2010, fornecendo-lhe munição para
promover cizânia e tocar sua campanha pró-Serra.
Como o
objetivo não era esse, cabe registrar que em política não raro há
aliados que dispensam a existência de inimigos.
O
presidente Lula, que é um homem de bom senso, tem ciência plena deste
fato e sabe quanto lhe custou aquela história dos “aloprados” no
primeiro turno das eleições de 2006.
Não temos
dúvida de que ele vai arranjar uma boa solução para o problema.
No intuito
de colaborar, gostaríamos apenas de lembrar que querer punir mandantes
ou executores de torturas quarenta e tantos anos depois dos crimes
cometidos é uma posição indecente.
Primeiro,
porque depois de todo esse tempo eles estão completamente derrotados e
liquidados politicamente. Não oferecem mais nenhum perigo. Isso
equivaleria a sovar um adversário rendido.
Segundo,
porque quando a anistia foi conquistada eles tinham mais força do que
nós. Por isso ela foi recíproca. Este foi o acordo - um acordo favorável
a nós, diga-se de passagem. E acordos existem para serem honrados, até
porque quem não os honra nunca terá o respeito de ninguém.
E vamos
olhar para frente porque atrás vem gente.
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