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Exportações
brasileiras caem US$ 44,947 bilhões em 2009
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgou no dia 8
os resultados da balança comercial de 2009. O saldo foi mais ou menos o mesmo
que em 2008 - US$ 25,348 bilhões (2009) contra US$ 24,745 bilhões (2008).
No entanto, essa quase igualdade esconde mais do que revela alguma coisa.
As exportações caíram US$ 44 bilhões e 947 milhões (de US$ 197,942 bilhões em
2008 para US$ 152,995 bilhões em 2009). O saldo somente se manteve porque, com o
país aberto pelo BC para a crise norte-americana, as importações também caíram
(de US$ 173,197 bilhões para US$ 127,647 bilhões) – e porque um único país, a
China, importou US$ 20 bilhões, ou seja, 80% do saldo comercial.
Enquanto houve uma queda de mais de um quinto nas exportações, houve uma saída
para o exterior, até novembro (os resultados de dezembro ainda não foram
divulgados) de US$ 44 bilhões e 276 milhões. Como os números são parecidos,
repisemo-los: as exportações caíram US$ 44 bilhões e 947 milhões e as remessas
para o exterior, até novembro, atingiram US$ 44 bilhões e 276 milhões.
Quanto ao incensado “investimento direto estrangeiro” (IDE), ele não foi pequeno
(US$ 20 bilhões e 861 milhões), mas não chegou a metade das perdas por remessas.
Ao contrário do capital de papel, que, em sua pilhagem financeira, até novembro
atingiu US$ 42 bilhões e 341 milhões.
No entanto, o Banco Central projetou para este ano uma remessa de lucros de US$
30,2 bilhões (fora as de serviços, que incluem os juros) e um “déficit em
conta-corrente” de US$ 40 bilhões – ou seja, um endividamento do país em US$ 40
bilhões. Esse endividamento seria “coberto” por US$ 45 bilhões (também
projetados, isto é, desejados) de “investimento direto estrangeiro”. Em suma, o
sensacional plano do BC para passar o ano de 2010 é vender mais uma parte da
economia a monopolistas estrangeiros – e, depois, se não o dilúvio, sabe-se lá o
quê...
Porém, voltemos à balança comercial: no comércio com os EUA, evidenciou-se um
desastre. As importações dos EUA superaram as exportações do Brasil para lá em
US$ 4,44 bilhões. Houve uma queda de 42,4% nas exportações para os EUA,
principalmente nos produtos manufaturados.
Os EUA viraram uma balança comercial, cronicamente deficitária com o Brasil,
manipulando o dólar - como disse o ex-ministro Bresser Pereira, usando aquele
câmbio flutuante “que só se valoriza”. Ou, como disse o secretário de
Comércio Exterior do MDIC, Wagner Barral, por causa da “perda de
competitividade em preço dos produtos brasileiros devido à valorização do real
em relação ao dólar”.
Realmente, com esse câmbio, com o real sobrevalorizado devido às emissões de
dólar sem lastro dos EUA e à sua invasão – com a ajuda dos juros mais altos
daqui – na economia brasileira, não há produto industrial brasileiro que seja
“competitivo”. Eles sempre terão um preço mais alto do que os produtos
fabricados em dólar, ou seja, do que os produtos norte-americanos, não por causa
de alguma vantagem tecnológica destes, mas pela manipulação da moeda, do câmbio,
artificialmente encarecendo o real em relação ao dólar. Enquanto não nos
defendermos contra essa rapinagem, será assim.
O resultado é que o perfil das exportações também piorou, porque os produtos
industriais são os mais afetados por essa derrama dolarizada. Em 2008 já
havíamos tido uma queda na quantidade física das exportações de manufaturados
(-5%), nas de semimanufaturados (-0,9%) e um aumento insignificante no quantum
das exportações de produtos primários (0,2%). O que nos salvou foram os preços,
sobretudo dos produtos primários, que aumentaram 41,2% (“Relatório Anual do BC
2008”, págs. 105 a 107).
Como diz esse relatório: “O comportamento dos preços nos oito principais
setores de exportação revela a trajetória crescente dos [preços]
associados às principais commodities básicas. A elevação mais significativa
ocorreu no setor de extração de petróleo, 49,5%; seguindo-se minerais metálicos,
sobretudo ferro, 48,3%; agricultura e pecuária, com ênfase nos relativos a soja
e carnes, 37,3%; metalurgia básica, influenciada pela elevação na cotação do
minério de ferro, 28,3%; e produtos alimentícios e bebidas, 27,9%. A alta de
preços foi acompanhada, na maioria dos setores, por retração no quantum,
atingindo 7,8% em produtos químicos; 6,2% em metalurgia básica; e 4,6% em
veículos automotores, reboques e chassis. Em sentido inverso, as quantidades
exportadas de minerais metálicos e petróleo registraram aumentos anuais
respectivos de 5,1% e 2,8%” (“Relatório, etc.”, pág. 106, grifo nosso).
Agora, em 2009, segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do
Brasil (AEB), José Augusto de Castro, “85% das exportações brasileiras são
quase totalmente commodities”.
CARLOS LOPES
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