|
BNDES vende ações para Eike pela metade do preço
Ostentando a condição de homem mais rico do Brasil, com
uma fortuna de US$ 7,5 bilhões, Eike Batista tem procurado vender a imagem
de grande empreendedor. Mas é também um sujeito de sorte, o que explica um
ganho de R$ 67 milhões através da compra de ações da LLX Logística, de sua
propriedade, que estavam em mãos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), por preço abaixo da média de 60 pregões
anteriores a 28 de agosto de 2009, quando ocorreu a transação.
Nessa data, o BNDES vendeu a Eike 41,6 milhões de 83 milhões de ações da LLX
que havia adquirido em março – o banco vendeu ainda 10 milhões de ações, por
R$ 24 milhões, a um fundo do Canadá. Naquele momento, a ação da LLX valia
cerca de R$ 4,44, considerando a média de 60 pregões anteriores, mas o banco
vendeu as ações a Eike por cerca de R$ 2,30 a unidade. Isto é, o
empreendedor pagou ao BNDES cerca de R$ 72 milhões por ações que valiam R$
139 milhões, o que lhe rendeu R$ 67 milhões. Dois dias depois, no pregão do
dia 30 de agosto, as ações da LLX foram vendidas a R$ 10,11.
Para o BNDES, a rentabilidade obtida com o negócio foi “muito boa”. Eike
deve ter achado excelente aumentar, à custa dos cofres públicos, mais um
degrauzinho na escala dos mais endinheirados.
Em se tratando de financiamento a Eike Batista, o BNDES tem se revelado
bastante benevolente. A mesma LLX que já tinha obtido os R$ 150 milhões em
março com venda de ações ao banco, conquistou no final de 2009 a liberação
de mais R$ 407,7 milhões. Já a MPX, que atua no setor de energia, teve
aprovado financiamento de R$ 1,038 bilhão.
Muito sugestivo e apropriado o nome de uma operação da PF para investigar
Eike Batista: “Toque de Midas”, que inclui concessão para exploração
mineral, fraude em processo de licitação de concessão de Estrada de Ferro,
entre outros empreendedorismos.
|