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Lobistas querem empurrar para a FAB caça feito com peças dos EUA e que ainda
está em desenvolvimento
A compra de 36 caças supersônicos para a Força Aérea Brasileira (FAB), que têm
como concorrentes para o fornecimento aeronaves de fabricação francesa (o Rafale
F3, da Dassault), sueca (Gripen NG, da Saab) e norte-americana (o F/A-18E, da
americana Boeing), virou polêmica. Lobistas entraram em cena e estão atribuindo
à Aeronáutica a preferência pelo Gripen. A compra dos caças está estimada em até
R$ 10 bilhões.
Os lobistas alegam que o caça sueco é mais
barato e omitem os problemas, como o fato de que o Gripen ainda não foi testado:
o avião da Saab está em fase de projeto e ainda não voou, segundo especialistas.
Porém existe um problema ainda maior. Parte substancial dos equipamentos
utilizados no Gripen é de fabricação norte-americana, o que deixaria o Brasil
dependente da autorização dos EUA sobre transferência de tecnologia. Isso é uma
das exigências do programa de modernização da FAB.
A lei americana também prevê embargos ao
fornecimento de equipamentos fabricados no país, caso sua utilização entre em
conflito com a política externa da Casa Branca, a exemplo das pressões contra a
venda de aviões da Embraer para a Venezuela.
Enquanto os outros jatos já operam há anos, no
caso do Gripen não existe sequer a garantia de encomendas feitas pelo próprio
governo da Suécia. A questão do preço também é contestável, uma vez que o valor
do jato de fabricação sueca – que custaria a metade do avião francês – refere-se
apenas ao preço do avião, que no caso dos concorrentes também inclui as armas
embarcadas além da aeronave.
A decisão final, entretanto, será do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, já que se trata de um assunto de segurança nacional.
Na semana passada, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) declarou que a
escolha “não se trata de uma decisão puramente militar”. “A decisão final é
sempre política, pois é tomada por órgãos políticos”, disse.
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