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Decisão de juíza ajuda Dantas e suspende ação por espionagem
A
juíza da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Adriana Freisleben de Zanetti,
acolheu a reivindicação de Daniel Dantas e suspendeu a ação contra ele e mais 15
réus na acusação de ter contratado a empresa americana Kroll Associates para
espionar autoridades do governo e executivos da Telecom Itália (TI), com os
quais mantinha disputas acionárias. A decisão foi tomada em 3 de dezembro
passado, mas não foi divulgada pela Justiça Federal.
Segundo a defesa de Dantas, o processo só pode
seguir adiante com a anexação de documentos de um processo que corre na Itália
em que a TI é investigada. Em sua manobra protelatória, Dantas pegou carona na
investigação contra a Telecom Itália e alegou que essa documentação é chave para
sua defesa, embora tal investigação refere-se a um processo dos desmandos da TI
naquele país e não às disputas com Daniel Dantas.
Em 2004, a Operação Chacal, da Polícia Federal,
desbaratou o esquema de espionagem do dono do Opportunity contra autoridades do
governo, como o ex-presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, e o ministro
Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). E contra a Telecom Itália que era sócia
de Dantas na Brasil Telecom (BrT). DD queria espionar o governo por considerar
que ele atrapalhava seus negócios.
Em depoimento na CPI dos grampos, em agosto de
2008, o delegado da Polícia Federal, Élzio Vicente da Silva, confirmou a
espionagem e informou que os agentes da PF fizeram buscas na sede do Grupo
Opportunity, no Rio de Janeiro, na casa de Daniel Dantas, e em Brasília, na casa
de Carla Cico, presidente da Brasil Telecom (BrT). Foi Carla, a mando de DD,
quem contratou a Kroll para espionar a Telecom Itália, durante a disputa que
travava com a empresa para controlar a BrT. Além da Kroll, Dantas contratou,
segundo as investigações, ainda outras empresas para realizar os mesmos
serviços.
Com essa nova decisão, o processo contra Dantas
pode demorar mais alguns anos. Ele já tinha sido beneficiado no dia 17 de
dezembro por uma decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
Arnaldo Esteves Lima, que suspendeu todos os processos derivados da Operação
Satiagraha, que tramitam na 6ª Vara Federal Criminal. Também no final do ano o
ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, ordenou o recolhimento das
provas da Satiagraha, que foram de São Paulo para Brasília, levadas de caminhão.
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