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Chuva dura 45
minutos e deixa capital de São Paulo inteira em estado de atenção
Na
última segunda-feira (11), toda a cidade de São Paulo ficou em alerta. As chuvas
de verão que costumam acometer a região representam este ano perigo de vida para
os moradores bairros próximos aos rios. O assoreamento dos rios, somado ao
entupimento dos bueiros, represa as águas na área urbana e transforma bairros
inteiros em esgotos a céu aberto.
Durante duas horas desta segunda-feira, das 18h45 às 20h45, o Centro de
Gerenciamento de Emergências manteve a capital paulista em estado de atenção. 37
pontos de alagamento para uma chuva que durou 45 minutos. Às 23h45 ainda haviam
seis pontos submersos na cidade.
O paulistano já não sai de casa, ou do trabalho, ou de onde estiver, se começar
a chover. Se o céu escurece, fecha a loja mais cedo. Cada chuva traz uma
enchente e faz um estrago ainda maior do que a anterior.
À 30 quilômetros do Centro de São Paulo, no extremo da zona leste, os moradores
do Jardim Santo André protestaram no último domingo (10). De acordo com os
manifestantes, a obra do Dersa na avenida Jacú-Pêssego deixa muita terra
recém-mexida dos dois lados da avenida Sapopemba, que cruza o bairro.
“A erosão da chuva jogou toneladas de terra e entulhos no rio Mombaça, que
margeia a avenida Sapopemba. Interrompeu o rio. Criou uma represa onde antes era
a várzea. Encheu tudo”, disse o geógrafo Cícero Antonio Teixeira Filho, morador
do bairro.
Leonardo Matias escapou por pouco de morrer na enchente que atingiu sua casa
quando as águas subiram três metros.
“Vivo aqui há 24 anos. Nunca houve uma inundação dessa”, afirmou Jucinéia
Novaes, a dona de casa e mãe de três crianças. Ela perdeu geladeira, fogão,
mantimentos, cama, berço do bebê que está esperando e toda a cozinha planejada
que comprou há um ano e ainda não quitou. “Só consegui recolher meus filhos e
subir correndo para o cômodo de cima”.
Um levantamento feito com os dados do CGE, publicado pela Agência Estado, mostra
que foram 1.422 ocorrências de alagamento em 2009, 62% a mais do que no ano
anterior. Questionado sobre o motivo do aumento, o secretário adjunto da
Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), Marcos Rodrigues Penido,
respondeu que, em 23 dos 30 pontos onde os registros de alagamentos são mais
frequentes, a causa está relacionada à falta de infraestrutura adequada para
conter as águas das diferentes bacias hidrográficas de afluentes do Rio Tietê
que agem nessas regiões. |