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85 mil perdem o emprego
em dezembro nos Estados Unidos
O desemprego cheio
nos EUA alcançou 17,3%: 15,3 milhões de desempregados “oficiais”; 9,2
milhões em biscate; mais 2,5 milhões “marginalmente ligados à força de
trabalho” e finalmente, pouco mais de meio milhão de chamados “desistentes”
O número de desempregados nos EUA aumentou 85.000 em dezembro último, de
acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho no dia 8 de
janeiro. Ocorreram 53.000 demissões líquidas na construção. Na indústria,
foram 27.000. Em pleno Natal, houve 18.000 demissões no comércio, a maioria
nas grandes redes atacadistas. Também o setor público – considerando governo
federal, estados e condados -, demitiu mais que contratou.
Segundo o “New York Times”, as previsões eram de um desemprego oito vezes
menor, ainda mais após a revisão dos dados de novembro, que transformou
menos 11.000 postos de trabalho em 4.000 admissões. Em dezembro, mais
contratações que demissões apenas nos serviços de saúde (10.000) e serviços
temporários, (47.000). Ainda de acordo com o jornal, as 85.000 demissões
“obscureceram” a perspectiva da retomada da economia.
O sumário do Departamento do Trabalho traça um quadro da amplitude da crise:
o emprego na indústria despencou em 2,1 milhões, sendo que três-quartos da
queda ocorreu no setor de bens duráveis. Na construção, foram 1,6 milhão de
postos de trabalho destruídos. 40% do total de desempregados já são
considerados de longa duração – estão há mais de seis meses em busca de
trabalho.
Como de costume, a estatística mostra apenas parte do desastre. Conforme
notou o ex-secretário do Trabalho do governo Clinton, Robert Reich, “661.000
pessoas deixaram a força de trabalho no mês passado, por não terem esperança
de achar um emprego”.
Como os 661.000 “deixaram a força de trabalho”, possivelmente por não
precisarem de alimento, remédio e teto, ou sem família para cuidar, o
serviço de estatística norte-americano não precisou registrar mais 784.000
sem-emprego e se contentou com os modestos 85.000 ‘desempregados’. Uma
beleza. A propósito, o sumário prefere comemorar a mudança de ritmo nas
demissões de um semestre para outro.
Mas, deixando de lado as prestidigitações, de acordo com o quadro U-6 da
tabela de “Subutilização do Trabalho”, que soma desempregados oficiais, mais
biscateiros (“tempo parcial”), mais trabalhadores “marginalmente ligados à
força de trabalho”, mais os “desistentes”, o total dos sem-emprego nos EUA
já chega a 17,3%, o que corresponde a mais de 27 milhões. Respectivamente:
15,3 milhões de desempregados “oficiais”; 9,2 milhões em tempo parcial
“involuntário”; mais 2,5 milhões “marginalmente ligados à força de trabalho”
e finalmente, pouco mais de meio milhão de “desistentes”.
JOVENS
Como assinalou Reich, tais números não incluem “os que nunca entraram”: os
jovens que, em uma população crescente, chegam todos os anos em massa ao
mercado de trabalho dos EUA. Desde o início da recessão em dezembro de 2007,
o total deles é estimado em 2,5 milhões. Nas contas do economista, seria
necessário criar 400.000 empregos todo mês, mas “não há como atingir isso
por anos”. “Mesmo no pico da geração de empregos na década de 90, o máximo
que conseguimos foi 280.000 por mês. No auge da última recuperação após
2005, não fomos além de 220.000 empregos por mês”.
ANTONIO PIMENTA
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