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IBGE revela
redução de 2,7% na folha de pagamento da indústria
Corte na folha
ocorreu em 14 dos 18 setores pesquisados pelo IBGE, com destaque para os
produtos de metal (-13,1%), metalurgia básica
(-9,8%), químicos (-6,9%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de
comunicações (-5,6%)
A pesquisa de emprego e salário da indústria divulgada na terça-feira (12) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) registra resultados
negativos na folha de pagamento real (montante das remunerações, incluídos os
encargos sociais) em novembro de 2009, em todos os indicadores conjunturais. Em
relação ao mês anterior, ajustado sazonalmente, houve um recuo de 0,8%. Na
comparação com novembro de 2008, a diminuição foi de 2,7%. No acumulado de
janeiro a novembro de 2009, ante o mesmo período do ano anterior, queda de 2,7%.
E no acumulado de 12 meses, encerrado em novembro, ante o mesmo período de 2008,
a folha de pagamento real decresceu em 2,0%.
De acordo com os números do IBGE, na comparação novembro de 2009 com novembro de
2008, o valor da folha de pagamento real despencou em 14 dos 18 setores
pesquisados, sobressaindo-se produtos de metal (-13,1%), metalurgia básica
(-9,8%), produtos químicos (-6,9%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de
comunicações (-5,6%).
Segundo o economista do IBGE responsável pela pesquisa, André Macedo, “nos
últimos meses se consolidou uma trajetória ascendente do emprego no setor”.
Partindo do pressuposto da veracidade desta assertiva, como explicar, então, o
recuo acentuado no pagamento de salários?
Ressaltamos que a comemorada alta de 1,1% do nível de emprego em novembro de
2009, em relação ao mês anterior, foi acompanhada com o aumento de 0,9% nas
horas trabalhadas. Enquanto isso, a folha de pagamento real caiu 0,8%, no
período.
A partir de novembro de 2008, com a crise oriunda nos EUA já espalhada pelo
mundo, a empresas no Brasil – com as montadoras e a Vale do Rio Doce à frente –
iniciaram uma onda de demissão em massa, chegando a que em dezembro daquele ano
a economia brasileira tenha perdido 654.946 postos de trabalho formal, segundo
dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Só nos Estado de
São Paulo, entre novembro de 2008 e julho de 2009, foram demitidos 107.374
metalúrgicos. Essas demissões – ou enxugamento do número de funcionários, como
costumam dizer os executivos das grandes empresas -, como não poderia deixar de
ser, implicaram na diminuição de recursos destinados a salários por parte das
empresas. Foi a criminosa contrapartida aos R$ 8 bilhões em linha de crédito do
Banco do Brasil e da Nossa Caixa (SP) às montadoras e aos recursos injetados
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nessas
multinacionais: R$ 319,3 milhões para Renault (novembro/08), R$ 410,9 milhões
para a Fiat (dezembro/08) e R$ 194 milhões para a GM (maio/09). Além disso, a
partir de 11 de dezembro de 2008, foram contempladas com redução ou isenção no
pagamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foi prorrogada
em 30 de março e 30 de junho de 2009.
Após as empresas “enxugarem” o número de empregados e a desaceleração econômica
apresentar um certo arrefecimento, as contratações foram retomadas mas com
salários mais baixos, ao mesmo tempo em que o número de horas-extras foi
aumentado para tentar retomar o mesmo ritmo de produção anterior à crise. Ou
seja, a “saída” para a retomada da produção foi a de aumentar a sobrecarga de
trabalho. Em outras palavras, aumentando a exploração sobre os trabalhadores.
A situação só não está pior porque foi barrado o princípio geral de redução
salarial pretendido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
e os monopólios externos e internos, como a Vale.
VALDO ALBUQUERQUE
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