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Ildo Sauer,
ex-diretor de Gás & Energia da Petrobrás
“Pré-sal precisa garantir a produção nacional de equipamentos e serviços”
O professor da Universidade de São Paulo e ex-diretor de Gás
& Energia da Petrobrás, Ildo Sauer, observou que a colocação da estatal como
a única operadora na exploração do petróleo descoberto nas jazidas da camada
pré-sal é “muito positivo”. “Com isso, ela pode manter sob controle público
o processo das compras de equipamentos, materiais e serviços do setor”,
afirmou.
Ildo Sauer defendeu que o país também precisa adotar uma política
clara nessa direção, advertindo que a “legislação atual não estabelece uma
distinção entre empresa nacional e empresa estrangeira”. “É considerada
nacional toda empresa estabelecida no país, não importa qual seja a origem
do capital que a controle”, assinalou.
O professor alertou que a perspectiva de uma ampliação da participação das
empresas estrangeiras e de empresas privadas, supostamente nacionais, mas
associadas intimamente ao capital estrangeiro no setor petrolífero pode ter
como consequência a elevação da sangria de recursos do país por meio da
remessa de lucros para o exterior.
“A esse respeito, inclusive, não se pode deixar de destacar os 11 blocos
arrematados em novembro de 2007 pela OGX na área do pré-sal, na Nona Rodada
de Licitações. A empresa é de propriedade de um empresário brasileiro que
mais pode ser caracterizado como um broker. Ele não se dedica basicamente à
produção, mas à compra e venda. Recentemente, vendeu para a Anglo American,
por 5,5 bilhões de dólares, explorações de minério de ferro que tinha em
regiões de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá”, lembrou.
Em artigo publicado na revista “Retrato do Brasil”, na edição
de dezembro de 2009, Ildo Sauer ressaltou que o “aumento do controle da
economia do país pela elevação do estoque de capital estrangeiro instalado
aqui” já vem produzindo um fenômeno igual ao da chamada doença holandesa do
petróleo: “Uma valorização da moeda nacional pela entrada desses capitais
que dificulta as exportações, facilita as importações e prejudica a
indústria nacional”.
Para Sauer, “a questão da apropriação da renda do petróleo da
camada pré-sal precisa ser vista de um ângulo efetivamente nacional, o que
implica levar em conta os interesses populares. São esses interesses que
fazem que seja necessário produzir no País cada vez mais equipamentos e
serviços sofisticados, que gerem empregos com salários tão bons ou melhores
que os da Petrobrás, expressos nos 15 bilhões de reais pagos pela empresa no
ano passado a seus funcionários”.
Ele avaliou ainda que a posição que mais atende aos
interesses do povo brasileiro, nas condições atuais, “é suspender qualquer
nova licitação de blocos”. “Deve-se fazer uma avaliação mais precisa do
petróleo ainda não leiloado. A contratação da Petrobrás para concluir o
processo exploratório, isto é, para conhecer as acumulações, seus limites,
desenvolver um plano de avaliação e de desenvolvimento da produção, é
essencial. Só assim teremos como planejar a produção”, defendeu.
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