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Requião: “0 Brasil não pode ficar refém de quem mais errou: o Banco Central”
Avaliando a condução da política monetária, o governador
do Paraná, Roberto Requião, afirmou que “o Brasil não pode continuar refém
de quem mais errou: o Banco Central”. Mesmo no auge da crise, acrescentou
Requião, o BC manteve o Brasil com uma das maiores taxas de juros do mundo,
dando preferência ao rentismo em detrimento da produção.
De acordo com o governador, a redução do custo de crédito
no Brasil é essencial. “Só as grandes empresas, bem relacionadas com Estado
brasileiro, conseguem linhas de créditos satisfatórias. Enquanto isso, a
parte mais importante da economia brasileira, onde está a parte avassaladora
dos empregos e onde gera a maior parte do produto, as pequenas e médias
empresas, estão carentes de tudo, de acesso ao crédito, à tecnologia, ao
conhecimento”, frisou.
“Temos uma taxa de juros que continua asfixiando a
produção e a abertura de novos postos de trabalho”, disse Requião. “Taxa
alta, gastos de mais com juros, e menor investimento em escolas, hospitais,
habitação, segurança e infra-estrutura”. “Não podemos ficar reféns de 20 mil
especuladores que não estão dispostos a construir fábricas e gerar empregos,
mas interessados em realizar ganhos rápidos, donos de um capital tão volátil
quanto éter, capaz de ir embora com a mesma velocidade com que entra num
mero clique da internet”, observou o governador.
Segundo Requião, “com um Banco Central vinculado aos
interesses nacionais, ninguém segura o Brasil”.
Sobre as especulações a respeito do nome do presidente do
BC, Henrique Meirelles, para compor a chapa presidencial da ministra Dilma
Rousseff (PT), Requião enfatizou que “ele seria um bom vice para presidente
do Banco Itaú”, completando: “Não conheço o Meirelles, nunca falei com ele.
A minha crítica e à política econômica do BC, que é a mesma de Meirelles e
de todos os outros que defenderam desde o Collor, o neoliberalismo que não
se incomoda com o povo brasileiro, não tem sensibilidade social e faz o
negócio do capital”, sublinhou. “Foi este tipo de política que quebrou os
EUA e criou a crise que nós estamos vivendo”.
TRAVA
Ele considerou que “inegavelmente, o presidente Lula tirou milhões de
brasileiros da miséria. Abriu as portas das universidades e das escolas
técnicas a outros milhões. E iniciou a construção de uma infraestrutura
indispensável para que o Brasil dê um salto de progresso e de
desenvolvimento”. Então, “onde é que essa possibilidade de desenvolvimento
está travada? Sem sombra de dúvida, ela está travada numa visão neoliberal e
na escravização da política econômica do Brasil ao mercado: o tal Banco
Central independente”.
Para Requião, “aí é que a coisa pega. Há uma contradição importantíssima
hoje entre o mercado e a Nação. O mercado que funciona apenas e tão somente
movido pela ganância, pelo desejo de lucro imediato. O mercado que mobiliza
bilhões, trilhões de dólares de moedas importantes com a velocidade da
moderna internet. E no seu desejo desesperado de lucro, leva empresas e
nações inteiras ao desemprego e ao desespero”.
“O mercado só tem o compromisso com o lucro e com a ganância e é
administrado pelos bancos centrais independentes ou autônomos. A Nação tem o
compromisso com as pessoas, com a aventura de vida de uma sociedade inteira,
com a aventura de vida das famílias e das pessoas. A Nação tem o compromisso
com o amor e com a solidariedade. O mercado só com o lucro”, finalizou o
governador.
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