Brasil doa US$ 15 milhões e 28 toneladas de alimentos ao Haiti
Presidente
Lula determinou todos os esforços para ajudar o povo haitiano vítima do
terremoto
O
governo brasileiro anunciou uma doação de US$ 15 milhões para colaborar na
ajuda humanitária à população do Haiti, país devastado pelo maior terremoto
já ocorrido ali nos últimos 200 anos. A informação foi dada na quarta-feira
(13) em solenidade realizada em Brasília. O presidente Lula informou também
que está estimulando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a
intensificar a ajuda e participar conjuntamente com o Brasil na
solidariedade ao país centro-americano.
O presidente do Haiti, René Préval, estimou que
mais de 50 mil pessoas podem ter morrido na tragédia, entre elas 12
brasileiros.
O governo brasileiro enviou na quarta-feira para
a capital haitiana, Porto Príncipe, um avião - um Hércules C-130 - com 14
toneladas contendo açúcar cristal, embutidos, sardinha e água. Uma segunda
aeronave partirá em seguida com mais 14 toneladas de alimentos, remédios e
água. A Força Aérea Brasileira (FAB) comunicou que disponibilizou 8 aviões e
que o envio de água e alimentos às vítimas da tragédia terá prioridade. O
Ministério da Saúde está embalando o primeiro lote de 10 mil kits contendo
48 medicamentos para situações de emergência para ser enviado ao país
caribenho.
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, relatou que o presidente Lula “determinou que fossem feitos todos os
esforços para ajudar”, após reunião que teve ainda a participação de outros
ministros, entre os quais Dilma Roussef (Casa Civil) e Nelson Jobim
(Defesa).
O presidente Lula decretou luto oficial de três
dias e pediu um minuto de silêncio, durante cerimônia em Brasília, em
homenagem às vítimas do desastre. Ele ressaltou em entrevista, após o
evento, que tudo deve ser feito para ajudar o Haiti. “Vamos fazer o que
estiver ao nosso alcance para ajudar. O país não tem recebido recursos com a
rapidez que deveria. Temos que colocar como prioridade a ajuda ao Haiti”,
disse Lula, ressaltando que espera compreensão do povo brasileiro pela
decisão de doar US$ 15 milhões à nação assolada pelo terremoto de 7 graus na
escala Richter. “Acho que haverá compreensão do povo brasileiro e do
Congresso Nacional que nessas horas precisamos colocar a mão no bolso para
ajudar. Vamos dar ajuda exatamente naquilo que eles estão precisando”,
afirmou.
“O grande problema é para a coordenação desta
ajuda”, explicou o chanceler Celso Amorim. “O aeroporto de Porto Príncipe
sempre foi precário. Há uma precariedade básica que agora está evidentemente
agravada”, disse o ministro. “Mas não há impedimento para que a ajuda
humanitária possa chegar lá”, completou. A Força Aérea Brasileira (FAB) já
enviou 13 toneladas de suprimentos às vítimas do terremoto. A Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) também colocou à disposição 14 toneladas
de alimentos (açúcar, leite em pó, sardinha e fiambre) para o Haiti.
De acordo com o general Carlos Alberto Neiva
Barcellos, chefe do setor de Comunicação Social do Exército, logo após a
tragédia a população haitiana acorreu em direção à principal base brasileira
no Haiti em busca de ajuda humanitária. O Brasil, que lidera as tropas de
paz da ONU no Haiti, participa da Minustah - como é chamada a missão de paz
- com 1.266 militares. O contingente total da missão das Nações Unidas é de
9.065 pessoas, sendo 7.031 militares, segundo dados de novembro.
O cabo do Exército Francisco Socorro de Lima
Feitosa telefonou na quarta-feira para sua mulher, Jurascenir Modesto, e
informou que os militares da missão no Haiti estão trabalhando intensamente
no socorro das vítimas. Ainda de acordo com o relato do militar, um dos
acampamentos onde os militares brasileiros vivem foi totalmente destruído.
“Mas nenhum deles do Acre foi atingido”, disse Feitosa.
Entre os onze militares brasileiros mortos está
o soldado Tiago Anaya Detimermani, de Cachoeira Paulista. Ainda abalado pela
perda do filho, o motorista Wagner Carlos Detimermani, 49 anos, disse que
seu filho honrou a farda. “A lembrança que vou guardar era do meu filho
sempre sorrindo. Ele era bastante feliz. Quando se entra no Exército, é
preciso honrar a farda. E ele fez isso”, afirmou Wagner.
Segundo o general Carlos Alberto Neiva
Barcellos, um dos maiores obstáculos agora é o excesso de escombros pelas
ruas de Porto Príncipe, que estão inviabilizando o deslocamento de veículos.
Ele reafirmou que a população civil haitiana tem se deslocado “em massa”
para o Comando do Batalhão brasileiro. Segundo ele, essas pessoas estão
procurando socorro e auxílio no resgate dos feridos e estão sendo atendidos
pelos militares.
A ajuda financeira anunciada pelo governo
brasileiro para as vítimas do terremoto é a maior ajuda que o Brasil já
enviou a outro país nos últimos anos e virá do orçamento do próprio
Itamaraty. A Palestina foi o país que anteriormente tinha recebido o valor
mais alto do governo brasileiro: US$ 10 milhões.
Em telefonema ao presidente dos EUA, Lula disse
que insistiu muito junto a Barack Obama para que os dois líderes coordenem
uma reunião de todos os países que estão fazendo doações ao Haiti. Segundo
Lula, isso pode tornar essas ações mais eficazes. Ele disse que enviou o
ministro Nelson Jobim para o Haiti para verificar a situação do país e tomar
todas as providências que forem necessárias.
O comandante do Exército brasileiro, Enzo Peri,
que já está no Haiti, confirmou a morte de 11 militares e disse que oito
estão desaparecidos – três deles estariam sob escombros no forte 22, local
que ficou totalmente destruído - e nove feridos. Para ajudar os militares
que integram a missão de paz nos trabalhos de resgate as vítimas e na
reconstrução das regiões mais afetadas, o Centro de Comunicação Social do
Exército informou que, além da ajuda material, o país enviará mais soldados
nos próximos dias a Porto Príncipe.
ANDRÉ AUGUSTO/SÉRGIO CRUZ