Militares
brasileiros se empenham na ajuda às vítimas
O
chefe de comunicação social do Batalhão brasileiro da Força de Paz da ONU no
Haiti, coronel Alan Sampaio Santos, relatou a gravidade da situação no país
após o terremoto e como os soldados brasileiros estão trabalhando dia e
noite para ajudar as vítimas. Ele informou que foram enviados “vários
comboios para os locais de desmoronamento”. “Atendemos muitos feridos”,
disse o coronel, destacando que equipes de engenharia continuam realizando
os trabalhos de buscas.
O coronel
descreveu que em pouco tempo o terremoto destruiu a sede da missão das
Nações Unidas no país, o palácio presidencial e diversas edificações na
capital. “Existem militares e civis nos escombros, particularmente nos
prédios da missão (da ONU). Não temos o número de baixas”, afirmou Sampaio
em entrevista por telefone para a rádio Jovem Pan e para a Agência Estado.
O tenente
da Polícia Militar de Pernambuco, Ricardo Couto, contou pela internet o
drama vivido nas últimas horas para salvar as vítimas tanto civis como
militares. “Vi cenas que só vejo em filmes: crianças mortas nos braços de
mães e pais que pediam ajuda quando viam nosso veículo, gente morta no meio
da rua, casas completamente destruídas, lacerações gravíssimas, idosos
necessitando de atenção médica urgente”, relatou.
Liderando
um comboio que se dirigiu para a sede da Minustah (sigla da missão
estabilizadora da ONU no Haiti), no hotel Cristopher, o tenente revelou como
resgatou um oficial do exército brasileiro entre os escombros, contando com
a ajuda de outro oficial e um contingente de soldados bolivianos. “Depois de
quatro horas e meia de muito trabalho em conjunto, conseguimos tirar o
oficial do exército são e salvo de lá - tinha apenas escoriações na perna.
Ele nasceu de novo naquele dia”.
“A
sensação de salvar uma pessoa nessa situação já é muito boa, mas imaginem
quando essa pessoa se trata de um amigo e companheiro de farda em missão de
paz? Nós nos abraçamos e choramos muito de alegria juntamente com todo o
contingente boliviano. Foi realmente emocionante”. “Quando voltava para a
base estava amanhecendo. Foi aí que vi realmente o que o terremoto tinha
feito com o país. Foi simplesmente devastador. Não tenho palavras para
descrever o que mais esse povo aguenta sofrer além de miséria, fome,
violência”, afirmou o tenente.
O
fuzileiro naval, Everton Hayashida Noguera Robles, de 22 anos, de Mogi das
Cruzes (SP), participou seis meses da missão de paz em 2008. “A primeira
coisa que fiz foi ligar para o batalhão do Rio de Janeiro” para saber
notícias dos seus companheiros do 2º Batalhão da Marinha que estão lá.
Conseguiu contato com um deles através da internet. “Pouco tempo depois,
consegui falar com um dos meus amigos, que me tranquilizou informando que
todos os fuzileiros estão bem”. Segundo o amigo de Robles que está no Haiti,
todos estão trabalhando para tentar socorrer as pessoas.
“Eu não
me arrependo de ter feito parte desta missão e acredito que nenhum dos que
estão lá agora se arrependem”, disse o fuzileiro. “Apesar de a vida ser
difícil, eu evolui muito e aprendi que temos de dar valor a tudo o que
temos. Pensar mais no próximo e não esquecer que existe muita tristeza e
miséria espalhadas por todo o mundo é o dever de todo cidadão. Existe coisa
muito pior que certamente a maioria das pessoas desconhece”, acrescentou
Robles, em entrevista para o jornal “Moginews”.
O Brasil
tem no momento 1.266 militares na missão da ONU, entre os quais 250 são da
engenharia do Exército Brasileiro. Em nota, o Ministério da Defesa destacou
que os soldados brasileiros que estão no Haiti estão empenhados em socorrer
as vítimas do tremor. “Os militares já tiveram participação relevante no
socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti”,
diz o documento.
Duas
horas após o terremoto, os militares brasileiros realizaram o parto de uma
haitiana que deu a luz a uma menina. O parto foi feito no hospital
improvisado por militares brasileiros para atender pessoas que procuraram a
Base Charles, onde fica o maior número de militares brasileiros no Haiti.
Segundo o capitão médico Fabrício Almeida de Moura, a criança está bem, mas
a mãe corre risco de morrer devido a uma hemorragia.