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Cristina condena “inimigos do povo” incrustados
no BC e no Judiciário
“Esses que dizem que são contra meu governo não são inimigos meus, são
inimigos do país, de um projeto de desenvolvimento soberano que deixe para
trás a especulação, a ganância de uns poucos. Não vamos recuar porque já
sofremos demasiado, porque os que sofreram não aparecem na TV. Em nome de
todos eles lhes asseguro que esta presidente vai continuar adiante com este
modelo”, afirmou Cristina Kirchner, num ato na Casa de Governo, onde
anunciou um convenio com industriais de alimentação para a compra de trigo a
taxas subsidiadas, no dia 13.
“Devemos saber que as coisas que nos ocorreram passaram não porque tivemos
abutres [são assim chamados os fundos que representam os especuladores que
se recusaram a fazer um acordo no governo de Nestor Kirchner] lá de fora,
mas porque temos tido abutres aqui dentro, que permitiram que nos
devastassem e espoliaram”, enfatizou a presidente.
Cristina condenou o embargo que o juiz de Nova Iorque Thomas Griesa interpôs
sobre uma conta do Banco Central argentino nos EUA.
O ministro da Economia, Amado Boudou, assinalou que “foi um embargo de US$
1,7 milhão de uma conta do BC”. O ministro denunciou que a decisão de Griesa
está ligada a política interna argentina. “Parece que os fundos abutres têm
escritório em Buenos Aires”, disse.
Em dezembro, a presidente anunciou a criação do Fundo Bicentenário, que
funcionará com US$ 6,5 bilhões das reservas do Banco Central para pagamento
da dívida pública do país. As reservas totalizam hoje 48 bilhões de dólares.
O ex-presidente do BC, Martin Redrado se recusou a cumprir a decisão do
Executivo.
Cristina lembrou que, na época da ditadura, e depois, durante o governo de
Carlos Menem e De La Rua, os governos se “prostituíram” para pagar suas
dívidas e sua decisão é livrar o país deste passivo. “O que convém aos
fundos abutres é que a troca de papeis da dívida seja realizada com taxas de
juros abusivas”, afirmou Cristina.
A presidente perguntou “como se explica que um ex-presidente do Banco
Central seja transformado em invasor. Ele foi colocado pela presidente e
esta presidente tomou a decisão de demiti-lo por um Decreto de Necessidade e
Urgência porque o Congresso não tinha formado as comissões correspondentes
para tratar do assunto, e ele se grudou na cadeira para continuar fazendo a
política de atravancar o desenvolvimento”, disse Cristina.
Cristina criticou também a juíza María Sarmiento, que na semana passada
determinou que Redrado continue no cargo e as reservas não sejam tocadas até
novo parecer judicial. “Uma juíza delivery que atende rapidamente às
apelações da oposição”, afirmou a presidente. |