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Venezuela inicia plano de racionamento após
queda na produção de energia devido à seca
O governo da
Venezuela iniciou na última terça-feira um plano de racionamento de
eletricidade em todo o país, informou na noite do dia 11, o ministro de
Energia Elétrica, Ángel Rodríguez. “São mecanismos que estamos utilizando
para que o país funcione nestes cinco meses de estiagem, produto do fenômeno
El Nino, neste verão que é o pior dos últimos 50 anos. Não vão dirigidos a
um setor em particular, mas a todo o país, deixando de fora, claro, o setor
de saúde, a educação e os outros setores e serviços de caráter essencial”,
indicou.
O presidente
Hugo Chávez registrou que “a média do crescimento econômico da Venezuela
durante os 19 trimestres consecutivos concluídos em setembro de 2008 está
acima dos 10%. Trabalhamos para que o crescimento não se limite ao
crescimento do petróleo. Avançamos no crescimento da economia real. Estamos
empenhados em dar uma economia produtiva geradora de empregos dignos e de
trabalho produtivo”, afirmou o presidente.
Depois de 23
trimestres consecutivos de aumento, com um segundo trimestre de 2009, no
bojo da crise, , em que o PIB reduziu (-2,4%), o país concluiu o ano com 0%
(sem redução nem aumento no PIB).
O mercado
interno venezuelano, ampliado pela diminuição crescente do desemprego e pelo
aumento dos salários dos trabalhadores – o mínimo se situa nos 375 dólares,
um dos maiores da América Latina –, ampliou o uso de energia elétrica,
aproximando a demanda do limite da capacidade produtiva de energia do país.
O plano de
economia de eletricidade em toda a Zona Metropolitana de Caracas foi o mais
detalhado e foi anunciado por Javier Alvarado, presidente da empresa
Eletricidade de Caracas. “Temos a certeza de que a população vai nos apoiar,
porque é um trabalho de todos economizar e usar com eficiência a energia,
conscientes de que o efeito do El Niño tem impactado a Venezuela de uma
forma extremamente dura”, afirmou o presidente da EDC, assinalando que “no
nosso país e na Colômbia sempre sofremos secas prolongadas. Porém, este é o
verão de menos chuvas e de menos aporte de água na represa de Guri”.
Alvarado
lembrou que 70% da eletricidade do pais é gerada pela Corpoelec através de
suas centrais elétricas, principalmente a represa de Guri -alimentada pelo
Río Caroní, no estado de Bolívar- que atualmente tem 261 metros, o que
significa 10 metros abaixo do nível normal (271 m), motivo pelo qual o
Executivo nacional teve a necessidade de implementar essas medidas.
A Eletricidade
de Caracas está instalando termelétricas para reduzir a dependência da
represa, num projeto que ficará totalmente pronto em 2012, e que produzirá
2.105 mega-watts, pela ampliação dos Complexos Geradores “Josefa Joaquina
Sánchez Bastidas” , no estado de Vargas, que incorporará 135 MW; “La Raisa”
no Valle de Tuy, com 440 MW e em Sítio, com 1080 MW; além da unidade José
María España com 450 MW, entre outras.
De 2006 a 2009 o
governo venezuelano promoveu a chamada Missão Revolução Energética que
consistiu na distribuição de 79 milhões de lâmpadas econômicas, células
fotovoltaicas e geradores de eletricidade para as populações fronteiriças
mais distantes dos centros produtores. Assim fez chegar energia a populações
que antes não tinham acesso a ela mas foi capaz de gerar um acréscimo na
produção energética de apenas 405 MW em 3 anos.
Resultado: o
país tinha uma capacidade instalada de 19 mil MW para uma demanda que se
elevou com o crescimento econômico e que chega a 16,5 MW . No entanto, a
capacidade produtiva ficou comprometida com a estiagem e a construção de
novos sistemas de produção elétrica em maior escala só teve início em 2009,
causando o gargalo atual.
Foram tomadas
medidas para a redução do consumo em 20% nos Organismos Públicos, na
indústria e comércio e dos usuários resi-denciais. São considerados serviços
de caráter essencial saúde, educação, produção e distribuição de alimentos,
água potável, energia elétrica, hidrocar-bonetos, corpos policiais,
telecomunicações entre outros. |