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Maior terremoto em 200
anos deixa capital do Haiti em ruínas
Mais de 200 membros
da missão da ONU continuam desaparecidos. Os mortos podem ultrapassar 50
mil; ruas inteiras, favelas, o palácio de governo, o parlamento,
ministérios, hospitais, escolas e igrejas foram reduzidos a escombros
A capital do Haiti, Porto Príncipe, foi arrasada por um terremoto com
intensidade de 7,3 graus na escala Richter, às 16h50 de terça-feira dia 12,
que foi seguido por dois abalos secundários de mais de 5 graus por volta de
20h, e outras dezenas depois. O epicentro foi a 15 km da capital e 10 km de
profundidade. Dois milhões de pessoas vivem na capital, a maioria em
favelas.
O maior terremoto em 200 anos deixou em escombros ruas inteiras, favelas, o
palácio de governo, o parlamento, ministérios, o hotel usado como QG da
missão da ONU, hospitais, escolas, igrejas, supermercados, e o número de
mortes, segundo o presidente René Préval, pode ultrapassar 50 mil. Entre os
mortos, 11 militares brasileiros e a coordenadora da Pastoral da Criança,
Zilda Arns, em visita ao país. Mais de 200 integrantes da missão da ONU
continuam desaparecidos e o tunisiano Hedi Annabi, chefe da missão da ONU, e
seu vice, o brasileiro Luis Carlos da Costa, morreram no desabamento do
prédio do QG da força de paz.
Um país destruído. Pela segunda noite consecutiva, multidões passaram a
noite nas ruas, em meio aos destroços e corpos em decomposição, com temor de
novos abalos. Não há água nem luz, e o serviço de telefones deixou de
operar. Um cheiro terrível, mas, segundo o repórter da BBC, Nick Davies, o
que mais chama a atenção é a quantidade de corpos sob cobertores por todo
lado, pessoas vagando em estado de choque e o barulho de choro e de rezas.
Muitas crianças.
Os feridos são conduzidos a precários hospitais e ao que restou do serviço
médico. Os três principais hospitais foram destroçados. Os trabalhos de
resgate continuam sendo feitos ainda de forma bastante improvisada, por
numerosos voluntários que cavam escombros de prédios derrubados com as
próprias mãos, em busca de sobreviventes ou corpos, e pelas equipes da força
de paz. O coronel Alan Sampaio Santos, chefe de comunicação social do
batalhão brasileiro no Haiti relatou o esforço dos militares para resgatar
as vítimas e ajudar os feridos.
AEROPORTO
O aeroporto de Porto Príncipe, apesar da torre de controle danificada,
voltou a operar visual-mente. Já aterrizou o avião brasileiro trazendo as 14
toneladas de ajuda, o ministro da Defesa Nelson Jobim e o embaixador
brasileiro, que se encontrava em Brasília no momento do terremoto. Para o
Brasil, as prioridades são dar sepultura aos mortos, socorrer os feridos,
distribuir água e comida, remover destroços e reforçar a segurança nas
operações. Com esse objetivo, serão implantados o mais rápido possível
hospitais de campanha. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já anunciou sua
disposição de trabalhar junto com a força de paz para enfrentar os
gravíssimos problemas decorrentes do colapso do sistema hospitalar, e evitar
epidemias.
Agora, o socorro ao Haiti, e a reconstrução de Porto Príncipe só dependem da
vontade política da comunidade internacional.
ANTONIO PIMENTA
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