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Engenheiros
defendem prioridade às empresas nacionais no pré-sal
“Posição de
contratado principal ao contrário de serem simples subcontratadas de empresas
estrangeiras”, afirma o presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE),
Paulo Bancovsky
“A solução para a exploração comercial do pré-sal depende fundamentalmente de
competência em engenharia. É a engenharia que transforma conhecimentos em bens e
serviços que atendem às necessidades da sociedade. Em consequência, as empresas
nacionais de engenharia deverão receber atenção e tratamento prioritário por
parte do governo e da Petrobrás, reservando-lhes, sempre que possível, posição
de contratado principal – main contractor – ao contrário de serem simples
subcontratadas de empresas estrangeiras”, diz o artigo “Incógnita do pré-sal -
Que Brasil desejamos ter? Que país vamos construir?”, assinado pelo presidente
da Academia Nacional de Engenharia (ANE), Paulo Bancovsky, e pelos acadêmicos
Maurício M. Alvarenga, Waldimir Pirró e Longo e José Fantine, publicado
originalmente na revista Macaé Offshore.
TECNOLOGIA NACIONAL
Segundo os integrantes da ANE, “a Petrobrás desenvolve continuadamente novos
conhecimentos. Demonstra pleno vigor e competência no que faz e apresenta índice
inquestionáveis de sucesso, sendo correta sua posição de operadora de pré-sal
consoante os legítimos interesses do Brasil”.
Entre os desafios tecnológicos e industriais para a exploração do pré-sal,
elencados pelos autores, estão o conhecimento da geografia marítima e das
estruturas geológicas; o comportamento sazonal do oceano e os fenômenos
provocados pelas elevadas profundidades; a localização e os limites ou ligações
entre bacias e todos os demais problemas de extração comercial e de logística.
Tudo isso requer um grande esforço para formação de mão-de-obra qualificada e
fornecimento de insumos, de materiais, plataformas, sondas, componentes e
equipamentos de exploração, perfuração e produção, navios, equipamentos de
movimentação e transporte de cargas, entre outras ações e serviços
especializados. “Em que pesem essas formidáveis demandas, deve-se afirmar, sem
erro, que já está comprovada a capacitação da indústria nacional, a ser
ampliada, e da Petrobrás, assim como das universidades, que juntas têm vencido
semelhantes obstáculos que tiveram de enfrentar no início na década de 70 com a
descoberta do campo de Garoupa, na Bacia de Campos, fazendo com que o Brasil,
daí em diante, se tornasse reconhecidamente líder mundial em exploração em águas
profundas”, observam.
“Certos atores indicam que a demanda de recursos financeiros para a exploração e
extração de toda a bacia do pré-sal atingirá cifra superior a US$ 600 bilhões.
Mesmo que isso seja real, não deve ser motivo de preocupação, porque este
dispêndio será consumido ao longo de 30 anos. Além disso, a situação é tranquila
se levada em consideração que na indústria do P&G [petróleo e gás] os
investimentos realizados entre os cinco a dez primeiros anos garantem a geração
dos necessários recursos financeiros para os investimentos nos subsequentes 20 a
25 anos. Portanto, a alegação de falta de recursos não se sustenta”, argumentam
os autores do texto.
DESENVOLVIMENTO
Para os acadêmicos de engenharia, “o pré-sal é dádiva da natureza que abre uma
vitrine de amplas oportunidades para o Brasil. Sem o pré-sal, hoje tem
assegurado pelos próximos 18 anos o suprimento de P&G das reservas provadas.
Agora, diante de estimativa preliminar de adicionais dezenas de bilhões de
barris de reservas do pré-sal, é possível antever-se um ciclo virtuoso de
crescimento sustentado, dando condições para o Brasil alcançar um novo patamar
de progresso, em especial, de avanços nos campos científico, tecnológico,
industrial e ambiental”.
De acordo com os autores, “a velocidade da exploração deve inclusive permitir
que a capacidade industrial nacional a acompanhe, maximizando sua participação
no processo. O açodamento na exploração e exportação de gigantescos volumes, no
curto prazo podem significar desnacionalização e perda de receitas, pela
sobrevalorização do real, inviabilizando a exportação dos demais setores fora do
ramo petróleo, causando a ‘doença holandesa’”.
“Dentre as preocupações da vertente externa avulta, ainda, a questão da
segurança e defesa de nossos interesses face aos possíveis conflitos com atores
estatais ou ameaças por atores não estatais. Na eventualidade, as prontas
‘respostas’ do Brasil exigirão desde medidas diplomáticas cautelares até as de
dissuasão às tentativas de apropriação das nossas riquezas e, ainda, se
questionado sobre a soberania nacional na extensão da plataforma continental, ou
seja, na ZEE, nos limites da Amazônia Azul. A esse respeito, seria conveniente
que parte do fundo a ser criado fosse destinado à pesquisa e desenvolvimento
experimental na área da defesa”, sublinham.
“A busca de segurança no suprimento de energia por parte de nações hegemônicas
pode resultar em pressões ou ações militares. É pelo direito de explorar
livremente jazidas de petróleo e gás que se fazem até guerras, como a do Iraque,
demonstrando de forma inequívoca a tese do valor estratégico, extracomercial do
óleo”, destacam os acadêmicos de engenharia.
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