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Editorial
Em 1911, depois do
Citibank adquirir o Banco Nacional do Haiti - que também cumpria o papel de
Tesouro - os EUA passaram a considerar o país uma colônia de segunda classe.
Em 1916, invadiram e
ocuparam militarmente a nação para proteger os interesses do Citi e da Haitian
American Sugar Co, ameaçados por uma rebelião popular.
Só saíram em 1934
por determinação do presidente Roosevelt, que nutria pouca simpatia pelas
corporações monopolistas e seus interesses imperiais.
Voltaram alguns anos
mais tarde, na década de 1950, dando integral apoio - salvo nos dois breves anos
do governo Kennedy - a Duvalier, depois que este virou a casaca e implantou uma
feroz ditadura que durou até 1986.
Em 1994, no auge da
onda neoliberal, Washington apoiou Aristide para impor-lhe aqueles famosos
“planos de ajuste” do FMI, que reservavam ao Haiti o papel de importador até de
alimentos dos EUA em troca da implantação de unidades secundárias de produção de
corporações como a Disney e a Levi’s.
O país, com 70% da
população nas zonas rurais, perdeu a produção de arroz, teve desorganizada sua
produção de açúcar, foi ocupado por ONGs e o comércio exterior ficou à mercê dos
EUA, para onde são destinadas 72% das exportações.
Quando Aristide
ensaiou resistir ao massacre, Bush financiou e armou bandos opositores para
depor o presidente. Em seguida enviou os marines, que o prenderam em casa, em
março de 2004, apesar dele haver sido eleito para o segundo mandato com 92% dos
votos.
A ação da diplomacia
brasileira, conjugada com a francesa e da maioria das nações do mundo, impedia
que essa nova invasão se consolidasse, tendo sido criada uma força de paz da ONU
comandada pelo Brasil com a missão de pacificar o país.
Isolados, os EUA
tiveram que se retirar três meses depois, mas não engoliram a derrota.
Agora,
aproveitando-se do caos provocado pelo trágico terremoto, o Pentágono força a
entrada de 10 mil soldados - dois mil a mais do que toda a força de paz da ONU
reunida, constituída por 36 países.
A situação é
delicada, porque Obama gastou todo o gás na campanha e no governo, desde o
discurso de posse, tem sido um maria-vai-com-as-outras.
Mas, com paciência,
nós vamos mandar a canalha de volta para casa outra vez e ajudar o bravo povo do
Haiti a se livrar desse encosto para que possa reconstruir o mais breve possível
o seu Estado nacional.
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