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Perícia conclui
que anotações de propinas foram feitas por Arruda
Documentos
encontrados pela Polícia Federal elencam os nomes e valores a serem pagos
A
situação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), ficou
mais complicada com a divulgação de documentos apreendidos pela Polícia Federal
na Operação Caixa de Pandora.
Na casa de Domingos Lamoglia, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do DF e chefe
de gabinete de Arruda até outubro de 2009, a Polícia Federal apreendeu um
livro-caixa, agendas e papéis manuscritos com indicações de valores associados a
nomes e iniciais de políticos, que sugerem como a propina era distribuída. O
suposto pagamento era classificado como “Pessoais” e “Política”.
Uma anotação na coluna “Pessoais” – “Severo = 450” – seria uma referência a
Severo de Araújo Dias, dono do haras Sparta. Em depoimento à subprocuradora
Raquel Dodge, o ex-secretário de governo Durval Barbosa afirmou que o haras foi
adquirido pelo governador para presentear a mulher, Flávia Arruda.
Perícia
Os documentos, divulgados pela revista Época desta semana, foram
analisados pelo perito e professor da Universidade de Campinas, Ricardo Molina,
que examinou o manuscrito apreendido na casa de Lamoglia, concluindo que as
anotações foram feitas pelo governador. “Podemos afirmar que, com mínima
possibilidade de erro, a escrita questionada foi produzida pelo punho escritor
do governador José Roberto Arruda”, escreveu Molina no laudo divulgado na
segunda-feira (18).
Molina concluiu que, apesar da “limitação do material, tanto em quantidade
quanto em qualidade (resolução)”, as anotações foram feitas por Arruda. “Há uma
série de divergências significativas entre a escrita questionada e os padrões de
Domingos Lamoglia. Tais divergências são sistemáticas e não podem ser atribuídas
a variações livres intra-subjetivas”, explicou.
Outro documento, apreendido na residência oficial do governo em Águas Claras,
detalharia a partilha de recursos entre a quadrilha. Guardado em um envelope que
seria destinado a Fábio Simão, com data de 23 de novembro de 2009, o documento
contém as seguintes anotações: “1 - chefão 400, 2 - Dep Charles 100, 3 - Pesque
Pague 800 e 4 - Brazlândia 1500”.
Em uma agenda encontrada na casa de Fábio Simão, seu chefe de gabinete e
presidente da Federação Brasiliense de Futebol, consta uma anotação com data de
22 de janeiro de 2007, que se refere diretamente ao governador: “R$ 17.700
Arruda”.
Omissão
Nas investigações das denúncias de corrupção na administração de Arruda, o
Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que fossem prestadas informações
sobre todos os pagamentos do governo por serviços de informática, setor onde
estão concentradas as suspeitas de pagamento de propina ao governador e seus
aliados políticos.
Segundo a subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, Arruda omitiu do
relatório, entregue ao Tribunal no dia 7 de janeiro, um pagamento de R$ 24,2
milhões na área de informática. A quantia foi destinada à Fundação Gonçalves
Ledo, contratada para executar o programa de inclusão digital do governo.
A subprocuradora detectou a omissão ao examinar o relatório. Na análise
preliminar que fez do relatório, Raquel Dodge observou que nos dados informados
não constava o pagamento à Fundação. |