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Trem da SuperVia dispara sem maquinista e fere
passageiros
“Se o consórcio SuperVia mantiver essa péssima
prestação de serviço, pediremos o cancelamento
da concessão”, diz promotor
Os usuários dos trens do consórcio privado
SuperVia, que controla a malha ferroviária no
Rio de Janeiro, enfrentaram mais um acidente na
manhã de segunda-feira em um trem do ramal de
Japeri.
De acordo com o Sindicato dos Ferroviários do
Rio de Janeiro, o trem partiu sozinho em uma
velocidade superior a 70 km/h passando sem parar
pela estação de Deodoro, após o maquinista ter
saído da composição para averiguar um problema
na parte elétrica. O presidente do Sindicato,
Valdir de Lemos, o Índio, afirmou que a entidade
irá acionar o Conselho Regional de Engenharia (Crea-RJ)
para investigar o incidente. “Ou alguém entrou
na cabine e deu partida, ou o ar do freio acabou
e o trem entrou em movimento por estar numa
descida, sendo alimentado pelo pantógrafo
(dispositivo no alto do trem responsável pela
alimentação elétrica)”, afirmou Valmir.
Conforme relato de um dos passageiros, “em
Ricardo (de Albuquerque) o trem parou e começou
a abrir e fechar as portas, abrir e fechar as
portas. Saiu um bocado de gente para ver se
vinha outro trem na outra linha. Do nada, o trem
começou a partir sem maquinista e só foi parar
entre Oswaldo Cruz e Madureira”.
Com a partida do trem, que só foi paralisado com
o corte da energia, diversos passageiros tiveram
de saltar do carro em movimento, e acabaram se
ferindo. O eletricista Jorge Luis, 39 anos,
conta que, apesar do incidente, a concessionária
não providenciou socorro médico para os feridos.
“Na estação não havia nenhum socorro e os
guardas só diziam que não podiam ajudar. Os
passageiros foram muito mal tratados pelo
atendimento da SuperVia”. “O trem parou na
estação de Ricardo de Alburqueque e ficou
abrindo e fechando as portas. Alguns passageiros
saíram da composição, mas eu fiquei porque não
houve aviso de avaria. Quem estava do lado de
fora viu o maquinista sair e quando voltamos a
andar todo mundo começou a gritar. Fiquei em um
canto esperando pelo pior”, relatou.
De acordo com o promotor Carlos Andresano, da 3ª
Promotoria de Defesa do Consumidor, o Ministério
Público Estadual irá exigir esclarecimentos da
concessionária - a mesma que no ano passado
chicoteou passageiros para que lotassem os
vagões, e meses depois provocou revolta nos
passageiros devido a uma série de panes.
“Se a Supervia mantiver essa péssima prestação
de serviços, poderemos até pedir que seja tomada
uma medida considerada mais drástica, que seria
o cancelamento da concessão”, afirmou o
promotor.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos
Concedidos de Transportes Aquaviários,
Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do
Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) afirmou que
instaurou um processo específico para investigar
as causas do acidente desta segunda-feira, e
solicitou à SuperVia que envie, em até 24h,
todas as informações referentes ao caso.
Com o trem circulando com as portas abertas,
diversas pessoas se feriram ao saltar. Uma
passageira, Vanessa Cristina Teixeira, 23 anos,
pulou da composição e sofreu cortes na cabeça.
Ela foi levada por bombeiros para o Hospital
Carlos Chagas.
Carlos de Jesus, de 27 anos, conta que os
passageiros ficaram desesperados. Segundo ele,
havia mulheres grávidas e idosos na composição.
“As pessoas começaram a gritar. O trem estava em
alta velocidade e com as portas abertas. Foi
horrível”, disse Carlos de Jesus, que foi até ao
serviço de atendimento ao cliente da Supervia na
Central do Brasil, onde passageiros ficaram
revoltados ao não serem atendidos por
funcionários da empresa.
“Deixaram-nos sem resposta. Eles nos entregam um
vale que só serve para trem, mas não tem trem.
Não serve para nada”, afirmou o passageiro
Marcelo Ramos. Com o incidente, os carros do
ramal Japeri tiveram atrasos nos intervalos de
até 40 minutos.
Quando a composição finalmente parou, os
passageiros tiveram que caminhar pela linha
férrea, até tomarem outro trem que vinha no
sentido contrário. |