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Taxa de desemprego na França ultrapassa 15%
Crescimento
do desemprego foi de 20% em um ano. Dados expedidos à imprensa pelo governo
mascaram quadro real para dar idéia de que o flagelo atinge a menos de 10%
dos trabalhadores
Nos
dados publicados pela agência gover-namental de empregos da França, a
Pôle Emploi, o número de trabalhadores desempregados em novembro de
2009, atingiu 4.033.000, 20% acima do número obtido no mesmo período do ano
anterior.
No entanto, a cifra oficial do Ministério do Trabalho francês fala em
2.630.000, o que daria 9,32% do número de trabalhadores franceses
(consideradas estatísticas do INSEE - Instituto Nacional de Estudos
Estatísticos e Econômicos), de 28,2 milhões da força de trabalho.
Qual é o motivo para a disparidade? Em matéria publicada em abril de 2009, o
grupo de estatísticos e economistas ligados à CGT e a movimentos sociais em
luta contra o desemprego, denominado ACDC (iniciais de Autres Chiffres Du
Chômage, “Outras Cifras Do Desemprego”), esclarece que nas notas a imprensa
liberadas pela Pôle Emploi, só são considerados desempregados os
trabalhadores que se inscreveram na agência atrás de trabalho (condição para
o recebimento do seguro-desemprego) e que declararam não ter nenhuma outra
atividade. Esta categoria de desempregados é denominada A. Ficam de fora da
estatística, à qual só tem acesso quem busque no site da Pôle Emploi pelas
tabelas da mesma, as categorias B, C e D. Segundo esta divisão, ficam de
fora da categoria de desempregado aquele que tenha trabalhado “até 78 horas
no mês anterior”, categoria B, ou seja, quem tenha feito bicos para não
passar fome. Também não são considerados desempregados os que, “não exibiram
atitude de busca de emprego”, a categoria D.
Segundo o ACDC, em 70 de 93 veículos de mídia pesquisados em abril de 2009,
refrem-se aos desempregados em geral como apenas os incluídos na categoria A
e “não há preocupação em divulgar os demais dados da Pôle Emploi”. Segundo o
mesmo documento “estas notas à imprensa passam ao largo das recomendações do
Conselho Nacional de Informação Estatística (Cnis) após as polêmicas de 2007
sobre a realidade das cifras de desemprego”.
E ainda, o número de desempregados, segundo outras estimativas ultrapassa o
fornecido pela agência governamental. Uma vez que não há pesquisa, pela
agência que fornece a base de cálculo sobre o desemprego na França, junto
aos que por não terem mais direito a seguro-desemprego (perdido depois de
mais de dois anos sem trabalho) e/ou por haverem perdido a esperança de
conseguir emprego deixaram de procurar a agência mas estão na mesma condição
de desempregados.
Citando a estimativa de uma seção da Revista Marianne (chamada “barômetro de
desemprego Marianne”), o colunista da mesma revista, Philipe Cohen, fala em
mais de 5 milhões sem trabalho, em matéria publicada em novembro de 2009. Em
manifestações unitárias recentes contra o desemprego realizadas pelas
centrais sindicais francesas, os manifestantes se referem a 4,5 milhões o
que eleva a taxa de desemprego a 15,95% de um númerode 28,2 milhões de
trabalhadores.
A situação se agrava com a projeção de que o número de trabalhadores
franceses sem seguro deve atingir cerca de um milhão em 2010. Isto atinge os
desempregados de longa duração (com um ano ou mais de desemprego), que já
são em torno de 40% dos desempregados oficialmente reconhecidos na França.
Corinne Prost do INSE (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos
Econômicos) este contingente de trabalhadores está avaliado em 947.000 no
terceiro trimestre de 2009 contra 760.000 em mesmo período de 2008.
O líder do PS, Jean-Marc Ayrault, denuncia o “grande silêncio presidencial
sobre o emprego” e acrescenta que “estamos diante de uma bomba de efeito
retardado”.
“O governo deve agir em favor destas pessoas para as quais não se trata mais
de poder aquisitivo mas de capacidade de sobrevivência”, destaca Isabelle
Pasquet, do Partido Comunista Francês (PCF). O PCF, em carta aberta ao
presidente da República pediu a prorrogação do seguro por mais um ano.
Stéphane Lardy, da Force Ouvriére (FO) exige: “Sejam responsáveis, o governo
deve agir rápido”.
Ao mesmo tempo o Estado consagrou, em 2009, dezenas de bilhões de euros para
salvar bancos além de diversas subvenções diversas e variadas a empresas em
dificuldade dando prioridade à indústria de automóveis.
Depois de ajudar as empresas, não será injusto ajudar os desempregados a
superar as conseqüências sociais da mesma?, questiona o Lê Monde em
editorial(ver mais elementos em matéria nesta página).
NATHANIEL BRAIA
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