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Um milhão de trabalhadores franceses
ficam sem seguro-desemprego em 2010
Segundo dados da agencia de empregos do governo francês, a Pôle Emploi, um
milhão de trabalhadores perderão o seguro-desemprego em 2010. Os dados foram
publicados em informe de 25 de novembro de 2009, segundo revela artigo
publicado no jornal francês Lê Monde no dia 18.
O número de desempregados em estágio final de seus seguros aumentou em 35,2%
em um ano revela a mesma pesquisa.
Somente 38% destes em fim de direito a seguro são passíveis de inscrição num
fundo denominado Alocação Específica de Solidariedade e outros 22% no
Ingresso de Solidariedade Ativa, conforme diz Jean-Paul Blouard diretor
deste setor de solidariedade do Pôle Emploi. São situações mais precárias do
que a dos que têm acesso ao seguro-desemprego.
Ocorre que 80% dos que recebem pagamentos por um dos citados fundos (RMI)
vivem abaixo da linha de pobreza e o mesmo para 58% dos que recebem pelo
ASS.
Este dado significa que dos um milhão, apenas 38% conseguiram ainda algum
tipo de arrimo e 62%, ou mais de 600.000, ficam sem nenhum tipo de renda
para si e seus dependentes durante o ano que se inicia.
“Um crescimento sensível da pobreza na França”, especifica o artigo
publicado no Lê Monde.
A esta grave situação o ministro da Indústria, Chistian Estrosi, declarou em
14 de janeiro que “foi formado um grupo de trabalho e deve se esperar o
resultado de suas negociações”.
O secretário confederativo da CGT, Maurad Rabhi, destacou que o movimento
sindical exige “medidas de crise” e acrescentou: “Não podemos deixar 600.000
pessoas sem nenhuma indenização até a retomada do mercado de trabalho, é uma
situação de urgência”.
As centrais sindicais que estiveram à testa das mobilizações contra o
desemprego (CGT, CFDT, CFTC e FO) exigem que além de uma política de criação
de empregos que a precarização do mercado de trabalho durante a crise deve
ser levada em conta nos financiamentos da política de emprego e a duração da
indenização deve ser ampliada.
Enquanto o governo Sarkozy tenta empurrar a questão para ser resolvida
através de negociações entre empresas e sindicatos, a secretária nacional da
CFDT, Gaby Bonnard, defende que “o impacto social da crise não deve ser
financiado pela solidariedade privada mas pela ação nacional, ou seja,
através do Estado”.
O primeiro-ministro François Fillon, defendeu na Assembléia Nacional que
esta política está em contradição com o fato de que “a redução do déficit
público passa pela redução dos gastos com a previdência”.
“O governo não tomou nenhum conhecimento da dimensão da crise”, acusa o
deputado pelo Partido Socialista (OS), Bruno Le Roux, acrescentando que “há
uma ausência total de qualquer política de emprego”. |