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Neoliberalismo de governos da “Concertación” leva a direita
ao poder no Chile
O empresário Sebastián Piñera, representante
dos partidos de direita União Democrática Independente e Renovação Nacional,
venceu este domingo a Eduardo Frei, candidato da coalizão Concertação pela
Democracia, com 51.61% dos votos contra 48.38%, no segundo turno das
eleições presidenciais do Chile.
Em números precisos, 25% da população em
condições de votar elegeu Piñera. A inscrição eleitoral no Chile é
voluntária; o voto, porém, é obrigatório. Só cerca de 50% dos cidadãos estão
inscritos. O envelhecimento do padrão eleitoral e a falta de interesse pela
sua atualização e crescimento revelam que o sistema atual inibe a
participação, especialmente dos mais jovens.
A população não renovou sua confiança em que
a Concertação realizasse com Eduardo Frei o que não fez nos últimos 20 anos
em que governou. Eles foram marcados pela continuidade da política
neoliberal que se traduziu em indicadores econômicos divulgados pelos
organismos financeiros norte-americanos como exemplares. As políticas
sociais aplicadas pelos quatro governos, embora serviram para minorar um
pouco a pobreza e a indigência, se mostraram incapazes de enfrentar
problemas como a flexibilização do trabalho, a perda de direitos e a
superação de uma economia presa à exportação de produtos primários.
Nem Patricio Aylwin, nem Eduardo Frei, nem
Ricardo Lagos, nem Michelle Bachelet mexeram os grandes eixos do modelo
pinochetista, baseado numa enorme abertura da economia aos interesses
multinacionais, com um Estado mínimo com uma carga de impostos muito baixa
(16,5% do PBI), e uma estrutura fiscal regressiva (os impostos ao consumo
afetam inclusive os produtos mais básicos para a população humilde, como o
leite e o pão, enquanto que o imposto de renda é reduzido, principalmente
para os mais ricos), junto a leis trabalhistas “flexibilizadas”, com uma das
taxas de sindicalização mais baixas da região e serviços públicos caríssimos
e quase todos privatizados. Não existe ensino de terceiro grau gratuito, por
exemplo. As universidades são todas pagas.
O Chile assinou e manteve tratados de livre
comércio principalmente com os Estados Unidos que sustentam um modelo
exportador de produtos primários. Esses tratados inclusive impedem o país de
se integrar no MERCOSUL. 75% das exportações chilenas estão constituídas por
produtos primários, e o resto de bens elaborados na base deles. Do total,
uma percentagem importante, próxima aos 38%, continua sendo cobre, o que
expõe a economia aos ditames dos compradores externos. O resto é madeira,
algumas frutas ou salmão.
Apesar da propaganda que assegura que a
economia chilena é a mais dinâmica do continente, a distancia entre os 20%
mais ricos e o 20% mais pobres da população se mantém em 14 vezes.
Piñera é o principal acionista da aerolínea
chilena LAN, dono do principal time de futebol do país, o Colo-Colo e da
rede de televisão Chilevisión e durante sua campanha ofereceu incorporar
ex-colaboradores da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), durante a qual
criou o seu conglomerado empresarial.
No Parlamento, o governo de Piñera não terá
vida fácil já que a Concertação conta com 49% das cadeiras, além das
conquistadas pelo Partido Comunista e pelos setores liderados por Marcos
Ominami, candidato independente que apoiou Frei no segundo turno.
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