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BNDES livra AES do calote de R$ 2,1 bi
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem se
esmerado em favor dos monopólios, destinando-lhes a maioria dos
financiamentos. Agora, encontrou uma maneira de livrar a multinacional
norte-americana AES do calote de R$ 2,1 bilhões, polpudos recursos
contraídos junto ao banco para a compra de 32,96% das ações ordinárias, com
direito a voto, da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O
empréstimo à AES foi feito em 1997 e até hoje o BNDES estava a ver navios.
Mas, os doutos diretores do banco aprovaram a injeção de mais dinheiro
público para júbilo do monopólio estrangeiro.
Por um acordo já aprovado pelo BNDES, a AES irá repassar a fatia
que detém na Cemig – que representa 32,96% do capital votante e 14,41% do
capital total – para a construtora Andrade Gutierrez e esta, por sua vez,
vai assumir a dívida de R$ 2,1 bilhões ao BNDES, além de pagar R$ 25 milhões
à AES. Ocorre que a construtora fará o pagamento ao banco com R$ 500 milhões
à vista e o restante (R$ 1,6 bilhão) dividido em dez anos, através da
emissão de debêntures privadas, que serão compradas por quem? Isso mesmo,
pelo próprio BNDES.
Para o acordo ser validado, será necessária uma homologação
judicial, pois as ações da Cemig em mãos da AES estão bloqueadas, em função
de uma ação na Justiça federal no Rio de Janeiro, que corre desde 2004
contra a Southern Electric Brasil (SEB), empresa que pertence à AES, através
da qual adquiriu as ações da companhia.
Após comprar um terço das ações da Cemig com direito a voto, em
1997, a AES fez um acordo de acionistas com o governo de Minas Gerais, do
tucano Eduardo Azeredo, para ficar à frente da estatal. Contudo, ao assumir
o governo, a partir de 1999, Itamar Franco impugnou na justiça a venda dos
33% das ações. Só que, mesmo recebendo o empréstimo a juros subsidiados, a
AES não pagou o BNDES. Em abril de 2004, o banco, ainda sob a direção de
Carlos Lessa, recorreu à justiça para receber o que lhe era devido.
Outro fato importante nessa jogada de gênio é que a multinacional
norte-americana ficará novamente adimplente junto ao BNDES, ficando em
condições de morder novos financiamentos, podendo, inclusive, recomprar as
ações da Cemig das mãos da Andrade Gutierrez. Ou se preferir, reincidir no
calote, prática contumaz da multinacional, vide também o caso da
privatização da Eletropaulo, quando pegou um empréstimo de cerca de US$ 1,2
bilhão e até hoje não compareceu.
VALDO ALBUQUERQUE
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