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Juízes e
delegados da PF defendem processos contra Daniel Dantas e outros crimes do
colarinho branco
A
Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Associação
dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) defenderam os respectivos responsáveis
- delegados e juízes - pelos inquéritos e processos judiciais que foram
recentemente suspensos por decisões de membros do Superior Tribunal de
Justiça (STJ), como as operações Satiagraha e Castelo de Areia, sob variadas
alegações.
A ADPF defendeu a continuidade dos processos
judiciais decorrentes das operações Satiagraha e Castelo de Areia, suspensos
em caráter provisório em razão de liminares concedidas por dois ministros do
Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os efeitos das medidas valem até o
julgamento do mérito das ações.
Em nota, divulgada na segunda-feira passada
(18), a entidade manifestou confiança de que o judiciário reconhecerá “a
legalidade dessas investigações, dando continuidade aos respectivos
processos e julgamentos” e “saberá responder aos reclames da sociedade
brasileira pelo fim da sensação de impunidade dominante no país”.
Em dezembro de 2009, o ministro Esteves Lima
suspendeu as ações relacionadas à Satiagraha, incluindo a condenação do
controlador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, a dez anos de prisão por
corrupção ativa. No dia 14 de janeiro passado, o presidente do STJ, Cesar
Asfor Rocha, suspendeu ação penal – decorrente da operação Castelo de Areia
– contra diretores da construtora Camargo Corrêa. Os processos tramitam na
6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)
reagiu à repercussão das decisões, defendendo a atuação do juiz titular da
6ª Vara, Fausto De Sanctis. “O que não se pode aceitar é a tentativa, cada
vez mais reiterada, de, a partir da reforma de uma decisão judicial,
pretender-se desqualificar o magistrado que a proferiu. Isso deve ser
repelido com veemência”, ressaltou em nota divulgada na quarta-feira (20).
O presidente da Ajufe, Fernando de Mattos,
lembrou que a independência dos magistrados em suas interpretações deve ser
vista “como fato normal”, que integra as garantias fundamentais da
sociedade. “A decisão judicial por órgão de primeiro grau de jurisdição, o
recurso em razão dela interposto e a decisão de órgão de instância superior,
reformando ou não a decisão primeira, são fatos normais do cotidiano
judiciário”, diz a nota.
Com relação à suspensão da operação Castelo de
Areia, o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo pediu vista ao STJ
dos autos referentes à liminar, com o objetivo é recorrer da decisão. O MPF
defendeu o andamento da operação, ressaltando que o órgão vem “de forma
criteriosa e responsável, participando do início e do desenrolar das
investigações, cuidando para que a sua legalidade seja estritamente
observada, como, de fato, o foi”, afirmou em nota a procuradora Karen Louise
Jeanette Kahn.
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