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Municípios em
estado de calamidade ainda não receberam ajuda do Estado
Mais de 50 pessoas morreram, 35 ficaram feridas e 123 municípios já foram
atingidos pelas chuvas no Estado de São Paulo desde o dia 1º de dezembro,
divulgou a Defesa Civil. Destes municípios, 25 decretaram situação de emergência
e 2 calamidade pública. O número de mortos já é o dobro do registrado em todo o
verão passado.
Diante da destruição, o governo do Estado liberou R$ 700 mil para Atibaia, que
ainda não chegou à cidade. Em Osasco, a equipe do governador José Serra (PSDB)
doou colchões e cesta básica, mas nenhum recurso foi liberado. Na cidade de
Oscar Bressane, que teve seis pontes destruídas, a administração municipal pediu
auxílio ao Estado, que pediu um prazo de 30 dias para definir se libera o
dinheiro. Nos demais lugares, não foram divulgadas informações sobre as
providências que foram tomadas.
Calamidade
Atibaia tem sofrido com as chuvas desde o dia 12 de dezembro. No último final de
semana, dez bairros voltaram a ficar alagados; 800 pessoas foram atingidas e 256
foram retiradas de suas casas. Cerca de 15 famílias foram levadas para
contêineres que estão funcionando como habitação na região de Santa Clara.
A prefeitura de Atibaia informou que a Sabesp abriu as comportas das represas de
Nazaré Paulista e Piracaia avisando a administração uma hora antes do início da
operação, o que fez despejar 15 vezes mais água na região, dificultando o
escoamento. Mesmo diante desse quadro, a assessoria da prefeitura informou à
reportagem do HP que o Governo estadual liberou apenas R$ 700 mil, que ainda não
chegou ao município e nem sabe quando chegará.
Emergência
O maior número de mortos no Estado concentra-se em Osasco: 12. A cidade da
região metropolitana está em estado de emergência desde o dia 16 de dezembro,
com cerca de mil famílias atingidas. Os bairros mais afetados foram Jardim
Bonança, Baronesa e Rochdale, que ficaram com as ruas tomadas de lama e de
móveis perdidos pelos moradores.
O departamento de Comunicação da prefeitura disse ao HP que nenhum recurso foi
liberado pelo governo estadual, que se limitou a doar colchões, cestas básicas e
a limpar o braço morto do rio Tietê, o que, de acordo com a assessoria, não é
mais que a obrigação do governo do Estado.
Em Oscar Bressane, a assessoria da prefeitura relatou à reportagem que a
administração municipal pediu ao governo do Estado liberação de verbas para
ajudar na reconstrução da cidade, que teve seis pontes destruídas, sendo duas de
concreto. No dia 12 de janeiro, a Defesa Civil Estadual esteve na cidade, fez
vistoria e, mesmo com a destruição que tomou conta da região, disse que o
relatório final com a resposta da liberação ou não do dinheiro sairia em
aproximadamente 30 dias.
Na manhã da quarta-feira (20), a chuva inundou a ETA (Estação de Tratamento de
Água) Baixo Cotia, causando a interrupção do abastecimento de água para cerca de
510 mil pessoas dos municípios de Jandira, Itapevi e parte de Barueri, na Grande
São Paulo.
Os 25 municípios que decretaram situação de Emergência no Estado foram: Atibaia,
Bofete, Caieiras, Caiuá, Capivari, Chavantes, Franco da Rocha, Getulina,
Guararema, Inúbia Paulista, Lucélia, Lourdes, Manduri, Mineiros do Tietê,
Mirassol, Osasco, Oscar Bressane, Pardinho, Pracinha, Presidentes Venceslau, São
José do Rio Preto, São Lourenço da Serra, Santo André, Santo Antônio do Pinhal e
Sumaré. Decretaram calamidade pública Cunha e São Luis do Paraitinga.
ANDRÉ AUGUSTO |