|
Mais pedágios na Castello causam revolta a
motoristas
Sindicatos e usuários fizeram manifestação
contra a cobrança implantada nas pistas
expressas da Rodovia, nos dois sentidos
Os Sindicatos de Metalúrgicos, Bancários e
Transportadores de Carga de Osasco e Região
realizaram uma manifestação nas praças de
pedágio da ViaOeste (CCR) na Rodovia Castello
Branco, na região de Osasco, na última
segunda-feira, para expressar “o protesto, a
indignação e a revolta” de usuários com os
pedágios implantados na Rodovia. Motoristas
foram surpreendidos e obrigados a pagar nos dois
sentidos, em direção à capital paulista e ao
interior. Antes, havia a cobrança apenas nas
pistas marginais paralelas à rodovia. Agora,
todos que trafegam nas pistas expressas precisam
desembolsar R$ 2,80.
ILEGALIDADE
Conforme a legislação paulista, a instalação da
cobrança nos quilômetros 18 e 20 é ilegal, pois
atenta contra lei estadual (2.481/53) que proíbe
pedágios a menos de 35 quilômetros do marco zero
da capital. Mas, para o presidente da ViaOeste,
Braz Cioffi, o governador José Serra (PSDB) lhe
deu um salvo-conduto, pois “na medida em que o
próprio governo autoriza a instalação do pedágio
ele estaria revogando a lei”. Por isso,
declarou, “os pedágios estão aí”.
No ato, onde foram distribuídos panfletos e
erguidas faixas contra a instalação das praças,
usuários expressaram com buzinaço e aplausos a
solidariedade com o movimento.
“Levamos informação aos motoristas. Os bancários
que trabalham nessa região, por exemplo, vão ter
de desembolsar mais. A ViaOeste fechou o acesso
ao Rodoanel e abriu um novo acesso depois do
pedágio. Você paga para entrar e paga para sair.
Um absurdo do governo Serra”, denunciou Valdir
Fernandes, diretor do Sindicato dos Bancários de
Osasco e Região. Valdir informou que a medida
penaliza diretamente milhares de trabalhadores
de bancos que moram na capital e se deslocam
todos os dias para centros administrativos e
agências. “Só o Bradesco tem duas concentrações,
Cidade de Deus e Alphaville, com mais de 17 mil
trabalhadores entre bancários e terceirizados”,
acrescentou.
Por volta das 17h30, informou o dirigente
bancário, a ViaOeste fechou cinco cabines de
pedágio, causando lentidão para os motoristas.
“Muitos carros desviaram seu trajeto pela
Avenida dos Autonomistas, o que gerou ainda mais
congestionamento”, disse.
O promotor de Justiça Marcos Mendes Lyra, de
Barueri, na Grande São Paulo, afirmou que está
preparando uma ação civil pública para pleitear
na Justiça a redução da tarifa de R$ 2,80 nas
recém-instaladas praças de pedágio. Além da
cobrança ser ilegal, na sua avaliação, o valor
desrespeita a unidade básica tarifária aplicada
pela Agência Reguladora dos Transportes do
Estado de São Paulo (Artesp) às rodovias sob
concessão. “Pelo critério que hoje é usado, o
valor do pedágio poderia ser no máximo de R$
1,70”, declarou. Conforme o promotor, o tipo de
concessão em vigor no sistema que engloba as
rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares,
entregues pelo governo tucano à ViaOeste, prevê
cobrança de R$ 0,142547 por quilômetro. Lyra
explica que como são oito as praças de pedágio
distribuídas por 169 quilômetros de concessão no
sistema Castelo-Raposo, é absurda a cobrança de
R$ 2,80, pois concentra nas primeiras praças de
pedágio um valor que teria de ser diluído em
todo o sistema sob essa concessão. Desta forma,
cerca de 1,5 milhão de habitantes das cidades de
Barueri, Osasco e Carapicuíba estão sendo
prejudicados por uma regra feita sob encomenda
para catapultar os lucros da empresa
arrecadadora.
Além da tarifa, a concessionária também mudou o
local das alças de acesso para o Rodoanel Mário
Covas, passando a tornar obrigatória a cobrança
de pedágio para quem vai acessar o anel viário.
“Tentamos por inúmeras vezes agendar uma reunião
com a ViaOeste para discutir a instalação destas
novas praças de pedágio além do fechamento dos
acessos ao Rodoanel, mas sem sucesso”, explicou
o presidente do Sindicato dos Transportadores de
Carga de Osasco, João Batista da Silva,
condenando a imposição.
“Temos que pagar esse pedágio em Osasco e outro
a 15 quilômetros daqui. Isso é um absurdo”,
protestou o caminhoneiro Vanderlei Lusani.
Morador de Barueri, o autônomo Roberto Domingos
da Silva declarou que a cobrança tornará
impossível para muitos como ele a utilização da
rodovia: “Para mim não dá mais, só estou aqui
hoje porque ainda não pensei numa rota
alternativa, mas amanhã vou utilizar outro
caminho”.
Para a presidente do Partido dos Trabalhadores
de Osasco, Rose Lima, o apoio dos usuários ao
ato demonstrou “o descontentamento com esta
cobrança que é absurda e abusiva”. |