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IAC: Alimentos sim, tropas não;
fim à ocupação dos EUA no Haiti
Seguem
os principais trechos do documento do IACenter (sigla em inglês do Centro
de Ação Internacional), fundado por Ramsey Clark, ex-procurador geral dos
EUA,repudiando a invasão de tropas militares dos EUA no Haiti
O Pentágono controla o aeroporto e o tráfego aéreo de Porto Príncipe. Há,
cada vez mais informações de que as organizações de ajuda têm acusado o
exército dos EUA de centrar seus esforços em instalar suas tropas e retirar
os seus cidadãos.
Sob o pretexto de deter o saque, Estados Unidos obriga ao governo do
presidente René Préval a aprovar medidas de urgência para delegar o controle
da segurança ao Pentágono.
A presença militar norte-americana vem aumentando, dos 3500 soldados da 82°
Divisão aérea e os 2200 marines até um número estimado em 10000 tropas. É
escandaloso que o povo haitiano se veja obrigado a suportar condições ainda
mais duras para que os EUA possam expandir sua ocupação militar.
Segundo Jarry Emmanuel, da Organização World Food, “há um tráfego diário de
200 voos, o que supõe uma quantidade incrível para um país como o Haiti, mas
a maioria deles são do exército dos EUA. Sua prioridade é controlar o país,
a nossa alimentá-lo”.
Após o desvio sistemático de voos da Cruz Vermelha, a organização preferiu
tentar entrar com caminhões através da República Dominicana. França, Brasil
e Itália, junto com as maiores organizações de ajuda, estavam tão
preocupados pelo desvio que apresentaram queixas formais. Os voos
argentinos, peruanos e mexicanos que transportavam equipes e material de
ajuda foram igualmente obrigados a regressar. Negou-se aterrissagem ainda à
missão de ajuda da comunidade caribenha, Caricom.
Alain Joyandet, secretário de Estado para a Cooperação, do governo francês,
declarou que havia apresentado uma queixa contra os EUA pela tomada do
aeroporto: “Apresentei um protesto oficial contra os EUA”, afirmou depois
que um avião francês, que portava material médico, fora obrigado a
regressar.
Hugo Chávez, afirmou que os EUA utilizam o terremoto do Haiti como pretexto
para ocupar o devastado país. Daniel Ortega declarou que os Estados Unidos
têm se aproveitado do terremoto no Haiti para despejar suas tropas no país.
Desde 1804, quando houve a primeira revolução vitoriosa de escravos na
história contra os colonialistas franceses, até hoje, Washington têm imposto
continuamente sanções, pagamentos de dívida e intervido na intenção de
acabar com a independência haitiana. Os EUA ocuparam o país de 1915 até 1934
e também nos últimos 20 anos, agora o fazem outra vez.
Em 2004, o presidente Jean-Bertrand Aristide, democraticamente eleito por
92% dos votos, foi derrubado em um golpe planejado por Washington. Hoje os
EUA impedem o regresso de Aristide ao Haiti, desde a África do Sul, onde
está exilado.
O movimento dos povos deve exigir que o aeroporto do Haiti seja utilizado
para os voos que levam ajuda médica de urgência, comida e água, e não tropas
dos Estados Unidos.
O povo do Haiti necessita de alimentos, água e ajuda médica, não de uma
ocupação militar. |