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Mineiros do cobre a Piñera: “Não permitiremos a entrega da
nossa principal riqueza”
“Não vamos permitir a privatização de nossa
principal riqueza. A Corporação Nacional do Cobre (Codelco) é do povo do
Chile e nem Pinochet com toda a violência e falta de patriotismo que o
caracterizaram conseguiu entregá-la às multinacionais”, afirmou Raimundo
Espinoza, que lidera a Federação de Trabalhadores do Cobre (FTC), que
aglutina mais de 18 mil mineiros. Essa foi a resposta às declarações
realizadas por Sebastián Piñera um dia depois de ganhar o segundo turno das
eleições presidenciais. “Nos últimos tempos, a Codelco perdeu efetividade e
eficiência. Necessita novo impulso e para isso vai requerer novos capitais”,
disse Piñera, divulgado com destaque pelos grandes meios de comunicação
norte-americanos, na terça-feira, dia 19.
“O presidente eleito deve se informar bem. A
Codelco continua sendo a primeira empresa produtora de cobre do Chile e do
mundo. Se houver respeito e diálogo, o mundo sindical estará disponível para
conversar. Se, pelo contrário, a vontade política das novas autoridades do
país é privatizar a Codelco, atomizar o mundo sindical, frear o
desenvolvimento da empresa ou cercear nossos direitos, temos princípios
sólidos e disposição de luta para fazer o que é justo fazer, sem nenhuma
vacilação”, sublinhou Espinoza, herdeiro da tradição sindical de defesa dos
interesses nacionais que foi reforçada desde os tempos do presidente
Salvador Allende, que nacionalizou o cobre em 1971, expropriando as jazidas
às grandes transnacionais, em especial a empresas estadunidenses.
Conscientes da importância do cobre na
economia chilena e das conseqüências para toda a população que a entrega
dessa riqueza representaria, a força sindical mineira se adiantou a qualquer
reação do governo da Concertação encabeçado por Michelle Bachellet. “Foram
os mineiros de Chuquicamata os únicos trabalhadores que pararam em plena
ditadura. Tão forte foi o movimento que nem o próprio Pinochet – como
lembrei antes - com toda sua repressão pode dissolver a manifestação no
início dos anos oitenta e teve que deter a pressão imperialista”, lembrou.
A Codelco é o principal alvo das
multinacionais. Entre 2006 e 2009 entregou ao orçamento público mais de 25
bilhões de dólares, o que representa grande parte da obra social
impulsionada pelo governo.
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