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Estudantes fazem
manifestação contra invasão de EUA no Haiti
Manifestantes
fincaram a bandeira nacional em repúdio à ocupação do Palácio presidencial
por uma centena de paraquedistas da 82ª Divisão. “O palácio representa o
nosso poder, nossa identidade, nosso orgulho”, disse um dos jovens
Em repúdio à ocupação do palácio presidencial, em ruínas, por uma centena de
paraquedistas da 82ª Divisão dos EUA, os estudantes hastearam a bandeira do
Haiti no local. “Helicópteros que aterrissaram diante do palácio
presidencial provocaram reações nacionalistas de vários jovens, que fincaram
a bandeira haitiana e acusaram os Estados Unidos de se comportarem como
invasores”, registrou o enviado especial do jornal francês Le Monde,
Philippe Bolopion, ao entrevistar o presidente Préval na quarta-feira dia
20.
Antes, o mesmo jornal, ao noticiar o momento da ocupação – a cena dos
helicópteros descendo e das pessoas se amontoando junto às grades do palácio
-, já havia reproduzido a “acolhida fria” dos haitianos. “É uma ocupação. O
palácio representa o nosso poder, nossa identidade, nosso orgulho”, disse um
dos presentes.
De 1915 a 1934, os EUA ocuparam o palácio presidencial; mantiveram ali
durante décadas Papa e Baby Doc; e arrancaram desse mesmo palácio, em 2004,
o presidente Aristide. Mas, asseveram, agora é só por uma causa humanitária;
e o palácio foi ocupado, porque estavam precisando de uma “base avançada”.
Depois do palácio, foi a vez do principal hospital. Ali, nem a CNN pôde
esconder a reação dos doentes e médicos à chegada de uma centena de
brutamontes para atrapalhar o atendimento médico, que já é prestado em
situação tão extrema, e sem trazerem uma aspirina sequer.
Nos seis dias que eram cruciais para salvar o máximo de soterrados, os
norte-americanos usaram seu controle do aeroporto de Porto Príncipe para
entupir de tropas o Haiti: 70% dos vôos que chegavam, num cálculo do
Programa de Alimentos da ONU, foram militares. Os aviões com equipes de
resgate, hospitais e médicos, tinham sua aterrissagem recusada
repetidamente, ou eram desviados para a República Dominicana, como denunciou
a Cruz Vermelha Internacional e até a Ong Médicos Sem Fronteiras. Agora,
segundo denúncias das equipes de resgate da ONU, os soldados dos EUA ficam
querendo aparecer sob os holofotes sempre que chega a hora de retirar algum
sobrevivente, e continuam atrapalhando os trabalhos. Ou seja, não param de
trombar com todo mundo.
Agora, um dos principais pontos de choque é a forma com que resolveram
distribuir alimentos, que são lançados de paraquedas numa cidade de dois
milhões de pessoas, ao invés de serem entregues, de forma organizada, por
via terrestre, e dando prioridade às mulheres e, assim, às crianças e
idosos. Esse tipo de distribuição feita pelos marines provoca disputas e
violência, joga uns contra os outros e favorece os mais fortes, na opinião
de praticamente todos os setores que estão atuando no socorro às vítimas do
terremoto. Menos o Pentágono. E depois a mídia imperial fica advertindo
sobre o “aumento da violência”, saques e insegurança no Haiti. Não é à toa
que o porta-aviões nuclear chegou na frente do navio-hospital.
E nada de sutilezas. Diariamente, um avião dos EUA equipado com
radiotransmissores sobrevoa o Haiti durante cinco horas, transmitindo uma
ameaça, do embaixador norte-americano no país, Raymond Joseph, aos que
pensam em se enfiarem em uma balsa rumo a Miami. “Não corram para os barcos
para fugir do país”, afirma a gravação. “Se vocês acham que ao chegarem aos
EUA vão encontrar as portas abertas, esse não é o caso”, prossegue Joseph.
“Eles vão interceptá-los ainda no mar e vão mandá-los de volta”.
ANTONIO PIMENTA
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