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Receita da UE para a Grécia: corte de
salários para tapar rombo neoliberal
Representantes da União Européia (UE) se instalaram na semana passada em Atenas
com a justificação de analisar as estratégias do governo grego para combater o
déficit público e superar a astronômica dívida que o governo anterior, do
neoliberal Costas Caramanlis, deixou. O resultado da visita foi a ordem ao novo
primeiro-ministro, Giorgos Papandreu, no poder há dois meses, para adotar as
mais conhecidas e fracassadas medidas neoliberais.
O país acumulou dívida pública na ordem de 300 bilhões de euros, que representam
113% do PIB, segundo o jornal francês, Le Monde. Esse é o maior rombo nas
finanças públicas já registrado na história da Grécia. Além disso, a Grécia
fechou o ano de 2009 com um saldo negativo em suas contas públicas de 12,7% do
PIB.
Pelas “regras” da UE com o Tratado de Maastricht, onde os países com economias
menores são submetidos pelos mais fortes, o limite máximo de endividamento
permitido é de 3% do PIB e acima desse patamar devem se aplicar medidas
extremas. O risco país foi aumentado pelas agências de “classificação de risco”
Fitch e Standard & Poor’s, e o membro alemão do comitê executivo do Banco
Central Europeu (BCE), Jürgen Stark, em entrevista ao jornal italiano “Il Sole
24 Ore”, disse que «quem acredita que os países membros da UE vão coçar o bolso
para salvar a Grécia, se equivoca”. A solução são os ajustes da economia para
cortar gastos e direitos dos trabalhadores, disse Stark.
Giorgos Papandreu, que se elegeu condenando a política antinacional de
Caramanlis, não se contrapôs a esse tipo de exigência. Anunciou que pretende
obter 2,5 bilhões de euros mediante privatizações, outros 500 milhões a través
de cortes do gasto público - até 10% -, e outros 500 milhões com aumento de
impostos sobre cigarros e bebidas. Para chegar à diminuição das despesas
públicas planejadas no prazo de três anos, o governo pretende um corte de 10%
nas aposentadorias, um congelamento dos salários do setor público e uma redução
no orçamento de defesa.
“Não sairemos da zona do euro em caso algum”, declarou Papandreu numa
conferência de imprensa em que fez o balanço dos primeiros cem dias do governo,
justificando a renúncia as promessas que fez na campanha que o elegeu primeiro
ministro.
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