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BC usa
boletim Focus e aumenta “previsão” da Selic para 11,25%
Há quatro semanas a
previsão do boletim para a Selic no final do ano era de 10,75%
O Banco Central divulgou na segunda-feira (25) o boletim Focus no qual estima
que a Selic irá atingir no final de 2010 o índice de 11,25% e no final do
próximo ano, 11%. Desde julho de 2009 a taxa básica de juros vem sendo mantida
em 8,75%, o que em termos reais (descontada a inflação projetada para os
próximos 12 meses) equivale a 4,2%. Nesta quarta-feira (27), o Comitê de
Política Monetária (Copom) vai definir o percentual da taxa Selic.
O boletim Focus é feito pelo Banco Central, mas pretende ser um “relatório de
mercado”, sendo uma pesquisa semanal com 100 analistas de instituições
financeiras. Entre as estimativas apontadas pelo boletim está a taxa básica de
juros, invariavelmente para cima e com uma impressionante “precisão”, capaz de
prever até as casas decimais, não só do ano em questão quanto o do próximo.
Contudo, quem define a taxa Selic não é o “mercado”, mas o Banco Central. Então,
a única conclusão plausível para a divulgação semanal do boletim Focus – há
quatro semanas a previsão para a Selic no final do ano era de 10,75% - é a
sinalização por parte do BC aos especuladores sobre os números para as apostas
no cassino financeiro.
Além disso, um curioso “mercado”, esse do boletim Focus, com apenas
representantes do setor financeiro e ninguém da indústria, agropecuária ou
serviços, que estão diretamente envolvidos no resultado da inflação. Mas, os
especuladores ouvidos pelo boletim Focus apresentam os seus números para este
indicador, elevando o índice para justificar a elevação dos juros. Para este
ano, a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu
de 4,50% para 4,60% e para 2011 se manteve em 4,50%. A projeção para a inflação
de janeiro aumentou de 0,55% para 0,62%. Para fevereiro, a estimativa de IPCA
subiu de 0,53% para 0,60%.
A expectativa para a produção industrial este ano passou de 8% da última semana
para 8,3%. Para 2011, a estimativa subiu de 4,7% para 4,8%. Como se chegou a
esses números? Que fato econômico ocorreu em apenas sete dias capaz de alterar
essas projeções? Aliás, por que 8,3% e não 8,4%, ou 8,5%. Por que não 4,9% em
vez de 4,8%?
O que vai determinar se o Produto Interno Bruto (PIB) atingirá 5,3% este ano e
4,5% em 2011 serão os investimentos ou a sua falta. Evidentemente que para isso
a taxa de juros é um elemento essencial.
O fato é que o boletim Focus tem sido um instrumento dos especuladores, os
principais interessados pela política de juros altos. Portanto, suas projeções,
ou melhor, suas manipulações não têm nada a ver com as necessidades do país.
Principalmente em um momento em que os EUA desencadearam uma guerra cambial,
inundando o mundo com uma montanha de dólares sem lastro. O elevado diferencial
de juros reais entre os países – 0,25% nos EUA, contra 4,4% no Brasil –
tornou-se um atrativo para esses dólares, o que vem deteriorando o saldo da
balança comercial.
A tese do Meirelles de aumentar os juros para o país crescer uma hora vai
estourar. As contas externas já estão deficitárias. A proposta de tapar o buraco
com investimentos diretos estrangeiros é, na verdade, cavar ainda mais o buraco.
VALDO ALBUQUERQUE
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