Dilma: o PAC-2 vai combater alagamentos e áreas de risco
Ministra
inaugurou obras em Rio Claro e falou para 25 prefeitos e várias lideranças
da região
A
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o PAC-2 terá como foco
principal a universalização dos serviços de água, durante visita à cidade de
Rio Claro (SP), na sexta-feira. Ela antecipou as diretrizes do programa e
disse que uma das principais será a implantação de projetos para acabar com
alagamentos nas cidades e financiar moradias decentes para quem mora em
áreas de risco de desabamento.
“A grande prioridade do governo é o saneamento
básico. Só no estado de São Paulo o Governo Federal está investindo R$ 1,1
bilhão em obras de drenagem”, disse a ministra. Para ela, “só assim teremos
menos alagamentos, menos desabamentos e deslizamentos e, consequentemente,
menos mortes”.
Recebida calorosamente por lideranças políticas
e 25 prefeitos da região, a ministra Dilma cumpriu uma agenda de
inaugurações na cidade. Esteve no Departamento Autônomo de Água e Esgoto (DAAE)
que realiza obras de saneamento no município desde junho de 2009. A obra é
financiada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os eventos contaram com a presença do ministro
das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; do representante da
Diretoria de Infraestrutura Ferroviária do Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes (DNIT), Geraldo Lourenço de Souza; do
presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer; e do prefeito de São
Carlos, Oswaldo Barba, entre outras autoridades, prefeitos e deputados.
O deputado Michel Temer (SP), presidente
licenciado do PMDB, em seu discurso fez uma homenagem à ministra Dilma. Em
defesa veemente do papel das mulheres na sociedade ele citou o Velho
Testamento, na passagem da expulsão de Adão e Eva do paraíso, Temer afirmou
que as mulheres não são as responsáveis pela saída do homem do paraíso e sim
por trazê-los ao paraíso. Em seguida elogiou a ministra afirmando: “Tomo
você como exemplo para dizer que já levou os brasileiros administrativamente
ao paraíso e os levará politicamente ao paraíso”.
Na entrevista, após as inaugurações, Dilma
comentou os elogios de Michel Temer. “Acho que qualquer pessoa,
principalmente alguém que integra o governo Lula, pode ser escolhido
[candidato a presidente]. Mas concordo em gênero e número com o deputado
Michel Temer, e gostaria muito de levar os brasileiros ao paraíso. Acho uma
das maiores e melhores ambições que alguém pode ter”, disse ela.
Sempre acompanhada pelos anfitriões, a ministra
conheceu parte da linha férrea, no centro da cidade. Em seguida, às 11h30,
as autoridades seguiram até a Estação onde ocorreu a cerimônia de cessão da
área ocupada pelos trilhos na região central daquele município. A liberação
dos trilhos permitirá ao prefeito de Rio Claro, Dú Altimari, criar um novo
ciclo de desenvolvimento local.
A cidade se viu durante décadas separada pelos
trilhos e a situação persistiu mesmo quando, no início da década de 1990, o
fluxo de trens foi desviado da região central. Isso gerou gargalos no
trânsito, impediu o desenvolvimento do comércio e toda aquela imensa área
perdeu a vitalidade.
“Somos imensamente gratos ao governo do
presidente Lula, à ministra Dilma Rousseff e à direção do DNIT, que
compreenderam desde o primeiro momento a importância estratégica dessa nova
reivindicação e conseguiram, num tempo relativamente curto, solucionar esta
demanda e nos brindar com a cessão ao município de parte do trecho de
ferrovia que divide a cidade”, assinalou o prefeito Du Altimari.
Respondendo às críticas do PSDB, que defendeu o
fim do PAC, a ministra brincou, lembrando Ulysses Guimarães. “O doutor
Ulysses dizia que não se faz política com o fígado, conservando em geladeira
rancor e ressentimento”, disse. Sem citar nomes, a ministra Dilma Rousseff
criticou a falta de investimentos em infraestrutura, como saneamento, pelos
governos anteriores.
Na segunda-feira (25), a ministra e o presidente
Lula participaram no Rio de Janeiro da cerimônia de inauguração de obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de uma creche na comunidade
Entre Rios, da colônia Juliano Moreira. Em entrevista ao programa de rádio,
a ministra comparou investimentos feitos em 2002, último ano do governo do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Em 2002, o investimento total do
Brasil em esgotamento sanitário foi de R$ 264 milhões. Só na obra que vamos
inaugurar hoje estamos investindo R$ 100 milhões. No município do Rio, serão
R$ 2 bilhões”, afirmou a ministra.