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“Estado colonial morreu e nasce o novo Estado,
autônomo e solidário”, afirma Evo na sua posse
“O
Estado colonial morreu. Está nascendo o novo Estado plurinacional, autonômo
e solidário”, afirmou Evo Morales que, com essas palavras, recebeu pela
segunda vez a faixa presidencial para um novo mandato de cinco anos, apoiado
por 64% dos votos, com a participação de 90% dos eleitores.
Frisando o novo momento de seu governo, Evo jurou pelos “próceres da
libertação, pelos heróis que deram a vida pela pátria e pelo povo boliviano
e a igualdade de todos os seres humanos”. Os retratos dos líderes
anti-colonialistas Túpac Katari e sua esposa Barto-lina Sisa, que se
levantaram contra os espanhóis em 1781, passaram a fazer parte da fachada do
Palácio Quemado, a casa de governo, com Sucre e Bolívar.
Ele afirmou que governará para promover o desenvolvimento, a unidade e a
integração; com base na igualdade, justiça e maciços investimentos públicos
para fortalecer a Bolívia no caminho do desenvolvimento e de uma acelerada
industrialização. A Bolívia teve no primeiro governo de Evo, de 2005 a 2008,
um forte crescimento: o PIB aumentou 4,4%; 4,8%; 4,6% e 6,1%, sucessivamente
a cada um destes anos. Já em 2009, atingido pela crise, o governo anunciou
em 10 de dezembro passado que o PIB boliviano cresceu 3,5%.
O país retomou o controle de seus recursos, dos hidrocarbonetos,
principalmente do gás, e já iniciou a industrialização soberana do lítio,
potássio e outros minerais nas enormes salinas; da riqueza do ferro no Mutún
e os recursos hídricos, florestais, etc. O “grande salto industrial” com
justiça social, a construção do novo modelo territorial do Estado, e uma
profunda reformulação das instituições - que começou com propostas de
determinar um funcionamento mais sadio dos meios de comunicação e o envio à
Assembléia Legislativa de uma nova lei de aposentadoria que a coloque nas
mãos do Estado - são os pontos fundamentais do programa de governo
2010-2015.
Seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), conquistou a maioria nas duas
casas legislativas e obteve importantes votações na “meia lua” (zona
oriental do país constituída pelos departamentos de Santa Cruz, Tarija,
Pando e Beni, onde a oposição é mais forte).
”Eles pensaram que o túmulo do índio seria uma inflação semelhante à que se
produziu no governo da Unidade Democrática e Popular (1982-1985), mas não
foi assim. Rompemos todos os recordes de gestão econômica ao registrar taxas
inflacionárias mínimas e um aumento de captações por exportação, além de
aumento de salários e crescimento do PIB como não havia há muito”, disse o
presidente.
Lembrou que a oposição tentou derrubar o governo com um referendo
revogatório, em agosto de 2008, do qual saiu perdedora, porque o povo
ratificou o apoio com uma votação que os separatistas não esperavam.
Comemorou o fim da ingerência da Agência Antidrogas dos EUA (DEA, na sigla
em inglês), expulsa durante seu governo. “Felizmente, sem a DEA, conseguimos
interceptar um maior número de fábricas de cocaína que nos anos anteriores”,
registrou. Morales assinalou que “não é possível que os EUA usem uma
desgraça natural para invadir e ocupar militarmente o Haiti”, qualificando
de “desumana, selvagem e oportunista” a mobilização das Forças Armadas
americanas na ilha caribenha, por causa do terremoto que assolou o país.
“Vamos pedir, através da Chancelaria, à ONU uma reunião de emergência para
repudiar e esta invasão dos EUA ao Haiti”, sublinhou.
Um dia após a posse, Evo apresentou seu novo ministério, que será composto
de 20 pastas, a metade de-las ocupada por mulheres. Declarou que a paridade
de homens e mulheres tem o objetivo de colocar a Bolívia no caminho de uma
justiça que seu povo busca há muitos anos. Das 10 ministras que tomaram
posse, três são indígenas. Em 4 de abril, os bolivianos voltarão às urnas
para a escolha de 9 governadores, 234 deputados estaduais, 327 prefeitos e
1.700 conselheiros municipais. |