|
Japão: prefeito rejeita mudança de base dos EUA para sua
cidade
Yukio Hatoyama, primeiro-ministro do Japão,
eleito em setembro de 2009, não sabe o que fazer com as bases militares dos
EUA acantonadas no arquipélago de Okinawa.
Em 2006 o governo do PLD, partido então no
poder, fez um acordo com os EUA pelo qual manteria as bases militares em
Okinawa mas as transferiria de Futenma, no centro da principal ilha do
arquipélago, para Henoko, pequena vila a oeste de Nago onde já existe uma
base americana.
Está difícil conciliar a vontade do governo
dos EUA com a da população de Okinawa, fortemente contrária à presença
militar dos EUA no país.
As últimas eleições municipais de 24 de
janeiro último trouxeram dificuldades adicionais ao governo. Nago, cidade de
sessenta mil de habitantes, elegeu para prefeito Susumo Inamine, cuja
principal proposta apresentada durante a campanha eleitoral foi a imediata
retirada da base militar norte-americana da cidade de Nago. O prefeito é
frontalmente contra a presença militar no arquipélago.
As tensões nas relações entre os EUA de Obama
e o Japão de Hatoyama tendem a aumentar. A arrogante impaciência dos
americanos em ver resolvido o problema de localização de suas bases também,
pois, o prefeito eleito de Ginowan (90 mil habitantes) onde está a pequena
vila de Henoko - e onde já exite uma base dos EUA - não aceita a
transferência da base de Nago para lá, como pensava Hatoyama resolver o
problema.
A luta das comunidades de pescadores e
agricultores de cana de açúcar e milho faz parte de um forte movimento que
há mais de cinqüenta anos se contrapõe à presença dos EUA e suas bases
militares em Okinawa.
“Durante muito tempo os habitantes de Okinawa
se resignaram. Não adiantava protestar. O governo nada ouvia. De agora em
diante é diferente”, disse o prefeito recém eleito de Ginowan, Ioshi Iha.
“Exigimos a evacuação da base de Futenma com seu cortejo de barulho,
acidentes e criminalidade”, completou ele que quer que a base saia de Nago
mas não quer novas bases em sua cidade.
Em Henoko, 25% do território da cidade é
ocupado pela base que tem uma pista de pouso de dois mil e oitocentos
metros.
“Em um único dia acontecem entre 100 e 200
pousos e decolagens que fazem tremer os vidros das janelas das casas. O
barulho é ensurdecedor e insuportável. Os helicópteros sobem e descem a
intervalos de 5 minutos e um deles já caiu sobre a universidade”, afirmou um
indignado professor a um jornalista do Le Monde.
Okinawa tem 34 bases e 15 campos de manobra e
treinamento militar dos EUA. Dois terços dos 47 mil soldados
norte-americanos no Japão estão em Okinawa que até 1972 era administrada
pelos EUA.
Depois que o Japão recobrou a soberania sobre
o arquipélago nada mudou quanto à presença das bases militares e nem quanto
ao privilégio de extraterritorialidade dos soldados norte-americanos.
O descontentamento é tal no arquipélago que
todos os conselhos municipais das cidades que o compõem são contra a
permanência das bases militares no país.
O primeiro-ministro Hatoyama quer ter alguma
autonomia em relação aos EUA, mas não quer contrariar esse aliado
estratégico, dessa forma é difícil fazer jus às aspirações populares. E mais
distante está sua tão almejada condição de líder nacional e regional.
ROSANITA CAMPOS |