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Brasil
faz operação gigante de distribuição de
alimentos no Haiti e fortalece comando da ONU
As tropas brasileiras no Haiti organizaram uma operação de ajuda aos
haitianos em Porto Príncipe e deixaram claro a quem cabe a missão de cuidar
da segurança do país em nome da ONU na sexta-feira, 22, frente ao crescente
aumento de tropas dos EUA no país.
O batalhão brasileiro montou uma grande operação de distribuição de 10
toneladas de alimentos e 22 mil litros de água em frente ao Palácio Nacional
pela manhã para abastecer 5 mil haitianos. Num gesto que simboliza o poder
legal (da ONU) em Porto Príncipe, foram hasteadas duas bandeiras do Brasil
diante do palácio, que foi arrasado no terremoto do dia 12. Todo o alto
escalão militar brasileiro no Haiti esteve presente.
Cerca de 20 carros militares brasileiros, entre eles 10 blindados, além de
150 homens, foram levados ao palácio. A opção não foi à toa. Na terça-feira,
20 helicópteros Black Hawk dos EUA aterrissaram no mesmo local, uma atitude
que afrontou as forças de paz da ONU, sob o comando dos militares
brasileiros, oficialmente responsáveis pela segurança do Haiti. Durante a
entrega da comida, dois helicópteros americanos pousaram no local. O vento
chegou a derrubar uma das bandeiras brasileiras.
O general Floriano Peixoto Vieira Neto, chefe das forças de paz da ONU no
Haiti, não escondeu que a entrega dos alimentos serviu para, além de ajudar
os haitianos, o Brasil “marcar posição”, segundo palavras dele, em relação
ao controle da segurança em Porto Príncipe. O general comanda uma tropa de 7
mil militares de vários países. O Brasil tem o maior contingente, com 1.266
soldados.
CHEFE DA MINUSTAH
Em seu discurso, Floriano Peixoto adotou um tom de recado aos EUA. “Eu,
general Floriano Peixoto, sou o comandante. Meu papel é de grande
articulação. Aqui tem um brasileiro, um chefe da Minustah (nome da missão da
ONU). A parte de segurança cabe a um general brasileiro. Não podemos perder
a oportunidade de mostrar isso ao Brasil. Temos o maior contingente de
tropas”, afirmou. “A participação deles (EUA) é temporária”, ressaltou,
referindo-se ao acordo entre ONU e EUA, segundo o qual os americanos
cuidarão apenas da ajuda humanitária.
Em entrevista na terça-feira, o chefe civil da missão da ONU, o guatemalteco
Edmond Mulet, afirmou que a presença dos EUA no Haiti é “temporária” e
“limitada”. Diante do palácio, uma enorme praça abriga milhares de haitianos
desabrigados. “O Brasil é o responsável por essa área. Aqui é o centro do
poder”, reforçou o coronel João Batista Bernardes, que comanda as tropas
brasileiras. Para o sábado, 23, foi programada uma distribuição conjunta de
alimentos, uma ação para tentar mostrar que a situação é pacífica, apesar do
mal-estar entre os dois países em Porto Príncipe.
Na quinta-feira, três oficiais americanos, entre eles um do setor de
inteligência, fizeram uma visita ao general João Batista Bernardes. Eles
discutiram os termos da parceria e foram cobrados a dar explicações sobre o
pouso dos 20 helicópteros no gramado do palácio. O comando militar dos EUA
disse que tudo não passou de um treinamento de resgate de sobreviventes.
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