|
Entidades condenam manutenção da taxa de juros em 8,75%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
manteve na quarta-feira (27) a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano,
o mesmo patamar desde julho do ano passado. Com isso, o país passou
novamente a ter a maior taxa real de juros do mundo, 4% ao ano (descontada a
inflação), segundo a consultoria UpTrend.
Na segunda-feira (25) que antecedeu a reunião do Copom, o BC
divulgou seu boletim Focus “prevendo” o aumento da Selic para 11,25% até o
final do ano e da inflação, ao contrário das entidades de empresários e
trabalhadores que afirmam que os juros altos freiam o crescimento e que não
há pressão inflacionária.
Na avaliação do presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, “em um
ambiente inflacionário confortável e diante de sinais de pujança econômica
abaixo das expectativas, a decisão do Copom foi tímida. O comportamento do
emprego em dezembro surpreendeu negativamente, enquanto ganha espaço no
mercado a previsão de fechamento negativo do PIB de 2009”.
Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva
(Paulinho), “a manutenção dos juros em patamares estratosféricos é contrária
a qualquer projeto de estímulo da retomada do crescimento econômico”.
“A insensatez do Copom diante das necessidades de crescimento
do país e da entrada desenfreada de capital especulativo, registrada no
último ano, demonstra mais uma vez que os tecnocratas do Banco Central não
tomam as suas decisões baseadas em números, mas por uma motivação
incontrolável de sabotar o esforço do governo para gerar empregos e promover
o bem-estar dos brasileiros”, afirmou o presidente da CGTB, Antonio Neto.
A CNI e Fiesp destacaram que a taxa de juros estável é
importante para que o país volte ao nível anterior à crise, mas rechaçaram
qualquer alta na taxa de juros. Para a CNI, “o indicador de capacidade
instalada está longe do patamar pré-crise e o processo de deflação dos
produtos industriais é suficiente para cobrir eventuais pressões oriundas de
outros setores. Há, portanto, espaço para estimular a produção”.
Segundo a Fiesp, “há condições para reduzir a taxa Selic”. “Não
há razões concretas para pensar em um aumento de juros. Isto seria um grave
retrocesso e uma ameaça ao futuro do Brasil”, declarou o presidente Paulo
Skaf.
Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo
(Fecomércio-SP), “não vê motivos para elevação de juros nem mesmo para a
expectativa de mercado de elevação futura das atuais taxas”.
No ranking de juros reais, o Brasil é seguido da Indonésia
(3,6%), China (3,3%), Austrália (2,4%) e Japão (2%), completando os cinco
primeiros colocados. A média geral das 40 maiores economias é -0,1%. A taxa
real de juros nos EUA está em -2,5%, o que em relação ao Brasil dá um
diferencial de juros de 6,5%, constituindo-se no principal fator para a
entrada de dólares no país, tendo como consequência a sobrevalorização do
real.
|