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MST denuncia
prisões arbitrárias e falsificação de provas em Iaras
E a mídia
espetacularizou as detenções: “Foto publicada com um homem algemado diz tudo”,
afirmou Dirceu Fumagalli, da Pastoral da Terra
A direção do MST em São Paulo afirmou, na terça-feira (26), que a prisão de nove
pessoas na região de Iaras, interior do Estado, é uma tentativa da Cutrale de
forjar provas contra o movimento, acusando os agricultores de roubo durante a
ocupação, em outubro de 2009, de terras griladas pela empresa. A área, reclamada
pela União para implantação de assentamentos, é ocupada ilegalmente há mais de
cinco anos pela transnacional do agronegócio com plantações de laranja.
Uma nota divulgada pelo MST denunciou que as prisões representam “o
aprofundamento de todo um processo de criminalização e repressão, que foi
acelerado a partir da repercussão exagerada e dos desdobramentos políticos
ocorridos” após a ocupação na fazenda da Cutrale. Como ocorreu na ocasião da
ocupação, a mídia atuou para criar um clima de “espetacularização” das
detenções, inclusive com a filmagem das prisões por uma TV local.
“A foto publicada no Estado, com um homem algemado e puxado por um policial, diz
tudo sobre a cultura jurídica em vigor neste país, onde qualquer pobre que se
organiza é visto como criminoso”, disse Dirceu Fumagalli, integrante da Comissão
Pastoral da Terra (CPT).
“Os policiais, além de cercarem casas e barracos, prenderem pessoas e promoveram
o terror em algumas comunidades, também têm apreendido pertences pessoais de
muitos militantes exigindo notas fiscais e outros documentos para forjar
acusações de roubos e crimes afins”, ressaltou a nota do MST.
O advogado Bruno de Oliveira Pregnolatto, integrante da Rede Nacional de
Advogados e Advogadas Populares (Renap), que dá assistência às famílias,
advertiu que a empresa está tentando, com isso, forjar provas contra os
agricultores, induzindo à interpretação de que os objetos teriam sido roubados
durante a ocupação das terras griladas. “Eles querem produzir provas que não têm
contra as famílias”, afirmou.
“Aquilo é terra pública. A Cutrale está tentando através do plantio de laranja
justificar o grilo naquela região. Tivemos que fazer uma ocupação para que o
Estado arrecade uma propriedade que é sua e que está sendo utilizada por grandes
grupos e onde já deveria ter sido feito um assentamento há muito tempo”,
enfatizou o integrante da coordenação nacional do MST, Gilmar Mauro.
Após participar de um evento no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), na
terça-feira (26), o dirigente avaliou que a ação policial também teve motivação
política. “Infelizmente, as prisões vieram, no nosso modo de ver, num gesto
típico de tentar fazer show em período pré-eleitoral. Se houvesse alguma
negativa, de algum deles, em responder processo até se justificaria qualquer
tipo de prisão, seja preventiva ou provisória. Mas nenhum se negou a prestar
esclarecimentos à Justiça”, afirmou.
Gilmar Mauro denunciou ainda que as pessoas detidas foram levadas para
diferentes presídios, “numa clara intenção não de contribuir com o processo, mas
numa tentativa de dispersar todos os militantes que foram presos, caracterizando
uma prisão política”. Entre os presos está o ex-prefeito de Iaras, Edilson
Grangeiro Xavier (PT), a vereadora Rose (Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa),
também do PT, e o marido dela, Miguel da Luz Serpa.
Na quarta-feira (27), líderes de organizações ligadas à defesa da reforma
agrária também acusaram a polícia de ter agido com objetivos políticos e
eleitorais. O deputado estadual Simão Pedro (PT), da Frente Parlamentar pela
Reforma Agrária, pediu explicações ao governo sobre possíveis irregularidades na
operação. “Não podemos concordar com o fato de os advogados não terem tido
acesso aos autos do inquérito. Isso tolhe o direito dos presos”, assinalou. |