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Comportas tinham
que ter sido abertas no ano passado, diz prefeito de Atibaia
O
prefeito de Atibaia, José Bernardo Denig, disse que os alagamentos que atingiram
900 famílias na cidade, desde o último final de semana, poderiam ser evitados se
a Sabesp tivesse feito um planejamento para liberar a água das represas do
Atibainha (Nazaré Paulista) e Cachoeira de Piracaia. Até o dia 19 de dezembro, a
Sabesp liberava um metro cúbico por segundo das represas. Desde então, a empresa
passou a liberar 18 metros cúbicos por segundo mesmo quando a cidade já estava a
duas semanas em situação de emergência, com cerca de 80 famílias desalojadas e o
maior registro de chuvas em janeiro dos últimos 80 anos.
“Desta forma, os níveis de armazenamento acabaram chegando ao limite e a Sabesp
continua despejando muita água no Rio Atibaia”, falou Denig, na segunda-feira,
completando que “a discussão gira em torno da liberação antecipada de água, que
poderia ter começado no ano passado. Se fosse assim, o despejo hoje seria menor
e não contribuiria para a manutenção dos alagamentos em Atibaia”. Para Denig, “o
desabastecimento da grande São Paulo é a única preocupação da empresa”.
A empresa, responsável pelo Sistema Cantareira de Abastecimento, que inclui as
represas de Nazaré Paulista e Piracaia, abastece parte da região metropolitana
de São Paulo. Segundo o gerente da Divisão de Gestão de Recursos Hídricos da
Sabesp, Carlos Roberto Dardis, para cumprir seu papel uma situação confortável
de abastecimento requer que o nível da água na no sistema esteja entre 45% e
55%.
Em setembro do ano passado, quando começaram as chuvas – e as enchentes, o nível
de armazenamento das represas estava em 85%.
“Em setembro, chegamos a fazer simulação de descarga, aumentando a vazão nas
comportas”, afirmou Dardis durante um encontro com prefeitos e representantes de
Atibaia, Nazaré Paulista, Piracaia e Bom Jesus dos Perdões, realizado no dia 14
de janeiro, quando a região já sofria com as enchentes. “Mas a Câmara Técnica
decidiu que não haveria necessidade de descarga de água naquele momento”, disse.
Na noite de segunda-feira (25), a Sabesp informou à prefeitura de Atibaia que a
situação das enchentes pode se agravar. O volume de água da represa Nazaré
estava prestes a chegar no compartimento de segurança que serve para extravasar
o excesso, a tulipa. Havia risco do Rio Atibaia subir ainda mais e chegar a
bairros que ainda não foram atingidos. Caso a água da represa atingir a tulipa,
a Sabesp não teria mais o controle da vazão e nem como medir os possíveis
impactos do avanço da água nas cidades envolvidas.
O pânico tomou conta dos moradores da cidade na manhã de terça-feira. Segundo
reportagem do jornal Atibaia News, pelo menos 30 pessoas circulavam pela
rua principal do bairro Jardim Sueli carregando sacolas de roupas e outros
pertences. Moradores chegavam de carro em desespero, tentando chegar logo em
casa. Senhoras, crianças e jovens, choravam de medo.
“Mãe, vamos embora, a água vai matar a gente”, disse uma adolescente que chorava
desesperadamente ao falar com a mãe ao telefone. Segundo a reportagem, a
informação que chegou aos moradores é que a represa tinha estourado. “Uma pessoa
veio aqui e disse que a represa estourou e que a água vai chegar aqui muito
rápido e a gente precisa sair depressa”, afirmou outra moradora.
Na mesma terça-feira, as represas de Atibainha e Jaguari, transbordaram. A água
começou a extravasar pelos vertedouros (a parelhos que medem a vazão da água).
As inundações podem, agora, atingir cerca de 12 municípios, onde vivem 800 mil
pessoas. Segundo a Sabesp, além das quatro cidades que já sofreram com as
inundações, Bragança Paulista, Caieiras, Franco da Rocha, Joanópolis, Mairiporã,
Vargem, Capivari e Itatiba também estão sob risco. |