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Primeiro-ministro Jean Max Bellerive em reunião ministerial em Montreal:
“Estado do Haiti tem condições de comandar
sua reconstrução”
Declaração
dos 13 países reunidos exige respeito à soberania do país, assim como à ação
da ONU. EUA fica isolado por tentar aproveitar tremor para dominar o país.
Hillary diz que capacidade do governo deve ser “considerada”
“O
Estado haitiano trabalha em condições precárias, mas está capacitado para
cumprir com a liderança que a população espera dele”, afirmou o
primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive na conferência que reuniu
ministros de diversos países em Montreal no dia 25. Além do
primeiro-ministro haitiano, e da ONU participaram do encontro ministros de
13 países (Argentina, Brasil, Canada, Chile, Costa Rica, França, México,
Peru, Estados Unidos, Uruguai, Japão, Espanha, e República Dominicana).
Bellerive destacou que o apoio de outros países é bem-vindo e que “estamos
conscientes de que a responsabilidade pelo nosso futuro recai sobre as mãos
do governo e do povo haitiano”, afirmou Bellerive. “Foi criada uma confusão
porque o governo haitiano não tem mais nossos prédios à disposição. Mas
apesar disso, estamos atuando”.
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, apoiou seu
colega do Haiti: “Não estamos aqui para substituir as autoridades
legítimas”.
A indignação internacional e dentro dos EUA, onde já houve manifestações em
24 cidades contra a invasão do Haiti com 20 mil soldados quando os haitianos
precisam de médicos, enfermeiras e bombeiros, levou a secretária de Estado
dos EUA, Hillary Clinton, a encenar uma desajeitada de composição com o
clima reinante em Montreal. “Temos que considerar a capacidade do governo do
Haiti de unificar os esforços internacionais”.
A declaração final destacou o reconhecimento do governo do Haiti. Foi
marcado um novo encontro em Nova Iorque em março para definir um programa de
arrecadações e distribuição dos recursos sob orientação do governo haitiano.
A Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), da qual participam países da
América Latina e Central aprovou um plano de assistência ao Haiti, e
comprometeram-se a entregar US$ 100 milhões O presidente da Venezuela
anunciou o perdão da dívida do Haiti pela compra de combustível venezuelano.
“O Haiti não tem dívida com a Venezuela; a Venezuela tem uma dívida
histórica com essa nação, com esse povo”, disse Chávez.
O primeiro-ministro Jean Max agradeceu à comunidade internacional pela ajuda
e fez especial menção a Cuba, Venezuela e República Dominicana, os quais
“imediatamente chegaram para ajudar a nossa população afetada”.
Na entrevista concedida à dirigente da organização Democracy Now!, Amy
Goodman, o jornalista Kim Ives que editor de Haiti Liberté, repudiou o envio
de tropas ao invés de ajuda e lembrou o passado de intervenção dos EUA no
país. Para ele, o melhor seria trazer de volta o presidente derrubado por um
golpe promovido com apoio norte-americano, Jean Bertrand Aris-tide, em 2004
(este foi precedido de outro que também o derrubara em 1991, também com
apoio dos EUA). Sua vinda “criaria um contra-terremoto de esperança e
orgulho popular”, diz Kim Ives.
O jornalista ressalta que “impuseram políticas econômicas após expulsarem
Aristide, que havia manifestado uma orientação nacionalista para construir a
auto-suficiência do Haiti. Os EUA não aceitavam, queriam que se
privatizassem as nove estatais [entre elas a indústria de cimento e as
telecomunicações].
Kim Ives ressalta que após a revolução de escravos que levou o Hatiti à
independência, passaram-se 60 anos e só com Abraham Lincoln o governo
haitiano foi reconhecido, depois da Guerra Civil nos EUA. Mas “em 1915, os
marines invadiram o país e se apoderaram do banco central e do governo.
Ocuparam o país até 1934; depois instalaram a Guarda do Haiti, que funcionou
como um braço dos marines para proteger os interesses dos EUA no país. A
intervenção conduziu à ditadura de François Duvalier (Papa Doc) que, quando
morreu (em 1971), delegou seu título de presidente vitalício a seu filho,
Jean-Claude Duvalier (Baby Doc)”.
“A segurança é um pretexto”, destaca Ives, “vemos em todas as partes do
Haiti que a população se organiza em comitês populares para limpar, tirar os
cadáveres dos escombros, construir acampamentos de refugiados, estabelecer
segurança para esse acampamentos”. Quanto ao socorro às vítimas e o início
da reconstrução “são coisas que o povo haitiano pode fazer por si e está
fazendo para si mesmo”. |