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“Sem chão para disputar eleições, oposição
recorre
à baderna e tira a vida de 2 jovens, afirma Chávez
“Ocorreram fatos lamentáveis em Mérida [estado na região oeste do país, na
fronteira com a Colômbia], onde grupos que pretendem deses-tabilizar o país
provocaram a morte de dois jovens. Em nome do governo, do meu próprio e da
minha família faço chegar nossos sentimentos mais profundos de pesar aos
familiares de Yasinio Carrillo e Marcos Rosales. Esse é um crime
inaceitável. Buscam encher de angústia a população com seus métodos de
comunicação de terror”, afirmou o presidente Hugo Chávez, dia 26, no
programa de televisão La Hojilla [A Lâmina], chamando a oposição à “que
façam política em lugar de incitar à violência”.
A pedido da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), no domingo
passado as empresas operadoras de TV a cabo da Venezuela tiraram do ar
temporariamente a RCTV (ver matéria nesta página), por não cumprir com a Lei
de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão. A medida foi usada pela
oposição para promover badernas, agindo como se tratasse de um fechamento
permanente e atingisse a liberdade de expressão.
“Tomara que pudessem surgir do seio da oposição alguns políticos sérios, que
não tenham como principal forma de trabalho a mentira, a farsa, a
irresponsabilidade e que depois pretendem a impunidade”, assinalou Chávez.
“Essa oposição encabres-tada ao imperialismo e à oligarquia sempre utilizou
qualquer pretexto para organizar sua ‘guarimba’ (baderna na gíria
venezuelana), seja a recuperação da Petróleos de Venezuela, seja a energia,
seja a reforma educacional, e agora a RCTV. A verdade é que estão se
sentindo sem chão para disputar em setembro”, disse o presidente,
referindo-se às eleições para a Assembléia Legislativa de 26 de setembro.
Robert Sierra, dirigente da Juventude do Partido Socialista Unificado da
Venezuela, presente na manifestação que apoiava a decisão da Conatel,
denunciou a “atuação de atos violentos de franco-atiradores pagos pela
direita”.
“A oposição golpista venezuelana, com o senhor Marcel Granier, diretor e
dono da RCTV, na cabeça, insiste em seus chamados à violência. Granier se
coloca mais uma vez à margem da legalidade e busca atingir o governo se
valendo de jovens inocentes”, declarou a deputada e dirigente do PSUV,
Desirée Santos.
O governador do estado de Mérida, Marco Díaz, disse que a oposição tem uma
agenda de violência que pretende repetir “o golpe de Estado que em 2002
derrubou o presidente Hugo Chávez durante dois dias”, e disse ainda que a
RCTV – que também transmite na Colômbia – “anunciou que tinha acontecido uma
morte em Mérida quando nesse momento ainda não tinham ocorrido os disparos
dos franco-atiradores”.
“È importante perceber que o caso RCTV não é um problema de legalidade
provocado por algum descuido involuntário, mas se trata de senhores que
acreditam estar acima do Estado e da sociedade venezuelana”, sublinhou
Nicolas Maduro, ministro de Relações Exteriores, advertindo que para voltar
a normalizar as transmissões existem dois caminhos: que se convertam em um
canal internacional, e que sua produção corresponda a isso; ou que se
assumam como um canal nacional e então respeitem a legislação venezuelana. |