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Presidente da República Dominicana dá boas
vindas a Manuel Zelaya e condena o golpe
Ao
desembarcar na República Dominicana, o presidente de Honduras Manuel Zelaya
foi saudado pelo seu colega dominicano, Leonel Fer-nandez: “A forma como seu
governo foi interrompido e desconhecida sua Constituição representou uma
afronta à República Dominicana e a toda a América Latina. Da República
Dominicana condenamos sempre o golpe de Estado”.
“O repudiamos em todos os foros. Era uma obrigação moral para a República
Domi-nicana”, acrescentou Fernandez que declarou considerar Zelaya “um
símbolo da democracia no Continente”.
Zelaya agradeceu a ação do presidente da República Dominicana pelas
negociações e pela recepção em seu país. Zelaya encontrara abrigo na
embaixada do Brasil, que desde o primeiro dia em que recebeu o presidente
legalmente eleito, teve seu prédio cercado por tropas. O presidente de
Honduras lembrou agradecido o gesto do presidente Lula que o resguardou do
regime golpista de Micheletti por 129 dias.
Fui perseguido em meu país, “havendo sido escolhido em eleições livres,
transparentes e honestas”, ressaltou Zelaya, que agradeceu ainda à OEA e aos
dirigentes presentes neste organismo o apoio à luta pelo resgate da ordem
democrática.
Zelaya, deixou o aeroporto de Tegucigalpa, no dia 27, junto a seus
familiares e ao presidente da República Domi-nicana, Leonel Fernández, rumo
à capital do país caribenho, Santo Domingo, após o término de seu mandato
constitucional. Lá permanecerá como hóspede distinto.
A saída de Zelaya foi garantida após um acordo entre o presidente dominicano
e Porfírio Lobo, eleito nas eleições presidenciais convocadas sob o regime
golpista de Roberto Micheletti. Porfírio Lobo tomou posse também na
quarta-feira, em uma cerimônia que contou com amplo desconhecimento
internacional.
Zelaya expressou sua intenção de retornar a Honduras quando existam
condições para enfrentar a justiça de seu país sem que seja submetido a
veredicto manipulado pelos grupos golpistas. Ele afirmou o desejo de voltar
“para que o povo hondurenho se apodere do direito que lhe cabe”.
Diante da partida de Zelaya, uma gigantesca marcha foi convocada pela Frente
Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado. A marcha dirigiu-se ao
aeroporto de Toncotín, na capital Tegucigalpa, portando bandeiras e faixas
de apoio ao ex-presidente em rechaço à posse de Lobo, após campanha sob
regime golpista.
Em comunicado difundido na mesma data, a Frente reiterou sua decisão de
desconhecer o governo de Lobo, por considerá-lo “a continuação da ditadura
imposta pela oligarquia”, e anunciou que permanecerá na luta por uma
Assembléia Nacional Constituinte.
“Porfírio Lobo não é reconhecido pela resistência como novo presidente de
Honduras pela forma em que foi eleito, sob um regime golpista e sob a
repressão. É o herdeiro do golpe de Estado”, declarou Juan Barahona,
coordenador da Frente, composta por diversas organizações sindicais, de
trabalhadores rurais, indígenas e políticos progressistas.
No aeroporto, os seguidores de Zelaya entregaram a faixa presidencial
constitucional, ao líder da Frente de Resistência, Barahona, como legítimo
representante do povo hondurenho. |