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RCTV foi a única dentre 105 canais a negar-se
a acatar lei da Venezuela
Representantes dos canais TV Chile, American Network, Ritmoson, Sport Plus e
Momentum, que tiveram no domingo passado o seu sinal temporariamente
interrompido na Venezuela, entregaram a documentação exigida pela Comissão
Nacional de Telecomunicações, Conatel, que comprova que são canais
internacionais o que permite restabelecer suas transmissões nos próximos
dias.
A Conatel
requereu a documentação para que os canais de televisão que operam no país
fossem qualificados sobre os Serviços de Produção Nacional Áudiovisual,
tendo sido atendida por 104 canais. Só seis ultrapassaram todos os prazos
estipulados e tiveram seu sinal interrompido até que as leis do país fossem
respeitadas.
A Norma Técnica
que complementa a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão,
aprovada em 2005, entrou em vigência no dia 23 de dezembro. A nova regra
determina que os canais que transmitem em território nacional tinham até
quinze dias para apresentar suas documentações à Comissão Nacional de
Telecomunicações (Conatel) e protocolar seu pedido de ingresso ao grupo de
produtores nacionais ou internacionais.
Pela Lei são
considerados como produtores nacionais aquelas emissoras com 70% ou mais de
produção nacional, que seja realizada com capital, pessoal técnico,
artístico e que sejam produzidas em locações venezuelanas.
Neste caso, os
canais devem se submeter à legislação nacional, que prevê a transmissão de
cadeias nacionais e mensagens governamentais, estabelece limites para a
transmissão publicitária e regulamenta a programação por elementos de
linguajem, saúde, sexo e violência que determina a recomendação por faixa
etária, entre outras normas.
De 105 canais em
operação, só seis não compareceram. Assim, a RCTV e os canais Sport Plus,
Momentum, Ritmo Son, America TV, TV Chile e American Network, foram
qualificados automaticamente como produtor nacional. Com essa classificação,
as emissoras teriam de respeitar a legislação interna, o que não vinha
ocorrendo.
Na semana
passada, dois dias antes da suspensão das transmissões dos seis canais, o
diretor da Conatel, Diosdado Cabello, advertiu que as emissoras teriam de
enquadrar-se à legislação ou, do contrário, seriam tiradas do ar. As
emissoras mantiveram seu desrespeito a legislação em vigência e foram
punidas sendo tiradas do ar temporariamente à meia-noite do sábado, 23 de
janeiro.
Para constatar
se uma emissora deve ser classificada como nacional ou internacional, a
Conatel avaliou o conteúdo de programações durante quatro meses consecutivos
e constatou, no caso da RCTV, que 94% da programação era de conteúdo
nacional e apenas 6% internacional.
A Conatel
esclareceu que a suspensão é transitória e pode ser revertida se os canais
se apresentarem ao organismo, solicitando seu registro na categoria a que
pertencem. Assim, na segunda-feira, dia 25, cinco, dos seis canais
suspensos, já apresentaram documentos para regularização de suas
transmissões, com exceção da RCTV.
“O representante
do grupo Televisa, do qual formam parte os canais American Network e
Ritmoson, realizou uma visita a Conatel, onde conversou sobre a aplicação da
Norma Técnica ditada pelo Diretório de Responsabilidade Social, e se mostrou
satisfeito pela receptividade da instituição para com seus representantes,
considerando que a Norma vem preencher um vazio legal existente”, assinalou
em comunicado a Conatel.
O diretor geral
da Comissão, Diosdado Cabello, declarou que continua com as portas abertas
para receber os outros canais a cabo, particularmente a RCTV, que ainda não
entregaram a documentação pedida.
Ao invés de
apresentar a documentação solicitada parece preferir continuar com a empresa
lacrada para chorar a ‘falta de liberdade’ sob o comando de Chávez. “Não
vamos medir esforços até que a RCTV volte ao ar, ao ar da Venezuela, ao ar
da liberdade”, disse o presidente da empresa Marcel Granier. |