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Casa Branca quer manter indefinidamente 50
presos sem julgamento em Guantánamo
O governo Obama anunciou na sexta-feira, 22, que pelo menos 50 dos presos na
base militar de Guantánamo serão mantidos trancafiados por tempo indeterminado e
sem julgamento. A recomendação – acatada pela Casa Branca – foi feita por uma
comissão do Departamento de Justiça, responsável pela revisão da situação de
cada um dos quase 200 detidos no campo de concentração mantido em território
cubano, sob ocupação dos EUA.
A Comissão do Departamento de Justiça considerou que os 50 detidos não podem ser
julgados porque não há contra eles evidências ou provas que permitam um processo
legal. Ou ainda porque as “provas” foram produzidas em “confissão” sob tortura.
Mas como são considerados “perigosos”, devem ser mantidos presos
indefinidamente. Assim, a decisão pública do presidente Obama de fechar
Guantánamo, anunciada dois dias após sua posse, está adiada indefinidamente.
A Comissão da Justiça definiu ainda que 35 presos serão julgados em tribunais
federais ou militares e 110 serão transferidos ou soltos. Há também 30 detidos
de cidadania iemenita que só serão libertados quando o Iêmen for “estabilizado”.
Dessa forma, perde a validade, também, a promessa de Obama de fechar o antro de
tortura em Guantánamo no prazo de um ano após sua posse.
“O governo não deve criar uma “Guantánamo do norte”, trazendo presos para os EUA
e os detendo ilegalmente”, afirmou Anthony Romero, diretor da União Americana
pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês). “Se isso for feito, o
fechamento da prisão será reduzido a um gesto simbólico”, completou o diretor da
ACLU, Anthony Romero.
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