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Sindicatos belgas fazem
‘Marcha pelo Emprego’
Sindicatos e centrais sindicais da Bélgica convocaram para esta sexta-feira
29, às 10 horas da manhã, a “Marcha pelo Emprego”. A manifestação acontecerá
na Praça Shuman, na capital, Bruxelas e é convocada também por partidos
políticos e outras entidades sociais.
Em sua convocatória o PTB, Partido do Trabalho da Bélgica denuncia que a
Opel apesar de ter obtido um lucro de mais de 3 bilhões e 400 mil euros quer
liquidar 3000 empregos no país.
A General Motors anunciou no último 21 de janeiro o fechamento até junho de
2010 da Opel de Antuérpia e a demissão de 2.606 funcionários. Assim a
empresa começa a aplicar seu plano de demissão de 8.300 trabalhadores em
toda a Europa que atingirá a Alemanha, a Hungria e a Espanha.
Em Antuérpia os trabalhadores da Opel iniciaram um bloqueio para impedir a
saída de carros novos da fábrica.
Do mesmo modo a AB-InBev, que auferiu o altíssimo lucro de 1 milhão e 546
mil euros só nos 9 primeiros meses de 2009 - mais do dobro do que teve a
InBev em 2008 (690 milhões de euros) antes da fusão - distribuiu bônus
polpudos aos seus executivos e dividendos encorpados aos seus acionistas,
mas persiste em sua estratégia “demitir para lucrar”.
A AB-InBev, maior cervejaria do mundo depois da fusão com a americana
Anheuser-Busch e detentora de 300 marcas espalhadas mundialmente, acabou de
receber do governo da Bélgica uma redução fiscal de 70 milhões de euros para
investir na criação de novos empregos. “Nos exigimos que ela devolva essa
quantia aos cofres públicos, pois, ao contrário do que diz seus executivos,
o plano de reestruturação da empresa prevê a redução de 200 empregos em
Louvain, a maior fábrica do país, 65 em Liège, outros tantos em Jupille e no
depósito de Ans. Nessas cidades os trabalhadores da InBev, em protesto,
cruzaram os braços nos seus postos de trabalho do dia 8 a 11 de janeiro”,
diz o porta-voz do PTB.
“Há uma previsão de que 100 mil trabalhadores sejam desempregados em 2010 e
o governo belga continua com sua política de presentear as grandes empresas
privadas com dinheiro público. O governo continua sem planos para a criação
de novos empregos. ‘Nós não vamos pagar por essa crise’”, afirma o
presidente do PTB, Peter Martens.
O partido belga propõe que seja legalmente proibido às empresas que têm
lucros e distribuem dividendos de demitirem seus funcionários. E acrescenta
que para que se criem novos empregos é preciso taxar as grandes fortunas.
A “Taxa dos Milionários”, como ficou conhecida a proposta do PTB, prevê que
2% dos belgas (os mais ricos) paguem um imposto num valor entre 1 e 3% de
suas fortunas. Isso geraria uma arrecadação adicional para o governo de 8,7
bilhões de euros e poderia ser aplicada em geração de empregos, proteção à
indústria, em saúde e educação.
Se 3 bilhões de euros fossem aplicados na criação de novos empregos públicos
ainda teria a vantagem de melhorar os serviços do Estado. Tal lei não seria
nenhuma novidade. Ela já existe há bastante tempo na França e funciona muito
bem, disse um sindicalista.
O presidente do PTB, Peter Martens, considera que “é preciso que o governo
tenha um ambicioso plano de empregos no setor público e que ele seja
financiado pelas grandes fortunas através da “Taxa dos Milionários”.
As entidades organizadoras da Marcha pelo Emprego estão divulgando e
convocando a manifestação em todo o país e esperam uma grande participação
dos trabalhadores em defesa de seus empregos.
ROSANITA CAMPOS
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