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Povo vs. bancos
Estímulo ou austeridade?
SHAMUS COOKE*
As nações mais fortes do mundo encontraram-se recentemente em Toronto, no
G20, e conseguiram se entender em apenas uma questão significativa: a
necessidade de reduzir deficits, “à metade em 2013”. Implícito na declaração
é a necessidade de atingir isso via “austeridade”, o que significa reduzir
os programas sociais.
Porque sera que todo politico metido a entendedor e chefe de corporação
concordam fanaticamente em reduzir deficits como a coisa mais importante a
fazer? Deixe Obama explicar: “...se os mercados financeiros ficam
desconfiados e perdem a confiança na solvência fiscal do país isso também
vai minar nossa retomada”.
Aparentemente, a política mais importante para a economia mundial não pode
ser explicitada em termos claros. O que Obama quer dizer? Essencialmente,
diz que os “mercados financeiros” devem determinar como a riqueza é
distribuída e como a economia é dirigida.
O que são os mercados financeiros? Por que deve todo país ficar a sua mercê?
Um mercado financeiro é qualquer lugar onde os super-ricos investem seu
dinheiro. Pode ser através de um banco, hedge fund, ou corretora privada,
etc. Os ricos exigem que seus investmentos estejam seguros e por tanto são
especialmente “desconficados” ao menor sinal de inflação ou distensão
econômica.
Os ricos que dominam os mercados financeiros advogam uma única solução para
equilibrar orçamentos: reduzir ou eliminar programas sociais. Eles ignoram a
outra solução – um projeto massivo de trabalho – por que isso afeta
diretamente a eles em uma forma negativa: eleva os impostos sobre os ricos.
Isso levanta outra questão. Os investidores que controlam os mercados
financeiros sabem que o dia da prestação de contas está chegando: a dívida
massiva que empurrava para a frente a economia mundial durante anos precisa
ser paga, e os que possuem os bancos não querem a responsabilidade. É melhor
sacrificar os serviços sociais de milhões de trabalhadores, aposentadorias,
salários, etc., do que taxar alguns milhares de investidores.
Alguns hão de argumentar que é contraproducente taxar os ricos, por que eles
então escolherão não investir seu dinheiro, causando dano maior ainda à
economia. Mas isso já está acontecendo e acontece toda vez que bate uma
época de recessão.
O New York Times descreve um exemplo dos ricos entesourando seu dinheiro até
que tempos melhores e mais lucrativos cheguem:
“Somente em Wall Street, no reino rarefeito dos grandes compradores, se
poderia ter dinheiro demais...Firmas de investimentos em títulos, onde a
tomada de corporações são planejadas e organizadas, estão hoje sentadas
sobre estimados US$ 500 bilhões. Mas os promotores de negócios estão
desesperados por achar negócios que valem a pena ser feitos...(24 de junho
de 2010).
Investidores ricos deixam de investir em companhias porque os consumidores
não compram os produtos que as corporações produzem. E aonde os economistas
acusam a falta de “confiança dos consumidores” por este problema, a questão
real segue sendo “empobrecimento dos consumidores”.
É ao investidor rico falta “confiança” de que o desempregado ou o
trabalhador com salário rebaixado possam comprar bastante dos produtos
produzidos pelas corporações. Este é o problema que continuará a perseguir
os economistas do establishment, que de forma incessante vão pregar que a
economia está perpetuamente no limiar da retomada. Esta ilusão de retomada
está sendo instituída como política de governo. A administração Obama tem
argüido que o dinheiro do estímulo federal é necessário apenas em pequenas
doses para colocar a economia de volta nos trilhos. Com os políticos
concordando que a recessão está “basicamente superada”, menos dinheiro para
o estímulo é ofertado.
De fato, o Congresso tem tomado um enorme tempo para passar a lei mais de
estímulo mais tênue, que estenderia benefícios do desemprego e ajudaria os
Estados nos custos do Medicaid. Se uma tal lei eventualmente passasse isso
seria uma mera fração do que é necessário.
Por que Obama insiste que “reduzir deficits” é a nova prioridade de governo,
a torneira do estímulo vai rapidamente secar (uma vez que o estímulo do
governo é financiado através de gastos deficitários).
Mas para milhões de trabalhadores dos EUA, o debate sobre estímulo não é
teórico, mas uma questão de vida ou morte. Se não passa nenhum estímulo
federal – e o corrente está praticamente morto no Congresso – milhões de
desempregados ficarão com ingresso zero. Enquanto isso, a crise do orçamento
dos Estados vai piorar, fechando postos de saúde, serviços sociais e
educação, enquanto se destrói emprego do setor público aos milhares.
Democratas e republicanos basicamente estão concordando que os “mercados
financeiros” devem ditar a política econômica nos EUA. Os dois partidos
discordam em que grau e quão rapidamente implementar esta política.
O movimento dos trabalhadores norte-americano deve levantar sua voz e exigir
que uma lei de estímulo seja aprovada. Os trabalhadores – especialmente os
do setor público – devem se aliar aos desempregados, estudantes e
professores e outras vítimas das crises de orçamento dos Estados que
sofrerão verdadeiras tragédias a menos que uma lei de estímulo federal
passe.
*Assistente social e sindicalista
norte-americano
DEL CASTRO
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